Resenha - Arch Enemy (Armazzém 841, Belo Horizonte, 03/02/2007)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Maurício Gomes Angelo
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.






Com um público até muito além do esperado, a trupe de Michael Amott chegou a Belo Horizonte para mostrar toda a tradição do death metal melódico sueco. Mas... será que eles se encaixam na descrição?

Muito mais gostoso que tentar encontrar um rótulo apropriado é entender o porquê disto tudo. Para chegarmos ao DNA do Arch Enemy é preciso voltar quase 20 anos no tempo. Antes de montar seu próprio grupo de metal extremo, Amott ajudou os ingleses do Carcass a saírem de seu grind extremamente gore e tosco (porém, não menos influente) para uma sonoridade intrincada e original, gerando obras primas como “Necroticism” e principalmente “Heartwork”. Na mesma época, surgia na Suécia um grupo considerado o fundador do death melódico: At The Gates, criando a pedra base do estilo, “Slaughter Of The Soul” – que ainda não foi e, talvez, levará muito tempo para ser superada.

Bom lembrar que Adrian Erlandsson, baterista, irmão de Daniel, era membro do grupo. Explodia o “Gothenburg Sound”. In Flames, Dark Tranquillity (o que mais se assemelha ao Arch Enemy), The Haunted, Soilwork e Darkane apareciam para o mundo. Junte a isso o tempero stoner – não conhece o estilo? Deveria... – da outra banda de Amott, o também ótimo Spiritual Beggars. Por fim, some todo o aprendizado heavy que o baixista Sharlee D’Angelo adquiriu no Mercyful Fate e terás uma boa noção do resultado.

A feliz conclusão dessa papagaiada toda é que, muito diferente de algumas bandas citadas neste texto, o Arch Enemy jamais perdeu o rumo e a coerência de sua sonoridade, evoluindo em álbuns de extremo bom gosto e composições que beiram a primazia. A melodia, longe de significar incursões proeminentes de teclados, serve para lubrificar as estruturas rígidas do death e dar vida aos solos e harmonias carregados de feeling de Amott. Claro que o fato do Japão ser terra fértil para eles há tempos contribui, e muito, para a ênfase neste quesito. “Hybrids Of Steel”, “My Apocalypse”, “Burning Angel” e “Skeleton Dance” dão mostras nítidas disto.

A entrada de Frederik Akkeson, um virtuose que não se sentia em casa no bom grupo de hard Talisman, sem dúvida contribuirá ainda mais para o desenvolvimento do quinteto. Ao vivo, pode-se constatar que ele não teve dificuldade nenhuma para alcançar um bom entrosamento.

O Armazzém, lotado, viu boquiaberto a irrepreensível tríade de abertura: “Nemesis”, “Enemy Within” e “Dead Eyes See No Future”. Simplesmente três dos melhores momentos da história da banda. “Nemesis” é um open-act perfeito... riff esmagador e pura base thrash oitentista. O som da casa, normalmente muito bom, comportou-se exemplarmente durante todo set, em especial nas guitarras, o que pode ser sentido nos solos de Amott e Akkeson – curtos e suculentos, longe da fritação gratuita.

Muito se fala sobre o “fator Angela Gossow”. Que a entrada dela significou uma guinada fundamental na carreira da banda. Sim, é verdade. Mas isto não se dá porque ela canta muito melhor que o anterior, John Liiva. Claro que ela manda bem, inclusive ao vivo, mas é limitadíssima e, no fim das contas, nada espetacular: comparando-a com outros vocais guturais, obviamente. Ouçam Mikael Stanne, por exemplo. A louvação toda se dá em virtude do aspecto inusitado da performance e do posto ocupado por ela. De fato há pouquíssimas mulheres sendo frontwoman’s de bandas extremas. E aqui temos uma certa “boa vontade forçada” da mídia, um sentimento de dívida histórica não muito saudável. Algo como que, pelo simples fato de Angela ser mulher, a exigência se tornasse menor e a predisposição para adorá-la fosse maior que a normal. Isto, pra mim, não passa de preconceito e machismo enrustido – justamente o contrário do que tentam aparentar. Não se trata de peninha, mas competência. E isto ela tem. Ponto. É desnecessário, e forçado, exagerar nos elogios direcionados a ela.

“Diva Satanica”, o clássico “The Immortal” e “Bury Me An Angel”, além de incendiar o público, que de modo geral respondeu muito bem durante todo o show, serviram para comprovar a admirável sintonia instrumental de D’Angelo, Amott e Erlandesson, facilitada, claro, pelos quase 10 anos tocando juntos.

“Ravenous”, “Dead Bury Their Dead” e “We Will Rise” (ao contrário das outras duas, uma música fraca e elevada à condição de “obrigatória” apenas pelo clipe e promoção feitas...), fecharam a noite com maestria. No fim, era nítido a satisfação e o contentamento nas expressões e comentários de todos. Talvez um dos poucos shows em que vi uma unanimidade até agora.

Nada indica que eles vão descambar para o eletrônico ou flertar com o duvidoso metal de jeitão estadunidense, como vários colegas de cena fizeram. Então, que continuem refinando sua acerta mistura de death, thrash, heavy, stoner e prog, que é o mais tímido e seria muito bem vindo em doses maiores. Com um guitarrista como Michael Amott liderando os trabalhos, não há muito para se preocupar.

A primeira impressão foi ótima. Que voltem mais vezes.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.


Arch EnemyArch Enemy
Alissa não se prende à ideia de morte por ser ateia

1010 acessosGuitarristas: em vídeo, o Top Ten do Metal Moderno177 acessosEm 02/10/1996: Arch Enemy lança seu álbum debut Black Earth755 acessosDoyle e Alissa: Na capa da Vegan Health & Fitness Magazine2691 acessosMulheres que cantam Metal: estúdio/ao vivo, expectativa e realidade148 acessosEm 24/09/2007: Arch Enemy lança o álbum Rise Of The Tyrant0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Arch Enemy"

Arch EnemyArch Enemy
"Uma voz boazinha e Metal não se misturam!"

VegetarianismoVegetarianismo
Nomes do Rock e do Metal que não comem carne

Metal suecoMetal sueco
Site elege as dez melhores bandas da Suécia

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Arch Enemy"


Mulheres e guitarrasMulheres e guitarras
As mais importantes segundo a Gibson

Black SabbathBlack Sabbath
Iommi: "Nos separamos por causa do Live Evil!"

AerosmithAerosmith
Tyler acha que Kiss é banda de história em quadrinhos

5000 acessosFotos de Infância: Arch Enemy5000 acessosZodíaco True: Os perfis de cada signo em versão Headbanger5000 acessosRodolfo: 100% arrependido das letras dos Raimundos5000 acessosMetallica: voltarão a fazer thrash clássico, diz vocal do Exodus5000 acessosVaticano: católicos enfurecidos com cantora punk no Natal4720 acessosOzzy Osbourne: o presidente do Heavy Metal

Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

Mais matérias de Maurício Gomes Angelo no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online