Resenha - Jethro Tull (Claro Hall, Rio de Janeiro, 19/03/2004)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Rafael Carnovale
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.




Alguns shows não têm como ser ruins. Algumas bandas jamais conseguem fazer más apresentações, devido à alta qualidade de suas músicas e o inegável talento ao vivo de seus componentes. Isto se encaixa como uma luva no caso do Jethro Tull, banda com mais de 30 anos de carreira e incontáveis "hits". Um grupo que já flertou com o progressivo, folk-rock, e até com o heavy metal. Hoje a banda possui apenas dois de seus integrantes originais, o guitarrista Martin Barre e o folclórico vocalista e flautista Ian Anderson, que vieram acompanhado de um time de feras: o tecladista Andrew Giddings (ex- Eric Burdon), o baixista Jonathan Noyoe e o excelente baterista Duane Perry, que contribuíram para que Ian e Martin pudessem despejar mais de 30 anos de carreira em duas horas de show.

Ao chegar no Claro (com sua configuração de teatro, com mesas e pista reduzida), a primeira impressão que tivemos foi de que não teríamos casa cheia, o que foi se desfazendo aos poucos com filas enormes para comprar ingressos (muitos deixaram para comprar suas entradas em cima da hora) e uma fila gigantesca para entrar na casa. Ainda havia muitas pessoas na fila quando às 22h30, pontualmente a banda entra em ação, com uma "Intro" tirada de "Aqualung", incendiando os já presentes. De cara vemos que Ian está inspirado, fazendo sua tradicional pose de pernas cruzadas com a flauta e saltando de um lado para outro, enquanto Martin esquece os cabelos brancos e solta "riffs" inspirados de sua guitarra. "Living in the Past" e "Beggar's Farm" (do primeiro cd "This Was") incendeiam o público. E a fila na entrada continuava... muitos acabaram conseguindo chegar ao final desta música. O Jethro não trouxe nada de especial a nível de produção de palco, apenas um belo jogo de luzes, com bons efeitos. A música era a grande estrela.

Neste momento a banda emenda várias músicas antigas entrecortadas com algumas do novo cd, "Songs for Christmas", de 2003 e ainda inédito por aqui. "Nothing is Easy","With you There to Help Me" e "A Week of Moments" fazem bem seu trabalho, enquanto que músicas novas como "Holly Herald" e "God Rest Ye Merry Gentlemen" são recebidas um tanto quanto friamente pela platéia. Inteligentemente a banda inseriu um belo solo de Martin Barre e "Thick as a Brick" no meio junto com a bela "A New Day Yesterday", o que manteve a atenção dos presentes.

Neste momento cabe fazer um parêntese: muitos fãs pareciam literalmente desconhecer a banda, principalmente os localizados na pista, já que os mais fanáticos optaram por ir para as mesas, aonde poderiam curtir mais a performance de Ian e cia, impecável até o momento. Mas em alguns momentos a frieza por parte do público chegou a ser incômoda, pois afinal ali estavam mais de 30 anos de rock and roll.... mas tudo bem. A banda não liga para isso e continua seu show, com a excelente "Mother Goose" e um belo "medley", que incluiu "From The Wood", "Too Old to Rock and Roll" e "Heavy Horses". Apesar do vocal de Ian estar um tanto quanto fora de forma, o mesmo esbanja carisma e simpatia, e Martin Barre é um mestre nas quatro cordas. O resto da banda prima pela excelência, com destaque para o preciso e talentoso Doane Perry na bateria. Ian também aproveitou para executar uma música de sua carreira solo, a boa "Eurology"

Mas era chegada a hora de incendiar a galera, e "Aqualung" vem para que todos cantem cada verso, cada estrofe. A banda sai do palco e volta com "Wind Up", seguida da mais que conhecida "Locomotive Breath", emendada com "Protect and Survive". O show seria encerrado com uma "jam" ("Cheerio") e Ian agradecendo a cada momento por estar mais uma vez no Brasil, embora seu inglês seja carregadíssimo no sotaque escocês, sendo realmente complicado entender seus discursos, mas tudo isso é compensado ao vê-lo como um garoto, pulando com sua flauta e cantando, mesmo que de forma mais contida.

Um ótimo show, uma banda que apesar do tempo não cansa de surpreender e uma pena que alguns fãs só vão prestar mais atenção neles a partir deste show, mas mesmo assim uma grande noite.

Agradecimentos:
CIE BRASIL / CLARO HALL: Bianca Senna

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Tony IommiTony Iommi
Almoço de domingo com Ian Anderson

0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Jethro Tull"

Metal MedievalMetal Medieval
Confira 10 bandas de temáticas medievais

ELFELF
Ouça Dio cantando "Aqualung" do Jethro Tull

GibsonGibson
As dez melhores composições épicas do rock

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Jethro Tull"

SepulturaSepultura
Andreas conta curiosidades sobre os primórdios da banda

GuitarristasGuitarristas
Time Magazine elege os 10 maiores de todos os tempos

SlipknotSlipknot
Corey Taylor explica porque o mundo pop não suporta o Metal

5000 acessosGlen Benton e Euronymous: a verdade sobre o encontro5000 acessosLars Ulrich: As mulheres da vida do baterista5000 acessosSeparados no nascimento: Phil Lynott e Tiririca5000 acessosSoundgarden: Matt Cameron faz breve comentário sobre Chris Cornell5000 acessosLemmy Kilmister: Enquanto isso, lá embaixo...4583 acessosRock and Roll: as 10 melhores harmonias vocais de todos os tempos

Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

Mais matérias de Rafael Carnovale no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online