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Show: Festival de Bandas Porto da Música

Resenha - Festival de Bandas Porto da Música (Itajaí, 27/05/2006)

Por Andryo Dias
Postado em 11 de junho de 2006

Um festival marcado por uma gigantesca estrutura. Sonorização de altíssima qualidade, cast com bandas excelentes, praça de alimentação e comércio, área para camping, segurança e policiamento, camarins, etc; tudo para uma grande noite para o metal catarinense. Entretanto, por ser a primeira edição, marcado também pela falta de experiência dos organizadores em um quesito de suma importância: a divulgação. O hard rock original de Dr. Sin, o prog contagiante da blumenauense Before Eden, e grandes revelações como Samuca - novo vocalista da Orquídea Negra – e a banda local Ahroun.

O 1º Festival de Bandas Porto da Música aconteceu na cidade de Itajaí – Santa Catarina, durante os dias 26, 27 e 28 de maio (sexta-feira, sábado e domingo, respectivamente) com as bandas Dazaranha, Dr. Sin e Nação Zumbi como atrações principais. Mas o que interessa para nós rolou sábado à noite, a partir das 19 horas. Haviam poucas pessoas, se compararmos à capacidade da estrutura montada, e a responsável por acender a moçada foi a vocalista Julian, da banda Ahroun, dando o ar da graça feminina no palco. A revelação da noite tocou as músicas próprias e bem elaboradas "Humans" e "Angelique", além de covers de Nightwish ressaltando os líricos de Julian e o talento de Marcelo na batera. Lembrando que este foi apenas o terceiro show da banda! Trabalhando um pouco mais as linhas melódicas venderá centenas de cópias já no primeiro trabalho.

Então chega a vez de Display. Injustiça fora cometida aos garotos que esticaram até a noite seu fiel público de cerca de trinta emocores. E a banda é boa! Mas estava no local errado e na hora errada. Bem sei que seus shows nos eventos de hardcore são lotados. Porém, ou sou muito enjoado com linhas melódicas, ou eles também precisam melhorar. Mas verdade seja dita que grande parte das bandas do gênero relaxam no quesito. Que confessem.

Com novo e excelente vocalista sobe ao palco a inigualável, incomparável, inimaginável e... inescrupulosa (porque faltam "ins" para esta banda): Orquídea Negra! Com seus vinte anos de estrada estes caras sempre nos levam de volta a passagem dos anos 70 a 80. O heavy metal puro ainda em sua meninice. Após alguns anos com o vocalista Jean - Alemão para os chegados, iria Samuca dar conta do recado? Pois o fez parecer fácil! Carisma, presença de palco e um timbre vocal quase mágico! Encarecidamente peço: aplausos.

Syndrome fez pessoas subirem a rampa do palco que ficava aborrecidamente distante do público. Embora não entenda por que, nem preciso me explicar. Posso usar as palavras do próprio vocalista: "Aí, galera! Vocês acabaram de ver como não se deve fazer um show!". Dizer isso após permanecer constantemente fora do tom, tropeçar e cair de pernas pro ar quase para fora do palco acaba com qualquer tempo de ensaio, prática e aprendizado. Mas não era uma boa noite para a Syndrome. Impossível associar essa performance com os quinze anos de sucesso da banda.

A sempre extravagante Perpetual Dreams vem com introdução e tudo, mesmo com o curto tempo de 30 minutos para a apresentação de cada banda. E é um lindo som. Mesmo com vacilo da sonoplastia o timbre da voz de Eduardo entra no peito. Agudo, porém suave. Presença de palco aprendida com os grandes ídolos. Havia muito tempo não saudava uma banda aos gritos. Em meio às linhas de power metal saiu até um hard rock, fazendo saltar a veia oitentista dos integrantes. Além disso, teve cover de Yngwie Malmstein!

E mais uma vez a organização mostra o descuido na seleção do cast. O review até perde a graça. Christmess sobe ao palco e, embora seja uma ótima banda, faz tudo o que as bandas de hoje em dia conseguem fazer.

Virtuosidade. É como se eu descobrisse o sentido da palavra. Já li tantas vezes em reviews que cheguei a comentar a caminho do show que jamais usaria o termo. Ora, pois. Não é o guitarrista, nem o tecladista. É a banda. Uma banda virtuosa. Before Eden traz músicas contrastantes que variam de tempo, peso, causando sensações distintas aos ouvintes. A abertura vem com a firmeza da música "Nomad Soul" e em seguida "Wizard of the South", que te faz balbuciar qualquer coisa na letra pra poder acompanhar a melodia. Ao ouvir este refrão posso até usar parte da letra traduzida ao dizer que "sua fama cresce e todos querem ver". Assim como com Paganini - a quem a música foi dedicada – é possível que esta maravilhosa composição alcance o status de lendária. Em seguida "Tomorrow's Gone" e então "Fallen Angel" do primeiro álbum. Logo de início nota-se a criatividade e inovação nas quebras de tempo e contras. Júlio César dá show nos pedais duplos e a banda mais uma vez cativa o público com uma excelente composição. Mas a cada intervalo o pedido era incessante: "As I Am! As I Am!". Pois que seja feita sua vontade. O cover impecável de Dream Theater fecha a apresentação da banda. A saudação de Alessandro, Jaison, Juliano, Ricardo e Júlio é respondida com a demonstração de satisfação do público.

A ansiedade para assistir o show da noite aumentava quando a ovacionada Steel Warrior assume a frente de batalha. Completando dez anos de estrada e com turnês européias nas costas recebe o carinho dos conterrâneos, sempre visível em todos os shows. Velocidade nas linhas de power metal e um excelente heavy tradicional. E, como é heavy tradicional, assim são os vocais de André Fabian. O excesso de gritos agudos e vocais sempre roucos (?) incomoda meus ouvidos. E o curioso é que isto não acontece nas gravações da banda. Boa parte cantada é limpa e sutil, assim evitando que as músicas se tornem enjoativas. Mas isso é heavy tradicional e todo mundo ama exatamente assim então é só alegria! Destaque para o baixista Anderson Gomes que muito humildemente dá um show à parte.

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E assim que o apresentador anuncia a próxima banda apagam-se as luzes. A cena fica nostálgica. Só faltava tocar Enya de fundo. Durante a misteriosa introdução um homem entra vestido de médico. O vulto branco em meio à escuridão que pairava sobre o stage cumprimenta o público. E entra outro, e mais outro. Eram eles, os doutores! Após entrar com parte de "Detroit Rock City", Dr. Sin nos presenteia com um cover dos pais do hard rock com "Calling Dr. Love", que explode no peito junto com as rajadas de luz dos holofotes. E que saudade daqueles vocais oitentistas ao vivo! A princípio estranhei a falta de um vocalista para os olhos, pois quem canta esta música é Ivan Busic, o baterista. Mas logo acostumei. O peso da guitarra de Edu Ardanuy chama "Time after Time", depois "Fire" e, do álbum "Insanity", "Sometimes". Trazendo uma mensagem de encorajamento, "Miracles". "Se você acredita em milagres", o hard rock está de volta e mais vivo do que nunca! Mas talvez não seja nada sobrenatural, pois os responsáveis são os doutores que aplicam uma descarga de eletro choque e reanimam o hard rock.

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As músicas são surpreendentes. Contrastam com melodias românticas alternando entre solos, riffs pesados e levadas lentas. Quis levar pra casa. Tinha várias coisas do Dr. Sin pra vender. A banda que nasceu – e não esqueceu – do underground, com influências de rock'n roll, blues, jazz, country e derivados, conquista o Vale do Itajaí. "A sonoridade se reflete na amizade entre os integrantes, seriedade no trabalho e no amor que temos por cada um dos nossos álbuns, como se fossem nossos filhos" – Ivan comentou comigo.

Andria Busic mostra competência no vocal e os riffs pesados de "Fly Away" mandam embora o frio que assombrava o público. De 1993 aparece "Emocional Catastrophe" com um solo caprichado no início. A levada dessa música me deixa sem palavras. O sincronismo é impecável! Em seguida surge "Down in the Trenches" que poderia ter finalizado o show e assim sairíamos extasiados pelos solos de batera, baixo/batera juntos e depois o solo lento e insano de Edu Ardanuy. Um solo daqueles pra fechar os olhos e viajar. Mas o final fica com o tradicional cover de Creedence com "Have You Ever See the Rain". Um presente para os velhacos! Porém, sem dúvida tinha que rolar bis. Dr. Sin fecha este grande show com "It's Alright", "Dr. Rock" do Motorhead e a clássica, o hino da banda: "Futebol, Mulher e Rock'n Roll"!

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Apesar das poucas, porém significativas, falhas, o evento foi de altíssima qualidade. Perdoados os organizadores pela inexperiência na primeira edição do evento. Aguardamos com ansiedade por maio de 2007, pois o metal catarinense ganhou mais um grande evento no cast anual.

Sexta-feira dia 26

On The Rock Blues Band – Itajaí
Reino Fungi – Joinville
Lenzi Brothers – Balneário Camboriú
Tribuzana – Itajaí
Dazaranha

Sábado dia 27

Demanda – Navegantes
Big Jump – Ituporanga
Dr. Schermak – Itajaí
Skp – Itajaí
Assepsia – Balneário Camboriú
Ahroun – Itajaí
Display – Balneário Camboriú
Orquídea Negra - Lages
Syndrome – Itajaí
Perpetual Dreams – Blumenau
Christmess – Itajaí
Before Eden – Blumenau
Steel Warrior – Itajaí
Dr. Sin

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Domingo dia 28

D. Toy – Itajaí
Mary Jam – Joinville
Supersônica – Itajaí
Bendrix – Itajaí
Rota 88 – Itajaí
Latitude Zero – Itajaí
Araya Band – Balneário Camboriú
Dezideratha – Itajaí
Nação Zumbi

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