Children Of Bodom: Sem desculpa para a pouca quantidade de fãs
Resenha - Children Of Bodom (Scala, Rio de Janeiro, 10/08/2004)
Por Rafael Carnovale
Postado em 10 de agosto de 2004
A segunda passagem dos finlandeses do Children of Bodom pelo Brasil veio em boa hora. Num ano que está sendo bem abastecido por shows, a turnê da banda, divulgando seu mais recente cd "Hate Crew Deathroll", é um fato a ser comemorado, pois desta feita a mesma foi bem mais abrangente que a anterior, que teve menor número de shows e menor divulgação. Esta não. Os shows foram anunciados com boa antecedência e bem divulgados, o que não justifica a pouca quantidade de fãs presentes na quarta-feira do dia 10 de agosto no Scala. Nem o preço podia ser considerado salgado, visto que o ingresso vinha sendo vendido em valor promocional até no dia do evento. Mas infelizmente, nem tal fato colaborou e menos de 900 pessoas compareceram ao Scala (que depois de um hiato de mais de 4 anos voltava a abrigar um show de metal) para conferir o poder de fogo de Alex Laiho e cia.
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Perto das 22:30 (com cerca de 45 minutos de atraso), as luzes se apagam e uma introdução no estilo "Três Patetas" (me corrijam se eu estiver errado, mas foi o que me pareceu) começa a soar na casa, com a banda entrando e emendando de cara "Hate Me!", "Chockenhold (Chocked’n’Loaded)" e "Hatebreeder". A galera agitava alucinadamente e Alex e seus comparsas mostravam um entrosamento magnífico. Os únicos problemas ficavam por conta do som (emboladíssimo e confuso) e pela performance da banda, que parecia apenas estar "suando a camisa" em mais um dia de trabalho.
Uma pausa para Alex se comunicar com a platéia (nada além do tradicional "How the F* are you doing?") e emendar "Silent Night, Bodom Night" e "Bodom After Midnight". Uma curiosidade é que um dia antes Alex havia ficado famoso pelas suas cusparadas no show de São Paulo, e neste ele parecia mais contido, cuspindo para o alto e não em direção a platéia, que alternava momentos de total agitação e momentos de pura observação.
"Sixpinder", "Angels Don’t Kill" e a excelente "Needled 24/7" ajudaram a esquentar o clima no Scala, cuja acústica provou-se totalmente inadequada para um show de metal extremo. Mais algumas intervenções de Alex, inclusive uma animada "luta" entre ele e o tecladista Janne Wirman (aonde ambos realmente pareciam estar se divertindo, com Janne brincando com "Eagleheart" do Stratovarius) e "Deadnight Warrior" é tocada, seguida por "Towards Dead End" e um desnecessário solo de bateria, fraco e inútil.
Novamente cito a falta de entusiasmo por parte da banda. Toda a agitação soava "sem sal" e isso era perceptível a todos. Embora o peso do Bodom seja assustador, vide "Bodom Beach Terror", "Kissing the Shadows" e "Everytime I Die", não havia aquela energia entre público e banda. O show, que teve exatos 75 minutos, foi encerrado com "Downfall". De nada adiantou trazer o novo guitarrista, Roope Latvala, já que a maioria dos solos são feitos por Alex, que realmente é um excelente guitarrista. Roope fica em segundo plano, enquanto Alex coloca-se no centro do palco, sempre com uma cara de mal-encarado, tentando desfazer sua pose de barbie do metal.
Podem pensar que o show foi ruim... mas não foi. Ficou apenas a sensação de que o Bodom estava ali apenas para cumprir uma data... se fosse por isso seria melhor ter ficado em casa. Mas valeu... afinal é mais um show de metal pesado e muito bem tocado, e isso já vale muito.
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