Alex Skolnick: O guitarrista do Testament em um projeto de Jazz?
Resenha - Alex Skolnick Trio (Cambridge, Massachusetts, 25/06/2007)
Por Guilherme Spiazzi
Postado em 05 de julho de 2007
Sim, você leu certo, Alex Skolnick, conhecido mundialmente através do Testament, faz parte de um trio – seria um power trio, daqueles clássicos da década de 60/70? Talvez um projeto paralelo Thrash metal ou quem sabe, um lado completamente diferente da moeda. Enfim, o intuito deste projeto é tocar Jazz, na sua mais pura forma, afastando completamente as raízes do metal de Alex. Bom, nem tanto assim porque o show trouxe alguns clássicos do rock e do metal com uma roupagem completamente diferente.
Exatamente dois meses depois de sua passagem por São Paulo e deixado um rastro de destruição, Alex Skolnick subiu ao palco com a mesma missão de impressionar os seus espectadores, mas dessa vez as armas eram diferentes. Desta vez o local, um pequeno clube localizado exatamente entre as universidades de Harvard e MIT, contava com aproximadamente 75 pessoas e um qualidade acústica muito boa. Nada de luzes, cenário - nem mesas ou cadeiras, a missão era capturar aquela atmosfera simples e deixá-la envolvente e descontraída.
Por volta das nove horas e trinta minutos, Alex subiu ao palco acompanhado de Nathan Peck (contrabaixo) e Matt Zebroski (bateria), todos com os seus singelos copos de cerveja e muita calma. Com sua guitarra semi-acústica empunhada, Alex e seus fiéis escudeiros começaram a tocar ou seria improvisar, aquecer... Seja como for, ali uma viagem muito interessante tinha os eu início. Com um timbre muito limpo, aquele ‘reverb’ de fundo dando um molhinho no som e uma pegada firme a primeira música foi acontecendo e o público, formado por fãs de metal e jazz, ia tentando descobrir o tema que era tocado.
Foi então que, entre acordes tortuosos e quebras de ritmo, a melodia de "Still Loving You" (Scorpions) se revelou e alguns fãs já sussurravam a letra do refrão. Depois que o gelo já havia sido quebrado "Mercury Retrograde", primeira faixa do mais novo lançamento do trio, mostrou o lado compositor de Alex. Uma curiosidade é que essa é a única composição que traz o uso dos vocais do trio, onde eles apenas hamornizam as vozes em algumas passagens harmônicas. Dando continuidade a avalanche de acordes e solos dissonantes, tivemos uma versão bem diferente de "Detroit Rock City" (KISS) e se Alex não comentasse sobre a música muitos não teriam percebido do que se tratava, mas nada que venha a desmerecer o trabalho que eles fizeram com a música. "The Lizard", composta por Alex, foi um som que trouxe bastante groove com a sua levada ora quebrada ora cadenciada e um tema de guitarra que ficou grudado na cabeça. Ainda nessa música Nathan e o seu contrabaixo foram se suma importância para a levada acontecer. Outra composição de Alex, "Last Day In Paradise", veio na seqüência, com o seu início lento, climático e uma melodia muito cativante, algumas vezes trazendo influencias orientais. Talvez a peça mais ‘viajante’ de todo o repertório. Para fechar o primeiro set da apresentação, Alex seu slide e uma Gibson Les Paul deram início a "Western Black Stomp", uma composição dele e de Matt e com certeza a mais ‘pesada’da noite. Mais solta, com alguns riffs e até distorção esta música balançou algumas cabeças e mostrou o lado mais rock ‘n roll dos caras. Matt teve a oportunidade de bater com muita força e técnica - de uma maneira que ouso dizer, me lembrou o som que Keith Moon tirava de sua bateria. Após uma pequena pausa para alguns comentários, fotos, autógrafos e por que não, mais cerveja veio o segundo set.
O início não poderia ter sido melhor, foi com "Revelation (Mother Earth)" do "Blizzard Of Ozz" (Ozzy Osbourne), que o público foi recebido calorosamente por eles. Um versão cativante, mais consonante que dava um clima bem apropriado para o momento em que a metade da frente do publico prestava muita atenção no show e a parte de trás, o fundão, conversava calorosamente. Continuando as versões Jazzísticas de clássicos do rock foi a vez de "Tom Sawyer" (Rush), rearranjada pelo baixista Nathan Peck, mostrar a sua força, independente de como é tocada. Vale destacar que Matt elaborou uma linha de bateria impressionante passa essa música, com certeza uma em que ele teve a maior liberdade para mostrar a sua exacerbada técnica. Nem mesmo a baqueta que caiu de sua mão esquerda no meio da apresentação atrapalho em algo, nos poucos segundos do acidente Matt soube segurar muito bem a pressão. E o que dizer de Skolnick fazendo a melodia outrora cantada por Geddy Lee, na guitarra e misturando com o lick de Alex Lifeson – fantástico! "Both Feet In", composta por Matt Zebroski, trouxe uma pegada bem blues para a noite. Obviamente Matt foi quem roubou a atenção nessa música, mas a adição dela no repertório só veio a incrementar a gama de influências do trio. Para fechar a noite nada menos do que "Electric Eye" (Judas Priest), hino imortalizado do Heavy Metal, desta vez, tocado calmamente.
Foi uma noite de segunda-feira bem diferente para a maioria das pessoas, principalmente para aqueles que estavam lá para conferir um dos ícones do Thrash Metal mundial. É inspirador ver que clássicos do metal, muitas vezes execrados pela mídia, são verdadeiras obras de arte e melhor ainda foi curtir o trabalho de um artista que transita por mundos diferentes na música. Agora com licença porque o Testament tocará por aqui em Julho e tenho que me preparar.
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