Resenha - Rota do Rock (Pq. da Juventude, Santo André, 29/06/2003)

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Por Leandro Testa
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.













A parceria da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer com a produtora Vânia Cavalera só vem trazendo frutos magníficos, juntando o útil ao agradável, porque além de difundir o cenário nacional (tanto com conjuntos iniciantes como consagrados), a realização tem um intuito beneficente, arrecadar alimentos em prol de entidades de assistência social, dando continuidade ao antigo "Rock na Concha", que nos brindou, entre outros, com um dos expoentes do ABC, o Necromancia.

As edições posteriores, já sob o nome atual, trouxeram ao público andreense os conhecidos Panzer, Monster, Patrulha do Espaço, Nervochaos, Ação Direta, Nitrominds, Fates Prophecy e o Retturn, outro representante da região. Entretanto, imagino que nenhum foi tão brilhante quanto este último, que cerca de 2.000 pessoas puderam presenciar.

No horário marcado, a passagem de som do Dr.Sin ainda dava trabalho e por isso o Sagitta apenas entrou às 14:45 para apresentar todo o conteúdo da sua recém-lançada demo. A tendência melódica já foi explicitada logo na introdução, que se mostrou um tanto simples, daquelas orquestrações eletrônicas "mal timbradas" (faltou capricho), dando lugar à típica explosão para o estilo, com a rápida “Take On”, e depois, na exata seqüência em que foram gravadas, “Bad Signs”, com boas partes cadenciadas as quais desembocam na velocidade característica, modo como também começa “Angel Guide” que vai alternando andamentos até, por fim, transformar-se em uma linha épica e, para acalmar, a balada “With or Without You”, que fica até mais atraente ao dar umas guinadas.

Sinto que pelo andar da carruagem, o quinteto felizmente tende a lapidar o clichê mostrado, pois, das inéditas, “Forgotten Fantasies” é certamente sua melhor composição e a outra agrada pelo início progressivo, mas decepciona depois pela prevalência de “idéias” já bastante exploradas.

Mesmo assim, a galera que outrora os tinha aplaudido, - provavelmente a mesma que ficou implorando sem parar um cover do Helloween - saudou também o vocalista Rick Wychovaniec, que brincou, dizendo que os alemães não lhe eram familiares. Então chegava o momento ‘Ai meu Deus!‘... Chamaram o webmaster Ericc Antunes para completar a dupla das seis cordas e mandaram a mais batida de todas, “Eagle Fly Free”, um delírio para os (novos) fãs.

Creio que quando alguém reclama do Deris nessa aí, não é porque a qualidade cai, mas sim porque essas mesmas pessoas não devem agüentá-la mais! Não bastasse isso, o baixista Alex Neves sequer tentou reproduzir a deixa original de Großkopf, e virou de costas para ninguém ver a alternativa inventada para tapear esse trecho.

Não tomo tal episódio como exemplo, mas diante de uma sucessão de fatores, preciso puxar outro assunto: entendo que talvez fosse mais aconselhável eles terem alcançado uma maturidade extra para depois pensarem em um DVD, como o que foi registrado em 16 de maio. Precipitado ou não, eles optaram assim...

A próxima atração seria o Opera. Mesmo ciente de que a proposta da banda não se limitava ao título com que foram batizados, só depois fui perceber que essa irrisória dica não resumia nada, pois partindo da abertura instigante, dramática e até certo ponto macabra, eles superaram expectativas, com uma performance destruidora. Tinha tudo para ser o melhor show do evento, não fossem alguns problemas, como a saída do tecladista, que os desestruturou e obrigou-os a reduzir o set, tendo o convidado apenas ensaiado no dia anterior.

De qualquer forma, “Son of Hate” veio como um “olá, muito prazer” para o prog metal praticado. Justo no seu ápice, quando o baixista agitador executava um "two-hands", acompanhado pelo guitarrista Fábio Azevedo, aconteceu o inesperado. Uma pane geral (ou falta de energia) fez com que o espetáculo ficasse parado por quase cinqüenta minutos. Esse fato não foi inédito na carreira deles, portanto, já devem estar ficando acostumados com tamanho azar.

Enquanto isso, o jeito foi sortear dezenas de prêmios para aqueles que contribuíram, indo desde singles fornecidos pelos patrocinadores, até um violão e um kit de pratos que podiam ser trocados na loja por outros produtos de valor equivalente. Passada a inércia, retomaram de onde foram interrompidos e emendaram com “Living a Nightmare”, reforçando o envolvente princípio de uma hora atrás.

O negócio “vai bem, obrigado”, e pelo patamar alcançado não era preciso apelar. “Perfect Strangers” (Deep Purple) soou até desnecessária, apesar das interessantes harmônicas que a deixaram "ganchuda".

Prosseguiram com “Dominium” (prestes a virar vídeo-clipe), evidenciado a veia thrash que aos poucos surge em suas criações, na qual Marcello Nunes (isso que é "frontman" - move-se até ficar esbaforido) tornou a urrar, indo do gutural a tons médios e altos (alguns esganiçados, em que ele deve se policiar).

Gritava "aqui têm headbanger!", convocando a todos para tremerem o chão na saideira, “Master of Puppets” (Metallica), que deveu em peso em todos os sentidos, embolou em alguns poucos segundos, mas deixou a melhor das impressões, com aclamações de ponta a ponta. Havia pelo menos um consolo: juraram voltar com tudo completo... TOMARA!!!

O Holy Sagga, também estreando nos palcos da cidade, adentrou após um bonito prólogo, porém o batera Gabriel Lobitsky ainda se ajeitava e, assim, não entrou a tempo em “Breaking Frontiers”, na qual seu instrumento, microfonado erroneamente, parecia distante e ocultava sua firme pegada. Pra variar o mesmo ocorreu com Maurício Queiroz. É, no início sempre tem disso, não importa qual seja a banda.

Seguiram desfilando temas do seu debute, Planetude, com “Searching for the Sun”, “Fight for Survival”. Me pergunto se esse de fato é o mesmo grupo que há quatro anos participou do embrião do Brasil Metal Union, e não passavam de um mero clone de Stratovarius, tendo como destaque um único ex-integrante. A evolução é surpreendente!

Apesar do gostinho ao falarem que tiram músicas do Manowar, não foi desta vez, já que a escolhida foi uma excelente versão para “A Little Time” (de quem?), que ganhou uma potência adicional em seu meio. Diante dos atrasos, o espaço deles também foi bastante prejudicado, e assim tiveram que excluir “Fly Away” e “N.O.V.A.” do repertório, pulando direto para a esperada “Dagger of Words” (William Shakespeare’s Hamlet), simplesmente perfeita.

Um pequeno detalhe a ser considerado são os agudos do cantor, pois seu timbre não é propício a eles e até hoje não escutei um só ao vivo que me agradasse. Basta abandoná-los que os eixos se encaixam. Fecharam com a tradicional “The Evil That Men Do” (Maiden), tão legal quanto da última oportunidade em que os vi, abrindo para o Shaman em São Caetano do Sul. Parabéns “ao quadrado” ou “ao cubo”! Show curto por motivo de força maior, mas deram seu recado.

O Dr.Sin, atração daquele domingo, mesmo com os devidos cuidados tomados, teve contratempos com a equalização já em “Karma”, que a exemplo do álbum Alive, recebeu um excelente acréscimo de "bordas" agressivas. Detonaram a emocional “Sometimes” e “Time After Time”, esta que nem serviu para traçar um comparativo com a fase Mike Vescera (do disco II) já que Andria não estava audível a contento.

Como o panorama persistia, tentei alertar a mesa na esperança de poder usufruir o restante da noite. Não obstante, Ivan Busic, claro o suficiente em seus backings, castigava as peles seguindo o esquema “Trust” (Megadeth) em “Fly Away”. Para a alegria da nação o hino “Emotional Catastrophe” era anunciado.

Foi até covardia terem tocado “Down in the Trenches” logo na seqüência e, mais covardia ainda, ela inteira, numa longa e diferente viagem com direito a um ótimo solo de Rodrigo Simão (teclados, com uma postura a la Derek Sherinian, ex-Dream Theater), uma maravilhosa investida jazzística da parte de Andria e harmônicas do professor Edu Ardanuy, só ratificando a técnica invejável destes ilustres profissionais.

Aleluia!!! Até que enfim os volumes foram acertados durante “Revolution”, cujo refrão vergonhosamente não foi repetido pela platéia na paralisação intencional. “Isolated”, uma das mais populares, agradou igualmente. A festa foi intensificada com a sacana “Futebol, Mulher e Rock ‘n Roll”, com a incitação proposital da testosterona masculina.

No bis, arremataram com a mais pedida, a empolgante “Fire”. Ficou para trás a impressão de que se não fosse por todos os empecilhos, teríamos mais um ou dois atos, a sossegada “Eternity” e a imprescindível “No Rules”, sumariamente eliminadas.

Há rumores de que os organizadores ainda misteriosos de um mega-festival em SP (na casa Credicard Hall), não se esqueceram do power trio ao formarem o cast de estrelas, em vias de confirmação. Se tal empreendimento vingar, anote na sua agenda, pois será no mínimo imperdível.

Quanto ao futuro do Rota do Rock, são prometidas surpresas para o iminente aniversário deste projeto, que vem crescendo, - não financeiramente, pois é de graça, mas pelo lado humano - e exigindo um mínimo da população: o comparecimento.

Sites Oficiais:
http://www.sagittametal.com
http://www.bandaopera.com.br
http://www.saggaonline.com
http://www.childofsin.hpg.com.br

Agradecimentos:
Ao folclórico apresentador Dr.Rock, que comanda um programa televisivo local; à Srta.Tuka (Rota do Rock); a todos os envolvidos que diretamente ajudaram os carentes.

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