Iron Maiden: Em SP, o maior público da banda em todos os tempos

Resenha - Iron Maiden (Autódromo de Interlagos, São Paulo, 15/03/2009)

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Por Fernão Silveira
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Não é à toa que o IRON MAIDEN gosta tanto do Brasil. Quem compareceu ao show que a banda britânica realizou no inadequado Autódromo de Interlagos, em São Paulo, no dia 15 de março (domingo), pôde ver de perto mais uma emocionante demonstração de respeito e carinho entre artistas e fãs. Respeito e carinho que podem ser traduzidos em números: 100 mil pessoas – segundo o vocalista Bruce Dickinson (para os organizadores, pouco mais de 63 mil) – tomaram o enlamaçado autódromo paulistano para estabelecer um novo recorde na longa trajetória da Donzela de Ferro. Trata-se do maior público registrado em um show exclusivo do IRON MAIDEN em todos os tempos.

Fotos: Igor Bineli

A devoção e a paciência dos fãs paulistanos foram dois dos maiores destaques do grande show que Dickinson, Harris & companhia promoveram na perna final da bem-sucedida turnê "Somewhere Back in Time", que já havia lotado o estádio Palestra Itália em 2008. Desorganização completa, acústica ruim e condições ainda piores para um público que pagou, no mínimo, R$70 (valor da meia-entrada para a pista comum) foram as "boas-vindas" para quem se aventurou até Interlagos na noite de domingo.

A forte chuva que caiu sobre São Paulo por volta das 15h, faltando 5h para o horário previsto de início do show, piorou o já difícil acesso ao autódromo - localizado no extremo sul da capital paulista, a mais de 20 km do Centro da cidade. A chuva de verão e a natural dificuldade de acesso ao local, somadas a uma (des)organização exemplar, fizeram com que uma fila de mais de 2 km de extensão persistisse fora do autódromo a menos de 30 minutos para as 20h. O problema foi tamanho que o IRON MAIDEN decidiu atrasar o início do show em uma hora para que mais fãs pudessem acompanhar o espetáculo adequadamente.

E quem conseguia entrar em Interlagos era saudado por um verdadeiro lamaçal. O espaço destinado para o público não passava de um vasto e irregular gramado, que se transformou num autêntico pântano depois da chuva. Por sinal, dificilmente se conseguiria em São Paulo um local PIOR para este show.

Problemas à parte - e olha que não foram poucos... -, o IRON MAIDEN comprovou novamente por que a sua relação com o público brasileiro é tão especial. Para ajudar, a turnê "Somewhere Back in Time" brinda os fãs com a nata do repertório da banda, compreendendo os álbuns dos gloriosos anos 80, de "Iron Maiden" (1980) até "Seventh Son of a Seventh Son" (1988), com direito a uma oportuna invasão de "Fear of the Dark" (1992). Assim, fica difícil não agradar roqueiros de todos os perfis.

E é claro que o IRON MAIDEN fez a sua parte no palco. Às 21h, a luzes se apagaram para a exibição de cenas da chegada da banda ao Brasil, a bordo do já famoso avião personalizado "Ed Force One". O clipe foi sucedido pelo célebre discurso do estadista britânico Winston Churchill exortando as forças aliadas ao combate na Segunda Guerra Mundial. Pronto, o avião da Donzela estava prestes a decolar em Interlagos ao som de "Aces High".

"Wrathchild" e "2 Minutes to Midnight" vieram na sequência, antecedendo o primeiro diálogo de Bruce com a platéia. O vocalista reiterou as desculpas pelo atraso de 1h, reclamou da "fucking rain!" que caiu em São Paulo durante a tarde e agradeceu muito pela presença de um público que entrava para a história como o maior já registrado num show exclusivo da banda (festivais como Rock in Rio não entram nesta conta). Para fechar a conversa, Bruce ofereceu "Children of the Damned" – "uma música que não costumamos tocar em shows", explicou ele – como um presente para os fãs.

Os hits matadores sucederam-se um a um, com destaque para clássicos como "The Trooper", "Wasted Years", "Run to the Hills" e "Fear of the Dark" – todos cantados em uníssono pela galera. Além da sinergia única entre banda (em mais uma grande exibição) e público (que interagiu até durante a parte recitada em playback de "The Rime of the Ancient Mariner"), a cenografia foi um show à parte. Pirotecnia, figurino e cenários contibuíram para um espetáculo inesquecível. E olha que a chuva ainda estragou alguns fogos de artifício que seriam disparados durante a apresentação.

Após a execução de "Iron Maiden", quando a esfinge de Eddie (como na capa do álbum "Powerslave") se abriu para lançar uma múmia gigante sobre o palco, a banda saiu para uma breve pausa. E o retorno para o bis, conforme esperado, trouxe "The Number of the Beast". A despedida se deu com "The Evil That Men Do" e "Sanctuary", fechando um set list que beirou a perfeição.

Bruce ainda prometeu ao público um álbum novo do IRON MAIDEN em 2010 e mais uma turnê pelo Brasil em 2011. Pelo espetáculo em Interlagos, não é difícil acreditar que a promessa vai se consolidar.

Nas 2h de um excelente show, foi possível esquecer os muitos contratempos enfretados pelo público em mais uma passagem da banda por São Paulo. E é bem provável que o IRON MAIDEN tenha plena consciência das dificuldades e da falta de respeito que os fãs encararam para mais este encontro. E aposto que é por isso que eles gostam cada vez mais de nós, fanáticos e incansáveis brasileiros.

IRON MAIDEN – Autódromo de Interlagos (São Paulo) – 15/03/2009

Aces High
Wrathchild
2 Minutes to Midnight
Children of the Damned
Phantom of the Opera
The Trooper
Wasted Years
The Rime of the Ancient Mariner
Powerslave
Run to the Hills
Fear of the Dark
Hallowed Be Thy Name
Iron Maiden
(Bis)
The Number of the Beast
The Evil That Men Do
Sanctuary



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Sobre Fernão Silveira

Paulistano, são-paulino, nascido nos "loucos anos 70" (1979 ainda é década de 70, certo?) e jornalista. Sua profissão já o levou a cobrir momentos antológicos da história da humanidade, como o título paulista do São Caetano, a conquista da Copa do Brasil pelo Santo André, a visita de Paris Hilton a São Paulo e shows de bandas como Judas Priest, Whitesnake, W.A.S.P., Megadeth, Slayer, Scorpions, Slipknot, Sepultura e por aí vai. Ainda tem muito gás para o nobre ofício jornalístico, mas acha que não vai muito mais longe depois de ter entrevistado Blackie Lawless, Glenn Tipton, Rogério Ceni e, claro, Paris Hilton.

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