Brasil Rock Stars: Um músico de verdade não se limita a um estilo
Resenha - Brasil Rock Stars (Blen Blen, São Paulo, 08/04/2004)
Por Bruno Sanchez
Postado em 08 de abril de 2004
Todos conhecem o Andreas Kisser – guitarrista do Sepultura e um dos ícones do Thrash Metal nacional. Mas um músico de verdade não se limita a curtir apenas um estilo certo? Baseado nesta afirmação, Andreas montou o projeto Brasil Rock Stars, onde ele se apresenta, ao lado de uma banda de veteranos mais do que competentes, tocando clássicos do Rock dos anos 60 e do comecinho do Heavy nos anos 70. As apresentações começaram em 2001 e já reúniram convidados do calibre de Samuel Rosa (Skank), Nando Reis (Ex-Titãs), Edgard Scandurra (Ira), Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso), Théo Werneck, Lan Lan, o Junior (aquele da Sandy) e George Israel (Kid Abelha).
O que começou mais como uma brincadeira, está tomando ares mais sérios, e a banda já se apresentou até mesmo no Via Funchal (uma grande casa de shows de São Paulo) e no Rio de Janeiro. Este show no Blen-Blen foi o último da temporada. A abertura do evento ficou à cargo da banda cover oficial do Metallica no Brasil, Damage INC., que se destaca pelo profissionalismo absurdo de seus integrantes. O vocalista/guitarrista Alexandre Grunheidt tem a voz parecidíssima com a do James Hetfield e imita até mesmo os cacoetes deste. Sem brincadeira, se você fechar os olhos pensa que é mesmo o Metallica tocando. Na bateria, temos ninguém menos que Fabrício "multibraços" Ravelli, o atual baterista do Harppia. Um cara experiente, dono de um "punch" impressionante e que consegue unir perfeitamente a técnica com a agressividade. Complementando a banda temos, Denis Grunheidt no baixo e Eduardo Boccomino na guitarra.
O som da casa estava muito bom, mas o setlist, infelizmente, teve de ser reduzido pois o show começou atrasado. Mas eles tocaram uma amostra bem variada abrangendo quase toda a carreira do Metallica. Começaram com Blackened, tocaram Master of Puppets (a versão curta), Wherever I May Roam, Harvester of Sorrow, The Four Horsemen, um trecho (em um medley) da Seek and Destroy, No Leaf Clover (uma versão fantástica mesmo sem a orquestra) e Enter Sandman em um outro medley bem legal com Bleeding Me. Se você gosta de Metallica não pode perder o que o Damage INC. faz ao vivo. Uma das melhores bandas covers que eu já vi tocar.
Após uma meia horinha para a troca de equipamentos, sobem no palco os "titulares" do Brasil Rock Stars: Andreas Kisser (guitarra), Paulo Zinner (bateria), Sílvio Alemão (baixo), Daniel Latorre (teclados), Vazco Fae (vocais) e Robson Rocco (vocais) e começam a tocar clássicos atrás de clássicos do Rock.
O som e a iluminação do Blen Blen estavam excelentes. Aliás, este é um bar muito legal, espaçoso, confortável e com uma ótima acústica. A banda soube se aproveitar disto tocando clássicos do Deep Purple (tocaram até Burn), Led Zeppelin, Cream, The Kinks, Lenny Kravitz (esse não é tão clássico mas tudo bem), Queen, Jimi Hendrix e, obviamente, Black Sabbath, incluindo o convidado especial Fabrício Ravelli na Paranoid, que detonou mais uma vez na bateria. Falando em convidados, não sei exatamente o que aconteceu mas no "release" estava constando que teríamos a participação especial de André Matos (Shaman) e da Pitty neste show, mas eles acabaram não aparecendo. De qualquer forma não fizeram falta pois os vocalistas Vazco e Robson cantam demais. Aliás, se não tivemos convidados especiais no palco, tivemos mais do que especiais fora dele. Quem estava presente, assistindo a apresentação do Rock Stars, eram os alemães do Destruction (que fariam um show em São Paulo um dia depois), Alex Camargo (do Krisiun) e o Tomatti (da banda do Jô Soares).
Falando na platéia presente, todos estavam muito animados e cantavam em uníssono os clássicos apresentados. A faixa etária do pessoal era bem diversificada. Tínhamos desde a molecada headbanger até um pessoal mais velho na faixa de seus 50 anos, mostrando que o rock quebra todas as barreiras e é acessível à todos.
O fato do show ter sido realizado em um bar, também aumenta a proximidade entre o músico e seus fãs e este é outro ponto que merece ser destacado, pois Andreas foi super simpático e atencioso com todos os presentes, distribuindo autógrafos e tirando fotos sem nunca perder a paciência. Nesta hora eu fico pensando naqueles músicos esnobes de certas bandas, que recusam esse contato e, conseqüentemente acabam afundados na carreira, (alguém lembrou do Guns ´n´ Roses?).
Parabéns ao Andreas Kisser e a toda a banda por este projeto vitorioso, obrigatório para qualquer fã de rock, e que deixou a minha noite de quinta-feira muito mais feliz.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Luis Mariutti se pronuncia sobre pedidos por participação em shows do Angra
Músicos da formação clássica do Guns N' Roses se reúnem com vocalista do Faster Pussycat
Série dos Raimundos expõe crítica pesada de Canisso à reconciliação entre Rodolfo e Digão
O ícone do metal progressivo que considera o Offspring uma piada
Se os celulares existissem nos anos 80, o Metallica não teria lançado o "Master of Puppets"
Black Sabbath "atrapalhou" gravação de um dos maiores clássicos da história do rock
Por que Aquiles Priester não quis opinar nas músicas do show do Angra, segundo o próprio
A música tocante do Dream Theater inspirada por drama familiar vivido por James LaBrie
Angra anuncia fim do hiato e turnê em celebração ao disco "Holy Land"
Rodolfo teria recusado fortuna para se reunir com os Raimundos
Alissa White-Gluz conta por que decidiu montar sua própria banda; "A vida é curta"
O álbum que melhor sintetiza a proposta sonora do AC/DC, segundo Angus Young
Por que o Lollapalooza parece ter "só bandas que você não conhece", segundo o Estadão
A exigente técnica de guitarra que até James Hetfield trapaceia, segundo Gary Holt
Como Beatles foi responsável direto pela criação da tomografia computadorizada
A música do Avenged Sevenfold que M. Shadows mostraria para alguém que não conhece a banda
Rob Halford: 11 coisas que você não sabia sobre ele


Obituary - uma noite dedicada ao Death Metal sem rodeios
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
My Chemical Romance performa um dos shows mais aguardados por seus fãs
Avenged Sevenfold reafirma em São Paulo porquê é a banda preferida entre os fãs
III Festival Metal Beer, no Chile, contou com Destruction e Death To All
Deicide e Kataklysm: invocando o próprio Satã no meio da pista



