Resenha - Mr. Powerfull (Teatro Marajoara, Lajes, 09/04/2005)
Por Clóvis Eduardo
Postado em 09 de abril de 2005
Sim, foi em um teatro. E para falar bem a verdade, era praticamente impossível reclamar de um local tão eficaz para som e imagem, pontos que a banda Mr. Powerfull tem gosto de levar a sério. Uma festa preparada especialmente para o lançamento do segundo CD da banda da cidade de Lages (SC), foi programada para o dia 10. Começa a Metal Thunder Tour 2005/2006. Abram-se as cortinas, o espetáculo vai começar!
Nas mãos dos expectadores não havia pipoca, mas talvez, máquinas fotográficas, ou o novo CD em questão. As poltronas de um dos mais antigos teatros do estado são convidativas devido ao conforto, mas pela suntuosa apresentação dos "atores", ao interpretarem canções de extremo bom gosto e estilo, o caminho certo é colar no palco. Fato talvez inédito em apresentações teatrais, mas que ressaltam que a cultura do metal é uma paixão fervorosa. O seleto grupo que preferiu os bancos foi divertir-se com mais tranqüilidade.
Planejado como divulgação do novo CD, o show apresentou uma estrutura de palco muito interessante e profissional com luzes de várias formas, cores e tons diferentes entre cada música. O som era bom e limpo, ajudado pela acústica do local. É fato observar em qualquer apresentação da Mr. Powerfull uma consideração especial com os detalhes.
E ao abrir das cortinas, soa a introdução do CD Metal Thunder. O ronco do motor de um Dodge V8 também é considerado música para muitos, mas era melhor aguardar por "Lost Souls Are Praying", música de abertura. A iluminação era fantástica, com duas fileiras de luzes amarelas ao lado do pano de fundo símbolo da banda. Só faltavam fogos de artifício!
Como o frontman da turma, o vocalista André Graebin (Boca) não passa despercebido pelo público, por ser dono de carisma e uma voz incrível. Semelhanças como aparência e tons agudos à Rob Halford são meramente detalhes. O Judas Priest é uma das maiores influências do quinteto, e o vocalista (que já é experiente nos palcos, por ter participado de uma das mais antigas bandas de Santa Catarina, a Orquídea Negra), destaca-se em postura e estilo no palco.
Em seqüência para por fogo na casa, "Big V8" demonstra uma das maiores características do grupo. Uma forte pegada em momentos rápidos e capacidade de equilíbrio entre os integrantes. Com cadência nos riffs, a dupla Fabrício e Marcelo dão aula de tradicionalismo na guitarra. Nas baquetas, Eduardo Barp é seguro e ativo nos bumbos, dando pauladas subseqüentes e enlouquecendo a galera que cobria a frente do palco, as cadeiras e o corredor do teatro.
O primeiro CD da banda, "Sound of Destiny", lançado em 2002, também foi referido no set, com a música título e "The Battle". São canções dinâmicas e muito boas ao vivo. O chão do Marajoara tremia com os pulos ritmados e acompanhados ao som grave do baixo de Alessandro Mayans. Para agradar quem gosta de covers, "Chainbreaker" do Primal Fear pegou de surpresa, e teve uma receptividade muito grande.
Boca agradecia constantemente ao público que compareceu ao evento. O set continua com "Empty Night" e "Party Time". O próprio vocalista era só alegria no palco, devido ao entusiasmo de uma fã. Outra música muito comemorada foi "Deadly Game", presente no novo CD. Uma canção completa e cheia de energia. O sistema de luz era chocante, com tons de vermelho, verde e prateado.
Um outro cover balançou até os mais tímidos. "Back in Black" do AC/DC, conhece? Foi tudo posto de cabeça para baixo e até os mais conservadores a pular e gritar. Os solos ficaram explêndidos. Na seqüência a música título do CD recém lançado. Um refrão cativante impulsiona a galera a agitar cada vez mais. A grade em frente a uma escadaria em frente ao palco já estava uma confusão só.
Para fechar a noite, um cover também inusitado de "Brave New World" do Iron Maiden. Foi outro momento empolgante de muito agito e tremedeira no chão, que precedia a música "Evil Eyes", outra ótima música de Metal Thunder. Mas ainda faltava alguma coisa.
A história da Mr. Powerfull pode ser confundida. Os dois CDs já lançados remetem ao metal tradicional, mas é impecável o som feito ao assegurar a lembrança dos ídolos. E como não poderia deixar de ser a tradição, "Painkiller" do Judas Priest foi a consolidação de uma ótima noite. Marcelo e Fabrício foram impecáveis nos solos e Boca deslanchou de vez nos agudos. O encerramento não poderia ser em melhor estilo, para uma banda que perpetua como um dos destaques da cena de Santa Catarina.
Em sinal de amizade e respeito aos fãs, a banda dirige-se para o hall de entrada do teatro para autógrafos, fotos e animadas conversas. A ótima fase do grupo lageano irá certamente permanecer, já que o capricho com o material apresentado pôde propiciar um show legal e bem feito. E o que temos a dizer em uma grande construção já secular é apenas: Bravo, bravíssimo.
Agradecimentos:
Alexandre Woritovivz
Juliano Jacobsen e Mr. Powerfull
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