Uriah Heep: A nostalgia marcou um irrepreensível show

Resenha - Rock in Concert Brazil (Via Funchal, São Paulo, 28/09/2006)

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Por Alexandre Cardoso
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Salário Mínimo
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Pedra
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Uriah Heep
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Uriah Heep

A terceira edição do Rock in Concert Brazil, um festival que sempre primou pela igual participação de bandas nacionais ao lado de bandas gringas, não teve o público que o evento merece. Talvez por acontecer numa quinta-feira e começar num horário em que muita gente ainda está saindo do trabalho ou enfrentando o trânsito de São Paulo, o número de expectadores era pouco expressivo durante a apresentação da primeira banda, o Tropa de Shock, veteranos da cena metal nacional. Justamente pelos problemas acima citados, não pude assistir o show do Tropa e peço desculpas à banda e aos fãs por não poder comentar sua participação no evento.

Fotos: Lidiane dos Santos e Alexandre Cardoso

Pouco depois das 21:30 hs foi a vez do Salário Mínimo subir ao palco. A banda, que surgiu no final da década de 70 e voltou à ativa em 2004, após ter encerrado as atividades em 1990, é de grande importância no cenário nacional. Com seu hard rock de muita qualidade e cantado em português, a banda aproveitou muito bem seus 30 minutos de show, tocando de forma empolgante e superando com garra os problemas no som; os destaques foram os clássicos “Beijo Fatal” e “Cabeça Metal”.

O Pedra foi a próxima atração da noite. Mesmo sendo uma banda nova, o som dos caras é muito maduro, de muita pegada, forte influência de bandas setentistas e também cantado em português. Contando com membros do Patrulha do Espaço na formação (o vocalista/guitarrista/tecladista Rodrigo Hid baixista Luiz Domingues), a banda é completada pelos ótimos Xando Zupo (guitarra) e Ivan Scartezini (bateria). A música feita pelo Pedra é agradável e acessível – e isso não significa que seja daquele tipo descartável que as rádios fazem questão de tocar. Se tiver a divulgação que merece, com certeza o Pedra terá o reconhecimento que merece.

Os gritos pelo Uriah Heep já começaram durante o show do Pedra; afinal, a ansiedade do público em ver os caras era enorme, já que a última passagem da banda por aqui foi em 1995, quando tocou junto com o Nazareth.

Com 20 álbuns de estúdio nas costas e há 36 anos na estrada, esses britânicos são conhecidos por fazer um show energético, cheio de alegria e interatividade com o público. A essa altura da noite, a Via Funchal recebia pouco mais de 1500 presentes em suas dependências. Pouca gente para uma banda como o Uriah Heep, mas acreditem: tanto o público como a banda se comportaram como se o lugar estivesse abarrotado de gente!

A empolgação dos quarentões e cinquentões presentes era imensa. Os mais jovens também vibravam muito: com certeza, muitos foram “doutrinados” ao som do Heep por seus pais. Em cima do palco, Bernie Shaw (vocal), Phil Lanzon (teclado), Trevor Bolder (baixo), Lee Kerslake (bateria) e Mick Box (guitarra) estampavam nos rostos sorrisos sinceros, e essa alegria era refletida em sua música.

Mesmo com alguns problemas na guitarra de Mick Box durante as primeiras músicas, a qualidade de som que vinha dos PA’s foi muito superior à das bandas de abertura (fato que não é nenhuma novidade nesse tipo de evento). Durante mais de uma hora e meia, o Uriah Heep presenteou o público com um set list cheio de clássicos, como “The Wizard”, “Gypsy”, “Look At Yourself”, “Easy Livin’”, entre tantos outros.

As duas décadas com a mesma formação dão um entrosamento impressionante à banda: praticamente não há falhas nas músicas do Uriah Heep! Isso mostra que a idade em nada atrapalha os caras na hora de tocar ao vivo. As harmonias vocais que fazem ao vivo deixam qualquer um de queixo caído: os cinco músicos cantam de forma afinadíssima!

Os destaques ficam, com certeza, por conta do vocalista Bernie Shaw (super carismático e com a voz em excelente forma) e do guitarrista Mick Box, único membro original que faz parte da banda, considerado por muitos o mestre do “wah-wah”, além de ser uma grande figura em cima do palco.

A cada música, os aplausos aumentavam e esse reconhecimento da platéia mostrou que, quem esperou um longo tempo por esse show, não se decepcionou. E a bandeira do Brasil jogada no palco deve ter sido guardada com carinho pela banda.

Apesar da presença do público ter ficado aquém do esperado, o Rock in Concert Brazil de 2006 deixa um saldo positivo, pelas grandes apresentações do Salário Mínimo, do Pedra, representantes dignos do rock brasileiro, e do irrepreensível show do Uriah Heep, marcado por um sentimento de nostalgia e que já começa a dar saudade.

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