Gothic & Thrash: Scars, Atrocity, Leaves' Eyes e Destruction
Resenha - Atrocity, Leaves' Eyes e Destruction (Via Funchal, São Paulo, 21/04/2006)
Por Alexandre Cardoso (www.allfotos.fot.br)
Postado em 03 de maio de 2006
Há quem repudie a idéia de misturar bandas de estilos distintos para tocarem no mesmo dia, excetuando-se os grandes festivais. Talvez pelo fato de que os fãs dessas bandas possam se estranhar e sairem no tapa, ou ainda, tais fãs podem desrespeitar aquelas bandas que não queiram prestigiar. No entanto, esse tipo de evento tem se tornado mais constante, já que torna possível a presença de bandas que poderiam não vir em outro momento e financeiramente, são shows mais viáveis para os produtores locais. No fim, quem ganha com isso são os fãs, pois assistem uma boa quantidade de shows a um bom preço (R$70,00).
O público presente na Via Funchal era diversificado: os fãs de gothic metal, com aquele visual mais produzido (chamavam a atenção um cara de "dreadlocks" vermelhos e uma garota no melhor estilo "Mulher-Gato"), estavam lá pelo Atrocity e pelo Leaves’ Eyes, enquanto que os fãs de thrash metal, a grande maioria presente (trajando calças jeans apertadas, coletes e tênis All-star de cano longo, num figurino totalmente oitentista), estavam lá para ver o Scars e o Destruction.
Às 20 horas, o Scars abriu a noite em grande estilo, com seu thrash metal vigoroso. Com um vocalista alucinado, o excelente quinteto paulista tocou por apenas 40 minutos, mas soube aproveitar muito bem esse tempo. Com um repertório focado no EP "The Nether Hell", que é sucesso de crítica e público e já está na sua terceira prensagem, o Scars maltratou o pescoço dos presentes com porradas como "Creatures That Come Alive At Night" , "Legions (Forgotten By The Gods)" e "The Nether Hell". A ótima receptividade do público não surpreendeu, já que o Scars faz um som pesado, agressivo e veloz, que agradou em cheio aqueles que estavam ávidos pelo Destruction.
A produção de palco dos caras, que conta com um belo pano de fundo e um jogo de luzes de muito bom gosto, mostra que estamos diante de uma banda realmente profissional. O destaque é, sem dúvida, o vocalista Régis F., que tem uma baita voz e uma grande presença de palco - o cara corria de um lado pro outro sem parar! E ele não cansou de elogiar o público e agradecer a presença de todos, transparecendo toda a emoção de estar ali. E com certeza o Scars conquistou novos fãs depois desse show e mostrou que tem tudo para bater de frente com as bandas internacionais.
Em turnê de divulgação do novo álbum "Atlantis", o Atrocity subiu ao palco pouco depois das 21 horas demonstrando muita empolgação, principalmente por parte de seu vocalista, o gigante cabeludo Alexander Krull. O gothic metal feito pelos alemães serviu como contraponto ao show mais agressivo do Scars, mas não significa que foi um show menos empolgante. Músicas como "The Reich of Phenomena", "Enigma" e "Cold Black Days" agradaram os presentes, que cantavam e pulavam bastante. Com exceção daqueles que gritavam "Destruction, Destruction" sempre que podiam, o público recebeu o Atrocity muito bem, e ia à loucura com as participações de Liv Kristine (vocalista do Leaves’ Eyes) nos backing vocals de algumas músicas.
Diferente de muitas bandas de gothic metal, a banda mostrou-se, além de técnica, muito simpática: o vocalista Alexander tem grande carisma e presença de palco, balançando constantemente sua longa cabeleira; o guitarrista Thorsten Bauer e o baixista Christian Lukhaup distribuíam muitos sorrisos à platéia, e fizeram muito sucesso com o público feminino depois do show...
Mesmo com um set curto, a banda soube escolher bem as músicas e encerrou sua apresentação com um inusitado – e ótimo - cover de "Shout", do "Tears For Fears". Muito aplaudidos, o Atrocity saiu do palco satisfeito e Alex Krull não se cansava de agradecer, beijando a bandeira brasileira que foi jogada no palco.
Depois de um longo intervalo, subiu ao palco o Leaves’ Eyes e os desavisados estranharam, pois os músicos da banda quem tem Liv Kristine nos vocais são os mesmo do Atrocity. E, para quem também não sabe, ela é esposa do vocalista Alexander Krull.
Deixando as coincidências de lado, a ex-vocalista do Theatre of Tragedy já entrou no palco com jogo ganho: sua presença arrancou os gritos mais histéricos das menininhas da grade. Mas ainda bem que ela fez muito mais do que isso: o gothic metal feito pelo Leaves’ Eyes é forte e empolgante ao vivo. "Norwegian Lovesong" e "Solemn Sea" são grandes músicas e foram cantadas em uníssono, mostrando a ótima aceitação que essa banda relativamente nova tem com o público.
Apoiada por grandes músicos (e com a participação de Alexander em algumas músicas), Liv Kristine mostrou que vai fazer falta à sua ex-banda, pois além de seu incrível carisma, a voz da mulher é linda: ela passa das partes mais suaves para as líricas com muita facilidade, mostrando muita técnica. É bom de se ver – e ouvir – que, mesmo com uma bela vocalista, a banda não deixa a música em segundo plano. Em pouco mais de uma hora, o Leaves’ Eyes fez um belo show e saiu do palco ovacionado pela platéia.
Logo após o fim do show do Leaves’ Eyes, o público, que estava espalhado pela Via Funchal, começou a se aproximar do palco, mostrando que realmente o Destruction era a banda que a maioria queria assistir.
A banda tocou no Brasil em Outubro do ano passado, no festival Live’n’Louder, substituindo o Testament na última hora. Naquele momento o Destruction fez um show curto, que acabou deixando os fãs ansiosos por um show dos alemães como "headliners".
Divulgando o último álbum "Inventor of Evil", o Destruction fez um show pra nenhum fã de thrash metal botar defeito. Schmier (baixo/voz), Mike (guitarra) e Marc (bateria) preenchem todas as lacunas sonoras de suas músicas, e não deixaram ninguém na pista parado ou com o pescoço intacto. Em quase duas horas de show, o power trio comandou o massacre na pista da Via Funchal, que se acabou nas rodinhas ao som de "Metal Discharge", "Thrash Till Death", "Nailed To The Cross", "Bestial Invasion" e "Curse The Gods", isso só pra citar algumas. Foi uma grande performance desses veteranos que são ícones do Thrash Metal e ainda influenciam muita gente por aí.
Com alguns hematomas, dores cervicais e surdez temporária, os fãs voltam mais do que satisfeitos para suas casas. Infelizmente, o público não foi dos maiores devido ao feriado de Tiradentes, mas quem foi, presenciou uma grande noite da música pesada.
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