Iron Maiden: Sim! Mais uma resenha do show de São Paulo!

Resenha - Iron Maiden (Autódromo de Interlagos, São Paulo, 15/03/2009)

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Por Alexandre Cardoso
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Sim, o que você lerá agora é mais uma resenha do show do Iron Maiden no Autódromo de Interlagos, no último dia 15 de março de 2009.

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E você, naturalmente, pode se perguntar: "Putz, por que tantas resenhas aqui no Whiplash sobre o mesmo show?" Bem, porquê simplesmente foi um show histórico... não, foi uma turnê histórica! Para quem é de São Paulo, do Rio de Janeiros, do Amazonas, de Brasília, de Recife, de Belo Horizonte... O set-list pode ter sido praticamente o mesmo do ano passado, mas dessa vez o palco foi completo, com todas as explosões que tivemos direito (tirando aquelas prejudicadas pela chuva) e para uma quantidade ainda maior de pessoas. Portanto, é difícil achar algum colaborador aqui do Whiplash!, que tenha ido ao show, e que não queira compartilhar sua opinião com tantos visitantes do site.

A chegada ao local do show foi problemática. O Autódromo de Interlagos é longe demais, e o trânsito da região estava caótico, como era de se esperar. Flanelinhas reinavam nos terrenos e ruas das imediações cobrando R$50,00 pelo "estacionamento", um absurdo também esperado. Havia o estacionamento dentro do autódromo também, mais confiável, cujo preço deve ter sido parecido ou até mais caro.

Muitas vans e ônibus ocupavam as ruas, o que apenas confirma a capacidade que uma banda como o Iron Maiden tem de atrair fãs para seus shows. Pude perceber a presença de muitas pessoas que vieram do interior de São Paulo, e também de outros estados, como Paraná e Rio de Janeiro.

E os problemas de logística do show já eram notados logo de cara: havia apenas uma entrada, tanto para a pista premium como para a pista normal, e a fila era imensa. Teve gente que demorou mais de uma hora e meia só para entrar no autódromo! Algo extremamente mal planejado, já que a presença do público seria massiva, e apenas uma entrada não seria o suficiente. Graças a esse erro crasso da organização, o show atrasou em quase uma hora, para que o público pudesse entrar e não perder o show. O empresário do Maiden, Rod Smalwood, subiu ao palco e falou ao público, pedindo desculpas pelos problemas e agradeceu muito a enorme quantidade de pessoas que foram ali prestigiar o show.

Graças à chuva que caiu à tarde, o gramado do autódromo virou um belo lamaçal, e muitos se sentiram como se estivessem no festival de Woodstock ou no Wacken Open Air. A chuva também causou o cancelamento do show da banda Shadowside, que faria a abertura da noite, pois muitos de palco do Iron Maiden ficaram molhados e tudo teve que ser revisto e seco, o que acarretou um atraso na passagem de som dos ingleses. Logo, não haveria tempo hábil para a Shadowside fazer sua apresentação, Rod Smalwood pediu desculpas pessoalmente à banda pelo ocorrido. Uma pena, pois seria uma excelente oportunidade para a banda apresentar seu som para tantas pessoas.

Então o único show de abertura que aconteceu foi o da filha do "hômi", a bela Lauren Harris. Apesar da qualidade dos músicos que a acompanham (o guitarrista Ritchie é muito bom, e o baixista Randy e o batera Tommy comandam a "cozinha" com competência), parece faltar algo à banda. É um pop-rock bem executado, mas que é prejudicado pela voz pequena e sem graça de Lauren. Em estúdio, a voz dela é boa (basta conferir na página do Myspace da moça), mas ao vivo... confesso que houve uma melhora em relação ao show do ano passado, mas ela ainda precisa evoluir muito para poder aspirar uma carreira musical mais sólida. Até o momento, o maior mérito dela é ser filha de Steve Harris, e é só por isso que ela fez os shows de abertura (e também o que a salva de muitas vaias). Divulgando seu primeiro álbum, "Calm Before the Storm", ela fez um show curto, tocando músicas como "Get Over It", "Your Turn", "Steal Your Fire", "Wishing on a Star" e "Come On Over", a melhor de todas.

A essa hora, a ansiedade já tomava conta de todos, e a espera pelo show só aumentava a expectativa da platéia. No morro ao lado da esquerda da pista premium, já havia uma grande concentração de fãs que saíram do fundo da pista normal e resolveram ter uma visão melhor do show. Quem estava na premium temia uma invasão por parte desses fãs, mas felizmente eles curtiram o show numa boa e sempre eram saudados por Bruce durante as músicas (afinal, eles agitaram mais até do que o público que estava na pista premium).

No entanto, a presença de seguranças naquela área era mínima e, se aquele pessoal quisesse invadir a pista premium, eles o teriam feito, sem qualquer resistência. Faltou respeito ao público, pois acredito que ninguém tenha se sentido seguro diante de tão baixo número de profissionais para zelarem por sua integridade física.

E, outro fato lamentável e que tem se tornado uma constante não apenas em shows, mas na sociedade como um todo, é o total despreparo da Polícia Militar. Logo que entrei na área da pista premium, vi um fã sem carregado por 5 (CINCO) policiais militares. Obviamente, ele não estava passando mal, mas sei que ele foi retirado da grade da pista normal. Quando eles estavam quase chegando à área dos bares, o cara tentou se desvencilhar dos policiais, mexendo as pernas. Foi aí que os policiais que o carregavam pela frente o soltaram no chão e, de maneira covarde, começaram a chutar MUITO o rapaz. Eles foram contidos por outro policial. Tal fato foi presenciado por muitos fãs e um deles, revoltado e que se dizia promotor de justiça, teve de ser contigo pelo amigo que o acompanhava para não avançar sobre os policiais. É ridículo o que uma pessoa pode fazer, quando acredita estar acima da Lei apenas por vestir um uniforme. São esses tipos de profissionais que nos causam desconfiança e descrença na instituição da Polícia Militar.

Mas apesar desses graves problemas de logística e segurança (que nunca podem ser relevados ou esquecidos), o público estava ali pela música. E no final, foi o Maiden que salvou o dia. Eram quase 21 horas quando "Doctor, Doctor" do UFO, começou a soar nos PA's: é a deixa para o ínicio do show. Na sequência, começou a ser projetado no telões (que funcionaram muito mal, pois foram danificados pela chuva) um vídeo com os melhores momentos da "Somewhere Back in Time Tour", ao som de "Transylvania". Quando a famosa introdução "Churchill Speech" começou, o que se ouviu foi um urro ensurdecedor, vindo de todos os lados! Dali para frente, aconteceria o massacre sonoro comandado por essa máquina de Heavy Metal chamada Iron Maiden.

A qualidade do som não foi das melhores durante todo o show (no ano passado foi melhor), mas todas aquelas músicas estão na cabeça de todos. Já se sabe onde tem tal solo, tal riff sensacional, aquela virada de batera, aquele agudo do Bruce... O show começou de maneira sensacional com "Aces High", "Wrathchild" e "2 Minutes do Midnight". A perfomance dos músicos é notável: são mais de 30 anos na estrada, mas eles ainda sabem como fazer um show. Bruce Dickinson não pára nunca: corre de um lado para o outro, dá saltos que muito moleque não consegue fazer (basta ver as fotos por aí) e sua voz é impressionante, parece que os anos não o afetam. Nesse aspecto, só pode ser comparado ao onipotente e onipresente Ronnie James Dio. Janick Gers não pára de pular e fazer caretas para o público. É uma pena que nessa turnê ele faça poucos solos, já que ela é focada nos cinco primeiros álbuns de estúdio da banda, quando ele não fazia parte da gangue. Dave Murray era só sorrisos, como sempre - e muitos o comparam a uma bolacha Trakinas® justamente por isso. Quem se importa? Seus solos continuam matadores! Nicko McBrain manda muito, muito bem, e teve seu nome gritado pelo público diversas vezes.

Adrian Smith tocou pra c****lho nesse show... pra c****lho! Peço perdão pelo palavrão, mas é que o cara toca com um feeling impressionante. Não preciso falar da técnica claro, mas a elegância que esse cara tem na hora de solar é demais. Seus solos em "Wasted Years" e "Chidren of the Damned" foram espetaculares - isso só pra citar dois. Ainda bem que ele voltou pra banda!

E Steve Harris... ele é o dono da coisa toda, sem dúvida. Basta observar ele por uma música, olhar nos olhos do cara: ele vive pra isso. Ele canta todas as músicas, ele aponta o baixo dele pra você. Ele te faz perceber que você está num verdadeiro show de Heavy Metal! Há quem diz que o Heavy Metal acabará no dia que ele cortar o cabelo: alguém duvida? No show de Curitiba do ano passado, eu já tinha percebido o quanto esse cara é essencial na história da música pesada, e o quanto o Maiden depende dele. Steve Harris tem que ser reverenciado por qualquer fã, não apenas do Iron Maiden.

As duas horas de show lavaram a alma de todos os mais de 60 mil headbangers que compareceram ao Woodstock, digo, Autódromo de Interlagos. A banda inteira estava extremamente satisfeita com aquilo tudo, fato que foi diversas vezes dito por Bruce ao microfone. Foi o maior público da história do Maiden, em shows que a banda é a única atração. E é algo de que os fãs brasileiros podem se orgulhar, e muito!

As mudanças no set-list - a inclusão de "Wrathchild", "The Evil That Men Do", "Sanctuary", a espetacular "Phantom of the Opera" e a emocionante "Children of the Damned" - foram muito bem recebidas, ao lado dos outros hinos, como "The Trooper", "Run to the Hills", "Hallowed be thy Name", "The Number of the Beast", e tantos outros. Mas o público parecia apático nesse show: isso é comum na pista premium, mas no geral, todos estavam bem quietos. Não houve um momento que chegou próximo ao êxtase causado por "Fear of the Dark" no ano passado no Parque Antártica (vejam o vídeo e entenderão). Claro que vi muita gente pirando assim como eu durante todo o show, mas poderia ter sido bem melhor.

A épica "Rime of the Ancient Mariner" também foi um dos pontos altos do show, assim como "Fear of the Dark" e a excelente "Powerslave". Houve um pequeno erro no começo da música, quando soltaram a introdução antes do Nicko estar pronto, e aí ele ficou puto. Mas tudo foi compensado na hora que rolou uma puta explosão de fogos no palco e Bruce apareceu com sua máscara egípcia pra cantar o refrão. Foi de arrepiar! Mas acho que nada irá superar o que aconteceu logo mais.

A música "Iron Maiden" é a deixa para o fim da primeira parte do show. E logo depois do segundo refrão, tem o solo de baixo do Steve. E aí, meu caro...se você foi um dos 60 e poucos mil headbangers que lá estava, fique muito feliz. Se não foi arrependa-se, porque você perdeu simplesmente a mais espetacular aparição do Eddie em shows do Iron Maiden no Brasil. O Eddie múmia surgiu atrás da bateria, e esse sim, foi o ponto mais alto da noite. Eu nunca imaginei que viveria para ver algo assim, sempre pensei que teria que ir pra Europa ver o show completo da banda, mas não. Eles trouxeram tudo. Quem liga se o telão era falho ou se algumas pirotecnias viraram "biribinhas", como disse o "Estado de São Paulo"? Aquela múmia valeu as horas de fila, a lama, os policiais estúpidos, a cerveja cara, os banheiros imundos...

Depois que Eddie apareceu, eu não tirei os olhos dele, e só olhei pro palco como um todo no final da música. Quantas vezes ja escrevi "espetacular" nesse texto?

Rapidamente, a banda voltou pro bis com "The Number of the Beast", que também contou com a estátua de um cão com os olhos brilhantes no fundo direito do palco, representando o "capeta", e na sequência, "The Evil That men Do", com mais um Eddie em cima do palco, dessa vez na versão ciborgue, do álbum "Somewhere in Time". Janick Gers sempre sofre com o Eddie nessa hora, é muito divertido. Ah, e antes de sair do palco, Eddie simulou uma masturbação que arrancou risos de todos. Bom, pelo menos de quem conseguiu ver, pois acho difícil ter visto isso lá do fundo do autódromo.

"Sanctuary" encerrou mais um show incrível do Iron Maiden, possivelmente o melhor que eles já fizeram não apenas em São Paulo, mas no Brasil. Para a banda deve ser gratificante encerrar a turnê num país com fãs tão devotos, que superam tantas adversidades, principalmente financeiras, para verem seus ídolos de perto. E novamente, a banda prometeu voltar ao país, na turnê do próximo álbum de inéditas, possivelmente em 2011.

Na saída, mais dor de cabeça para o público: não havia sinalização adequada para indicar o caminho, e muito menos uma iluminação decente. Por isso muita gente caiu na lama e, na tentativa de achar uma outra alternativa para ir embora, derrubou as placas de metal que demarcavam os locais. Mais uma prova de desrespeito ao público, que corria pra tentar pegar os últimos ônibus e trens da CPTM para não dormirem na rua. Assim como muitos fãs, espero que a Mondo Entretenimento, a Time for Fun e outras produtoras aprendam a lição de que show em Interlagos é uma furada, e também de que todos que estiveram ali merecem respeito e devem ter as condições minímas para aproveitar o espetáculo pelo qual pagaram um ingresso nada barato.

Os problemas não tiraram o brilho dessa noite, que foi memorável. Há quem diga que o som do Maiden é repetitivo, que o set-list é o mesmo, que eles estão velhos, etc, mas mesmo assim, Bruce Dickinson, Steve Harris, Dave Murray, Adrian Smith, Janick Gers e Nicko McBrain chutam traseiros, ponto final.

P***quemep**iu! Novamente peço desculpas pelo palavrão, mas às vezes é a única maneira deexpressar uma emoção como essa, de ter presenciado o maior show de heavy metal de todos os tempos. Claro que haverá opiniões diferentes da minha, mas pra mim está muito claro. E repito:

P***quemep**iu! Foi do c***lho! Up the Irons!

Set-list de 15 de março de 2009

Churchill's Speech
Aces High
Wrathchild
2 Minutes to Midnight
Children of the Damned
Phantom of the Opera
The Trooper
Wasted Year
Rime of the Ancient Mariner
Powerslave
Run to the Hills
Fear of the Dark
Iron Maiden
(Bis)
The Number of the Beast
The Evil That Men Do
Sanctuary

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