Blaze Bayley: Em Curitiba, longe da sombra da Donzela de Ferro
Resenha - Blaze Bayley (Ópera 1, Curitiba, 09/01/2009)
Por André Molina
Postado em 12 de janeiro de 2009
Afirmar que Blaze Bayley é o pior vocalista que passou pelo Iron Maiden é o clichê mais comum no cenário do heavy metal mundial. É como dizer que o Black Sabbath só apresenta qualidade na fase Ozzy. Os fãs iniciantes da donzela dificilmente admitem que o terceiro vocalista da banda contribuiu para reforçar o estilo que foi originado no final da década de 70 pela formação que contava ainda com Paul Di’anno e se consolidou no decorrer da década de 80 com Bruce Dickinson. Infelizmente muitos desses admiradores não quiseram "abrir a cabeça" para conhecer o novo trabalho de Blaze e perderam a apresentação do cantor na segunda sexta-feira do ano (09 de janeiro) no Ópera 1, em Curitiba.
Fotos: André Molina
Quem presenciou o show de Blaze, foi embora satisfeito. O ex-vocalista do Iron Maiden incluiu, em seu repertório, clássicos da fase em que cantou na donzela e as principais canções de seus quatro discos solos de estúdio, que agradaram bastante a platéia de aproximadamente 400 pessoas.
A apresentação foi a segunda da turnê nacional para divulgar o álbum "The Man Who Would Not Die". Antes de fazer o show em Curitiba, Blaze se apresentou em Maringá: município localizado no norte do Paraná. É incrível como as canções novas, mesmo sem ainda serem divulgadas em território nacional tenham conquistado os fãs. A maioria dos admiradores conhecia as canções por causa da internet.
Ao contrário das apresentações do primeiro cantor do Iron Maiden, Paul Di’anno, o vocalista Blaze Bayley demonstra que não vive na sombra da donzela. O público apresenta a mesma receptividade às canções do primeiro disco solo de Blaze ("Silicon Messiah") e aos clássicos dos álbuns "X Factor" e "Vitual XI" do Iron Maiden. O público não responde positivamente só às canções da donzela.
O show de Curitiba começou depois da meia noite. Apesar do atraso, o público não ligou muito. Estava marcado para o ex-vocalista do Iron Maiden subir ao palco às 23 horas. Como não poderia deixar de ser, Blaze começou a apresentação com canções do novo CD, apresentando "The Man Who Would Not Die" e em seguida "Blackmailer" e "Smile Back At Death". É necessário mencionar que as primeiras canções do show serviram para o ajuste do som, que no início estava com uma má qualidade.
Após apresentar de maneira breve canções do último disco, o cantor presenteou os fãs curitibanos com o primeiro clássico do Iron Maiden. Sem muita cerimônia, a banda do ex-Iron Maiden executou fielmente o arranjo de "The Clansman". Quem estava com saudades de ouvir ao vivo o Maiden com Blaze, pôde se satisfazer com o principal clássico desta fase.
Em seguida, a banda intercalou canções da carreira solo de Blaze e do Iron Maiden, apresentando um setlist bem equilibrado. Após "Clansman", foi executado "The Launch", do disco solo de estréia "Silicon Messiah", "Lord Of The Flies" do álbum "The X-Factor" (primeiro disco do Maiden com Blaze nos vocais) e "Leap Of Faith" (primeira música do repertório do CD "Tenth Dimension").
Até o momento, o show que não estava nem na metade já tinha compensado o preço do ingresso (R$40,00). Blaze ainda cantou "The Edge Of Darkness" (uma das canções mais obscuras de "X Factor"), "Voices From The Past" e "Vírus", que foi uma das grandes surpresas do repertório. Apesar de ser um pouco lenta, a canção agitou bastante a platéia.
Em seguida, ainda foram apresentadas "Alive" do álbum "Blood & Belief", "Identity" e "Kill & Destroy".
O resumo da carreira de Blaze continuou com "Stare At The Sun", do disco "Silicon Messiah" e "Samurai" (faixa do disco novo).
No final do show, o ex-vocalista do Iron Maiden manteve a qualidade do repertório com uma canção para acalmar um pouco os ânimos dos fãs. A clássica "The Sign Of The Cross" foi executada perfeitamente pela nova banda de Blaze Bayley. Posteriormente ele aproveitou a ocasião para cantar uma das melhores canções de sua carreira solo: a pesada "Born As A Stranger", do inspirado disco "Silicon Messiah". Para fechar bem o show, Blaze demonstrou vigor ao interpretar "Man On The Edge" (música que consagrou Blaze na donzela) e "Ten Seconds", de "Blood & Belief".
Se fosse para dar uma nota, a apresentação mereceria 9,5 devido a ausência da música "The Brave", do repertório. Se sua cidade está na rota da extensa turnê brasileira de Blaze, não perca. É um show para não ser esquecido.
Repertório:
The Man Who Would Not Die
Blackmailer
Smile Back At Death
The Clansman
The Launch
Lord Of The Flies
Leap Of Faith
The Edge Of Darkness
Voices From The Past
Virus
Alive
Identity
Kill e Destroy
Futureal
Stare At The Sun
The Sign Of The Cross
Born As Stranger
Man On The Edge
Ten Seconds



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