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Glenn Hughes: "The Voice Of Rock" pela primeira vez em Curitiba

Resenha - Glenn Hughes (Ópera 1, Curitiba, 24/10/2007)

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Por André Molina
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A capital paranaense teve a oportunidade de presenciar pela primeira vez um show do lendário ex-baixista do Deep Purple, Glenn Hughes. Apelidado de "The Voice of Rock", o músico, que também cantou na fase Hard Rock do Black Sabbath em 1986, apresentou um repertório com canções de toda a sua trajetória. O evento aconteceu em uma quarta-feira, 24 de outubro, e atraiu um limitado e ansioso público de 600 pessoas na casa noturna Ópera 1.

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Com muito vigor, Hughes tocou e cantou ao lado dos músicos JJ Marsh (guitarra), Ed Roth (teclado) e Stephen Stevens (bateria). A apresentação fez parta da turnê para divulgar o disco "Music For The Divine" (2006). Como não poderia deixar de ser, as canções que mais envolveram os fãs, do tradicional Hard Rock, foram os clássicos dos discos "Burn", "Stormbringer" e "Come Taste The Band", do Deep Purple. O show só não foi perfeito devido à ausência de uma canção do disco "Seventh Star", do Black Sabbath. A obra deveria ter sido lembrada. O lendário músico executou 11 canções. Parece pouco, mas como de costume, os arranjos eram prolongados com improvisos.

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A apresentação começou pontualmente às 23h com uma vigorosa versão de "Stormbringer". Nos primeiros minutos, o público percebeu que Glenn está em forma, com sua voz em perfeito estado. A vantagem é a experiência. O ex-Deep Purple está cantando melhor do que no conhecido show "Califórnia Jamming", gravado em 1974.

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Para o público não perder o embalo, a banda soltou mais um clássico do Purple. A segunda faixa de "Burn", "Might Just Take Your Life", foi executada com total fidelidade. Com uma formação simples, o grupo de Hughes demonstrou que não veio para inventar. Quem estava presente, percebeu que as canções apresentavam arranjos iguais aos originais, mas com mais peso.

Em seguida, a canção executada foi "Land Of The Living", que antecedeu a clássica "Mistreated". Na ocasião, Hughes aproveitou para falar com o público. "Essa é a primeira canção que fiz para o ´Burn´. É uma música de amor. Quero que vocês cantem". No decorrer da apresentação, o músico elogiou diversas vezes o Brasil. "Eu amo esse país. As pessoas brasileiras são lindas", repetiu algumas vezes. Hughes recorria ao tecladista para conversar com o público. Ele é filho de brasileira e sabe se "virar" com a língua portuguesa.

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Do último trabalho de estúdio, a banda executou "You Got Soul" e "Steppin’ On". As novas composições também agradaram o público e expuseram o autêntico Hard Rock funkeado, que Hughes começou a desenvolver com mais nitidez no disco "Come Taste The Band". Foi fácil perceber que a maioria do público se envolveu com as canções novas, sem conhecer. Fora os títulos do Deep Purple, os trabalhos solos do baixista são raros no mercado fonográfico brasileiro.

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Na segunda metade do show, o repertório priorizou canções do trabalho solo "Soul Mover" (2005) e "Come Taste The Band", do Purple. Em "Don’t Let Me Bleed", Glenn lamentou uma relação amorosa frustrada. "Essa canção é sobre uma namorada que fugiu com um amigo meu. Depois de 30 anos eu a encontrei e agradeci por ter fugido", desabafou. Em diversos momentos o "Voice of Rock" demonstrou que é sentimental. Depois da pesada balada, o público voltou a fazer coro para "You Keep On Movin’", e o show começou a transparecer que estava no fim.

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Depois de 9 canções, A banda encerrou formalmente a apresentação e voltou para o esperado bis. Sem muita cerimônia, Glenn Hughes retornou ao palco para apresentar "Soul Mover". Em seguida, os fãs ficaram anestesiados com a esperada "Burn". É incrível como a canção envolveu os mais jovens, com aproximadamente 18 anos, os antigos fãs da década de 70 e até os técnicos de som e roadies, que se movimentavam sem parar em volta do palco. Os agudos de Mr. Hughes no refrão impressionaram pelo vigor. É de fazer inveja a David Coverdale e, principalmente, Ian Gillan.

Depois do grandioso encerramento, Hughes se despediu de maneira breve e deixou o público com gosto de quero mais. "Sweet Dreams", disse a lenda do rock.

Abertura e fechamento de gala

As bandas que se apresentaram antes e depois de Glenn Hughes no Ópera 1 fizeram bonito. Os catarinenses do Perpetual Dreams subiram ao palco, às 22h, para apresentar seu heavy metal melódico com influências do Hard Rock Oitentista. Com um trabalho autoral, o grupo demonstrou que a cidade de Blumenau tem heavy metal de qualidade. O Perpetual priorizou os discos anteriores "Eyes Of Insanity" e "Arena". Além das canções próprias, a banda ainda executou temas instrumentais de Yngwie Malmsteen, e a cover do Whitesnake, "For Your Loving", conquistando de vez a simpatia do público que esperava Hughes.

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A missão dos curitibanos do Motoroccker também não foi fácil. A banda subiu ao palco, após a apresentação do ex-baixista do Deep Purple, com um público bem menor, mas não se abateu. Não faltaram covers do AC/DC, Black Sabbath e canções do disco autoral "Igreja Universal do Reino do Rock". Na metade da apresentação, o vocalista Marcelus aproveitou para agradecer a oportunidade. "É uma honra tocar na mesma noite da apresentação de uma das maiores vozes do rock. O velho está cantando muito", disse.

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Repertório de Glenn Hughes:

Stormbringer
Might just take your life
Land of the livin
Mistreated
You got soul
Don’t let me bleed
Gettin Tighter
Steppin’ on
You keep on movin’

Soul mover
Burn


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Sobre André Molina

André Molina é jornalista, economista e começou a ouvir heavy metal ainda quando era criança. Tem 30 anos de idade e Rock 'n' Roll é sua religião.

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