Resenha - Black Vomit Festival (UFMG, Belo Horizonte, 26/11/2005)

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Por Alexandre Oliveira
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Celebrando o encontro de bandas de Death, Black e Thrash Metal, e até de um representante do Stoner Rock, a primeira edição do Black Vomit Festival ficou marcada pela reunião de bandas que há muito tempo não tocavam em Belo Horizonte, várias delas apresentando nova formação ou lançando novos materiais.

Pontualmente às 19h, com a casa ainda vazia, o Nervus subiu ao palco para executar um Stoner Rock absolutamente empolgante e à vontade. Desde o começo, o baixista / vocalista Giuliano (Chakal) já se destacava com sua presença de palco, mostrando não se importar com o pouco público, que aos poucos ia se aproximando. Muito influenciada por Motörhead, a banda soube agradar em cheio, executando músicas como “Stoned Hearted Woman” e “Brujeria”, essa última cantada em espanhol, com bons solos do guitarrista Felipe, e viradas simples porém eficientes do baterista Ricardo. Alguns covers bem escolhidos animaram o público, como “Orgasmatron” (Motörhead), “I Wanna Be Your Dog”, do The Stooges (conjunto do ícone punk Iggy Pop) e “Into The Void” (Black Sabbath), com direito a Giuliano “atirando” com seu baixo, posicionado como uma arma de fogo durante a música. O Nervus conquistou o respeito do público, num festival marcado por bandas mais extremas no som, mas que compartilham uma ideologia semelhante.

Após vários meses em “hibernação”, reestruturando a formação, o Ruffian voltou apresentando novidades: com a saída de Daniel (bateria) e Ronan (guitarra), o agora trio encontrou no baterista Welbert, irmão do baixista / vocalista Wilkison, uma opção certa para dar continuidade ao trabalho, completado pelo remanescente guitarrista / vocalista Vinícius. Apesar da novidade estrutural, o repertório ficou dentro do que o público já conhecia: além das quatro músicas de seu CD-Demo “War Feelings” (2004), foram executadas duas outras, “Oblivion” e “Disgust”, que já vinham incorporando os shows da banda, com destaque para os ótimos riffs e vocais de Oblivion. Mesclando a forte pegada do Thrash com a técnica lapidada da vertente mais hábil do Death Metal, em uma sonoridade próxima a bandas como Death, Atheist e Sadus, o Ruffian mostrou que, mesmo com as baixas na formação, segue em boa forma.

Banda mais nova a tocar no festival, o Wardeath veio timidamente de Vitória / ES para mostrar seu Thrash Metal ‘old school’, legitimamente “tosco”. Com apenas uma demo-ensaio no currículo, e três anos de história, a banda já iniciou o show mostrando muita presença de palco, com o público fazendo ‘stage dive’ e o ‘mosh’ rolando solto logo atrás. Incrível como o casamento entre banda e os presentes aconteceu desde a primeira música. Uriel (baixo/vocal), Diogo (guitarra) e Guilherme (bateria) mostraram um verdadeiro resgate ao Metal oitentista cantado em português. A utilização de covers como “The Exorcist” (Possessed) e “Tormentor” (Kreator) fez com que a banda angariasse mais pessoas para perto de si, e composições próprias como “Confronto Bestial”, “Altar do Sacrifício” e “Devastação Nuclear” foram igualmente destacáveis. Fizeram o show em que o público mais agitou, consolidando-se como uma grata surpresa do evento.

A continuação veio com o Expulser, de Lavras / MG, voltando a Belo Horizonte após três anos, com um repertório focando principalmente músicas novas, que estarão no álbum “Haeresis”, a ser lançado em 2006. Com 16 anos percorridos pelo underground, a banda era bem esperada pelo público, e mostrou que ainda segue uma linha 'old school' do Death Metal, mas sem tantas mesclas com o Black, o que ocorria em seus primórdios. Da fase antiga, destaque para a faixa-título do LP “The Unholy One” (1992) e para “The Offensor” (do split “Fornications” - 1990). Mostrando-se igualmente competente na fase atual, “Nevermore” e “The Enchanter” exibiram peso e velocidade na medida certa. Com apenas um remanescente da formação original, Weber (guitarra / vocal), o Expulser conta ainda com José Bougleux (guitarra / vocal), Maria Juanna (baixo) e com o competente baterista Kiko, que mostrou muita técnica e precisão. Passados 14 anos, Haeresis promete ser um sucessor digno do aclamado “The Unholy One”.

Diretamente do “Hell de Janeiro” o Apokalyptic Raids veio para lançar seu terceiro CD, “The Third Storm – World War III”. Mesclando músicas dos três álbuns, abriram com a clássica “Evil”, que acompanha a banda desde a Demo de 1999, colocando o público a moshar e a bater cabeça. “Ready To Go (To Hell)” mostrou boa interação entre o guitarrista / vocalista Leon e o público. Antes de seu começo Leon dizia: “Ready to go!”, e o público respondia: “To hell!!!”. Do disco novo, destaque para a certeira “Fallen Beyond Hope”, a hardcore “Manifesto Politicamente Incorreto” (mosh inevitável!) e a faixa de abertura “I'm A Metal Head”, já um clássico. Das mais antigas também “Apokalyptic Raids” (novamente com interação entre Leon e o público) e a derradeira “Angels Of Hell” foram grandes destaques. Como sempre, excelente apresentação da banda.

Há 15 anos na ativa, o Lustful subiu ao palco após mais de dois anos sem se apresentar ao vivo. Na estréia do novo guitarrista Fernando Fernandes, o repertório esteve focado principalmente em músicas novas. Do CD “The Almighty Facets” (1995), apenas “No Sense” e a clássica “Sadomasochism” foram executadas. Das novas, destaque para “The Chosen One” e “Mother Beast”, que deixaram clara a linha 'old school' do Death Metal ainda seguida pela banda, com o baterista Guilherme investindo em “metrancas” e uma linha suja nas guitarras de Fernando e Freddy, e no baixo de Richard. Assim como o nome do festival propôs a fazer, o Lustful homenageou os conterrâneos do Sarcófago, com um cover fantástico para “Nightmare”. O público, enlouquecido, abriu a maior roda de mosh vista no evento, e cantou o refrão junto ao vocalista Rodrigo. O Lustful segue firme como um dos melhores representantes do Death Metal mineiro, mesmo se apresentando tão pouco ao vivo.

Finalizando a apresentação, no exato horário marcado, o reformulado Agaurez, que passou por mudanças no nome (antes grafado “Agaures”), logotipo, formação (saíram quatro integrantes que tocaram no último show) e também na sonoridade. Desde o começo, ficou claro que os remanescentes Volker (teclados) e Auad (bateria) encontraram uma formação apta não apenas a manter, como a aumentar a brutalidade da banda, com os novos integrantes Gosaric (guitarra) e Cenobite (vocais). Sem um baixista, e com apenas um guitarrista, o som esteve áspero e tétrico por todo o tempo. Do álbum “Unvirtue Vitae” (2002), “Voluptuous Chaos Realm” e a clássica “Obscure Shades” mostraram novas versões tão competentes quanto as originais. “Coagulation Complex” e “Through Morphine And Conscious Labyrinth”, novas composições exibiram brutalidade do começo ao fim, com os teclados participando de fundo, em linhas soturnas, completando os gélidos riffs de guitarra, por sua vez muito bem acompanhados pela extrema bateria. Uma ótima apresentação.

O festival, que contou com sete bandas competentes, foi finalizado com um saldo extremamente positivo, agradando em cheio às 300 pessoas que ali estiveram.

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