Grave Digger: Show para pouco mais de 400 fãs na cidade de Santos
Resenha - Grave Digger (Clube Atlético, Santos, 05/10/2003)
Por Fernando De Santis
Postado em 05 de outubro de 2003
Já fazia um bom tempo que uma banda internacional de Heavy Metal não pisava na cidade de Santos. Uma cidade que trouxera em outras ocasiões Deep Purple, Gamma Ray, Saxon, King Diamond, entre outros, já sentia falta de um bom show nesse estilo.
Embora a vontade de ver um concerto desse tipo fosse grande, pouco mais de 400 fãs estiveram presentes ao clube Atlético Santista para prestigiar o Grave Digger. O evento que estava programado para ter os portões abertos às 18 horas acabou tendo um atraso de duas horas. Com o público comportado do lado de fora a entrada foi tranqüila e organizada. O salão do clube era muito grande, o que gerou uma impressão maior de casa vazia... mas tudo isso foi superado com a empolgação do público, que embora pequeno, agitava muito.
A primeira banda a subir no palco foi o Sagitta, que faz um Heavy Metal melódico bem semelhante ao do Stratovarius. A banda quebrou o gelo com algumas músicas bem feitas, que agradaram a maioria. Fizeram o cover do clássico "Rainbow in the Dark" do Dio e no final do show de pouco mais de 30 minutos, tiveram "problemas" com o som que foi desligado de forma precoce. Sem demorar muito, a já conhecida banda "Dragonheart" subiu ao palco para fazer um show impecável, porém também curto. Com o público já devidamente aquecido, os músicos conseguiram cativar os fãs santistas. A apresentação foi encerrada com o cover de "Into The Storm" da banda alemã Blind Guardian. Ficou no ar aquela vontade de ver uma apresentação maior do Dragonheart no litoral.
Às 22 horas o público já se apertava próximo ao palco, esperando a entrada da principal atração da noite: Grave Digger. Dez minutos depois já tocava a introdução "The Ring", do álbum "Rheingold", enquanto o tecladista desfilava pelo palco, com uma capa e todo maquiado. O show começou com a faixa título do álbum mais recente, "Rheingold". Interessante que embora não seja uma banda tão popular, a grande maioria dos que estavam presentes no local conhecia as músicas de cor e agitava muito. Chris Boltendahl com um grande carisma andava de um lado para o outro do palco, com uma presença invejável, porém, o que mais impressionava mesmo era o baterista Stefan Arnold, dono de uma grande precisão! Impressionante a forma que ele tocava, fazendo malabarismos com as baquetas quase o show todo. O setlist teve músicas como "The Dark Of Sun", "Son Of Evil", "Lionheart" na seqüência.
A faixa "Valhalla" obteve uma grande aceitação dos fãs e foi cantada por todos – sinal de que o disco novo agradou. Apesar de ser uma tour do álbum "Rheingold", a banda despejava músicas de discos anteriores, como "Maidens Of War" e "Witch Hunter", mas foi em "Excalibur" que a galera soltou a voz e sacudiu (literalmente) o chão do clube. Algo parecido com isso só aconteceu quando Chris anunciou como última música da noite o maior clássico da banda: "Rebellion". Manni Schmidt (g) e Jens Becker (b) cuidaram para manter o peso dessa música que ficou bem semelhante à versão original, já que o público fazia o refrão (em coro) de forma ímpar.
Ao coro de "Digger, Digger..." os integrantes voltaram ao palco para tocar a belíssima "Twilight Of The Gods", do novo álbum. A segunda faixa do bis foi "The Round Table" que dava a impressão de fim show. Mais uma vez a banda saiu e voltou para fechar a apresentação com o hino "The Grave Digger" e com o clássico absoluto "Heavy Metal Breakdown" que foi festejada pelos fãs.
Uma noite em Santos que parecia que seria um fracasso acabou transformando-se em algo memorável. Foi provado que a cidade tem um bom cenário para o Heavy Metal internacional e que tem condições de fazer shows bem organizados. Que venham mais bandas para o litoral paulista!
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