Dios Salve A La Reina: Uma homenagem fiel à obra do Queen
Resenha - Dios Salve A La Reina (Via Funchal, São Paulo, 19/05/2007)
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 21 de maio de 2007
O friozinho que se abateu sobre a cidade de São Paulo no último sábado (19) propiciava o exercício da fina arte do ócio debaixo dos cobertores, ignorando a existência do mundo externo. Mas alguns fãs de rock de qualidade resolveram encarar os casacos e blusas de moletom para ir até o Via Funchal conferir a apresentação impressionante dos argentinos do Dios Salve A La Reina – considerados, com toda a razão, uma das melhores bandas-tributo ao Queen de todo planeta. E estes fãs corajosos não se decepcionaram, pois quem lembra com saudades do glorioso frontman Freddie Mercury saiu de lá com um enorme sorriso estampado no rosto e o coração devidamente aquecido pela impecável performance do quarteto, digna de calar a boca de qualquer puritano pentelho que quisesse buscar este ou aquele detalhe para poder falar mal.
Fotos: divulgação
Pode parecer estranho que uma casa do tamanho do Via Funchal se dispusesse a abrir as portas para a apresentação do que é, na essência, uma banda de covers. Mas o público compareceu consideravelmente. Podia não ser a lotação tremenda que tomou conta do local quando os alemães do Blind Guardian passaram por lá, por exemplo. Mas ainda assim, a freqüência surpreendeu, fazendo barulho suficiente para incendiar ainda mais os músicos, visivelmente empolgados e emocionados com a recepção.
Logo na primeira canção da noite, "One Vision", já ficava clara a fidelidade com que a obra do quarteto britânico seria tratada. Além de executarem as canções ipsi literis – respeitando, inclusive, as sutis diferenças entre as faixas de estúdio e suas mesmas versões ao vivo – o Dios Salve A La Reina (tratado no material de divulgação da performance como God Save The Queen) ganha muitos pontos pela emulação desbundante dos trejeitos de cada um dos membros do grupo. Da postura guitar hero de Brian May (cujos cabelos o guitarrista Francisco Calgaro reproduz com uma frondosa peruca) à simpatia popstar do batera Roger Taylor (cuja loirice Matías Albornoz também reproduz com o uso de uma peruca), passando pela timidez do baixista John Deacon e, é claro, pela intensidade de Freddie Mercury.
A relação de Pablo Padín com Mercury, por sinal, merece um parágrafo à parte. Além da impressionante semelhança física, Pablo sabe todos as manias e maneirismos do falecido vocalista do Queen, levando o espectador a embarcar numa verdadeira viagem no tempo, sem acreditar no que está vendo diante dos olhos. Os pulos, os gritos, o punho cerrado para o céu, os malabarismos com a meia-haste do microfone. Está tudo lá, sem tirar nem pôr. Compare você mesmo com os vídeos de quaisquer apresentações do Queen e se surpreenda. Quanto à voz, o cantor do Dios Salve A La Reina faz a sua parte sem grandes problemas e, por mais que fique aquém do original em alguns poucos momentos, o seu esforço para complementar a atuação com pura fidelidade supera qualquer mínima discrepância.
O set-list também surpreendeu muita gente: é claro que não faltaram clássicos como "Tie Your Mother Down", "I Want It All", "Save Me", "Who Wants to Live Forever", "I Want To Break Free", "It’s A Kind of Magic", "Radio Ga Ga", "I Was Born To Love You", "Crazy Little Thing Called Love" e as sempre solicitadas "39" e "Somebody To Love" (com direito a um agudo de cair o queixo), além do combo acústico "Is This The World We Created?" e "Love Of My Life". Mas nem o fã mais esperançoso poderia conceber que, entre tantos hits, eles ainda fossem presentear os mais velhos com jóias como "Jealousy" (do disco "Jazz") e "I’m in Love With My Car" (de "A Night At The Opera"), desconhecidas de boa parte do público presente. A cereja do bolo ficou por conta da épica "The March of The Black Queen", uma canção longa e cheia de quebradeiras, extraída diretamente do segundo álbum de estúdio da banda e que caberia facilmente no repertório de qualquer banda de heavy metal que se preze.
Para encerrar a primeira parte da apresentação, Pablo foi ao piano e começou as já tradicionais frases: "Is this the real life? / Is this just fantasy?". Esta era a senha para "Bohemian Rhapsody" – que, diferente do próprio Queen, o Dios Salve A La Reina toca inclusive com a opereta no meio, fugindo da tentação de colocar uma gravação e preferindo fazer eles mesmos as diversas camadas de vozes e corais. Ponto pra lá de positivo pela coragem.
No primeiro bis, eles não poderiam fugir do óbvio: "We Will Rock You" e "We Are The Champions", as duas canções mais difundidas de Mercury e cia. e que se tornaram o encerramento obrigatório de suas apresentações. Com uma bandeira brasileira grudada a uma da Argentina (para fazer os nacionalistas babacas engolirem em seco), Pablo desfilava pelo palco convocam a participação maciça do público – que foi ao delírio quando o show parecia encerrado pelo vocalista, que adentrou vestindo as tradicionais coroa e capa ao som do trecho do hino da Inglaterra que diz "Deus salve a rainha".
Mas as luzes ainda não tinham se acendido. Algo estava errado. Teríamos mais? E para um surpreendente segundo bis – bingo! – eis que eles surgem mais uma vez, agora com a fantástica "Don’t Stop Me Now", música favorita deste que vos escreve. O Via Funchal veio a baixo. E finalmente estes quatro argentinos se despediram com a sensação de dever cumprido – o dever de fazer cada um dos presentes passar a semana inteira cantarolando os sucessos do Queen e revisitando os CDs de sua coleção. Paul Rodgers? Eu acho que não.
Line-Up:
Pablo Padín - Vocal e Piano
Francisco Calgaro – Guitarra e Teclado
Matías Albornoz – Bateria
Ezequiel Tibaldo – Baixo
Set-List:
One Vision
Tie Your Mother Down
Somebody To Love
I Want It All
Save Me
Who Wants to Live Forever
I’m In Love With My Car
I Want To Break Free
I Was Born To Love You
Jealousy
Is This The World We Created?
Love of My Life
’39
It’s a Kind of Magic
Too Much Love Will Kill You
The March of The Black Queen
Now I’m Here
Radio Ga Ga
Crazy Little Thing Called Love
Bohemian Rhapsody
Bis 1:
We Will Rock You
We Are The Champions
Bis 2:
Don’t Stop Me Now
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



James Hetfield revela banda que disse "não" a convite do Metallica para turnê
Performance e abstração marcaram o primeiro dia do Iron Maiden em São Paulo
Com mais de 140 shows, festival Welcome to Rockville anuncia atrações para 2027
Deep Purple cancela shows devido a emergência médica envolvendo Ian Gillan
Zakk Wylde compara entrar no Pantera a Eric Clapton homenageando Jimi Hendrix
Jorn Lande gosta de dois dos álbuns mais criticados do Black Sabbath
A canção que mudou a vida de Jimi Hendrix e completou 60 anos de gravação
David Reece se reunirá com o Accept para dois shows na Europa
O que Johnny Ramone nunca conseguiu entender sobre o grunge
Por questões de saúde, show do The Rasmus é transferido para amanhã (01/11)
Triumph cancela segunda tour de reunião por "circunstâncias médicas súbitas e inesperadas"
As cinco músicas que Slash escolheria para ouvir se o mundo estivesse acabando
O comportamento de Jimi Hendrix que tornou insuportável a convivência com Noel Redding
O emprego inusitado de Michael Sweet depois que o Stryper foi à falência
Três anos após levar tiro na cabeça, Mingau, do Ultraje a Rigor, aparece de pé em vídeo
Cinco discos ao vivo que todo headbanger deveria ouvir ao menos uma vez na vida
Metallica: Como é a lista de exigências do camarim da banda
Kiko Loureiro comenta a ocasião em que Andre Matos queria tirá-lo do Angra

Iron Maiden - um festival de clássicos embalando o público
Black Label Society faz show histórico em Belo Horizonte e emociona fãs
Between the Buried and Me - um show especialmente feito para os metal geeks brasileiros
The Gathering - uma das turnês mais esperadas pelos fãs de vocais femininos
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida



