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Marduk: Mestres do black metal pela primeira vez ao Brasil

Resenha - Marduk (Led Slay, São Paulo, 04/10/2003)

Por Drustan
Em 04/10/03

Comemorando seus treze anos de existência, a Hellion Records, em parceria com a Tumba Records, trouxe pela primeira vez ao Brasil um dos maiores representantes do Black Metal mundial, os suecos do MARDUK, em sua turnê de divulgação do CD "World Funeral", tendo como palco a Led Slay, e como bandas de abertura o OCULTAN e o PROPHETIC AGE.

Inicialmente, após uma pequena desorganização na entrada e depois de uma longa espera na fila até que fosse liberado o ingresso do público ao recinto, teve início, por volta das 21:30, a apresentação da banda PROPHETIC AGE, que com uma boa equalização de som, executou com precisão seu Black Metal agressivo e ao mesmo tempo dotado de muita técnica, tocando músicas de seu primeiro álbum e algumas inéditas, que farão parte do próximo CD ("Forged In The Blackest Of Metals", a sair pela própria Hellion), chegando a lembrar um pouco os primeiros trabalhos do ROTTING CHRIST, apesar de não executarem, como de costume, o cover de "Archon".

Terminada a boa apresentação do PROPHETIC AGE sem muita demora sobe ao palco o OCULTAN, trajando visual bastante carregado, com direito a Corpse Paint e profusões de Spikes, e uma postura de palco como deve ser a de uma banda de Black que se preze, dando início a um set mesclando sons de todos seus trabalhos, apesar de uma certa ênfase no ótimo "Lords Of Evil".

O OCULTAN consegue fazer de seu Black Metal ríspido e veloz algo ainda mais infernal ao vivo, como pode ser inclusive conferido no recém-lançado "Infernal Live". Fizeram uma apresentação magistral, onde não podemos deixar de destacar os vocais diabólicos de Males Maleficarum, principalmente na execução da música "Sete Caixões", além da perfomance da guitarrista Lady Of Blood, que além de agitar muito, ainda incentivava o público a gritar pelo nome da banda - por sinal, visto a aclamação geral, fica latente que o grupo conseguiu obter um grande respeito na cena, fato mais que merecido.

Com este show, o OCULTAN mostrou que vêm evoluindo cada vez mais, se preocupando unicamente com o profissionalismo e com suas ideologias (abrangendo a Quimbanda como temática), e que definitivamente, todas as tretas e polêmicas envolvendo o nome da banda fazem parte do passado.

Depois deste massacre, nada melhor que uma pausa (bem longa aliás, pois foi de cerca de uma hora) para que o público pudesse beber algo, de preferência uma cerveja bem gelada, pois o calor dentro da Led Slay era literalmente infernal, visto haver cerca de duas mil pessoas no local.

Saciada a sede, faz-se uma grande aglomeração defronte o palco, com o pessoal totalmente eufórico, gritando alucinadamente pelo MARDUK, que aparece exatamente à meia-noite, adentrando ao palco sob uma obscura introdução, emendada por um verdadeiro holocausto sonoro sem misericórdia, abrindo com a veloz "With Satan And Victorious Weabons", do recém-lançado CD "World Funeral".

No começo, o som da bateria estava meio alto, encobrindo a guitarra e principalmente os vocais, mas em pouco tempo o problema foi solucionado, e a pancadaria prosseguiu com "Azrael" e "Wolves", do clássico "Thouse Of The Unlight", e como a esta altura os problemas técnicos já haviam sido resolvidos, podia-se ouvir claramente as guitarras cortantes de Morgan, que sabe como poucos criar riffs fabulosos, unindo velocidade e melodia.

Surpresa foi constatar que o baixista B.War toca seu instrumento sem uso de palhetas, atingindo somente com o dedo uma velocidade extrema, tal como na música "Baptism By Fire", onde também foi possível constatar que o novo baterista Emil Dragutinovic não fica devendo nada ao seu antecessor, Fredrik Andersson.

O vocalista Legion manteve o público durante todo o tempo em suas mãos, provando ser um dos grandes frontman dentro do Black Metal na atualidade, principalmente pela sua presença de palco, se compotando como um verdadeiro demônio, inclusive satirizando Cristo na execução de "Slay The Nazarene".

É verdade que alguns comentaram que ele parecia "muito alegre" em alguns momentos, talvez por estar empolgado com a receptividade dos bangers brasileiros, e isto não soa bem para um show de uma banda Black, mas isto é somente um detalhe observado pela ala radical...

Não faltaram clássicos como "Jesus Christ Sodomized", "The Black", "Materialized In Stone" e a seqüência final matadora com "Still Fucking Dead" e "Panzer Division Marduk", fechando o set com pouco mais de uma hora de duração, que apesar de curto, com certeza ficará eternamente na memória de todos que estavam presentes.

Por fim, gostaria de dizer para todos aqueles que se dizem cultuadores de Black Metal e não compareceram que se arrependam pelo resto de suas vidas, pois vocês não sabem o que perderam!

Set List Marduk:
With Satan and Victorious Weapon
Azrael
Wolves
World Funeral
Obedience
Baptism by Fire
Materialized in Stone
Jesus Christ Sodomized
Bleached Bones
Slay the Nazarene
The Black
Still Fucking Dead
Panzer Division Marduk

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