Dr Sin: Oito anos de espera findados com show em Belo Horizonte
Resenha - Dr Sin (Lapa Multishow, Belo Horizonte, 24/03/2001)
Por Thiago Sarkis
Postado em 24 de março de 2001
Aqueles que conhecem a história de eventos marcados e cancelados com o Dr. Sin, na capital mineira, com certeza ficou com um pé atrás até a hora em que banda pisou no palco. Porém, os oito anos de espera, pelos quais os fãs belo horizontinos do Dr. Sin tiveram que passar, foram findados no dia 24 de Março de 2001, no Lapa Multshow.
Bom, quem aguardou oito anos, pode agüentar mais alguns minutos ou horas, certo? É, estaria certo se a banda de abertura não fosse o Scarceus. A apresentação do grupo pode ser definida como algo entre o desnecessário e o impróprio. As músicas próprias do grupo não empolgaram e quase todas as covers foram muito mal escolhidas.
Entre elas, a saturada e totalmente fora do contexto da noite, "All Around The World", do Red Hot Chili Peppers. Pior que essa escolha, só a terrível idéia de incluir "Maracatu Atômico", de Chico Science & Nação Zumbi, no set list. E entre esses devaneios absurdos, algo de bom surgiu, quando a banda tocou "Come Together" dos Beatles, em uma versão mais pesada.
O Scarceus saiu de cena e deixou espaço para o Concreto, convidado especial, que faria os mineiros pagarem seus últimos pecados antes da entrada do Dr. Sin.
A banda mineira, que já havia aberto diversos shows, entre eles o primeiro do Angra em Belo Horizonte, conseguiu empolgar parte do público, provocando uma série de rodas de mosh com músicas de seu primeiro álbum e covers de músicas do Black Sabbath. As músicas inéditas que foram apresentadas e estarão presentes no próximo disco do grupo, não levantaram o público, mas pelo menos fizeram com que o set list do Concreto mudasse, depois de ‘quatrocentos anos’ de hibernação.
O mais difícil já havia sido superado. Dois shows com músicos de qualidade questionável já era o bastante. Na hora que o Dr. Sin entrou no palco, o clima mudou, e as coisas entraram nos eixos. Aliás, foi tudo como tinha que ser. Presentes ali, no palco do Lapa Multshow, comemorando 20 anos da Cogumelo Records, estava o Dr. Sin, como um trio, em sua formação original, sem o novo vocalista Michael Vescera, que teve problemas na agenda e não pôde comparecer. Óbvio que Vescera é uma falta a ser sentida em qualquer banda que integre, porém, para o primeiro show do Dr. Sin em Belo Horizonte, sua ausência foi até saudável, pois deixou os público mineiro acompanhar a banda em sua essência, da maneira como iniciou a carreira e lançou seu debute.
O som não era excelente em todos os cantos da casa, porém, em 95% do local o som chegava realmente estonteante, beirando a perfeição, em um trabalho magnífico feito pelos organizadores, que contrataram profissionais competentes para trabalhar no evento.
Eduardo Ardanuy, Andria Busic e Ivan Busic, definitivamente, ESTRAÇALHARAM. Fizeram um espetáculo maravilhoso, com musicalidade a toda prova e muita simpatia e bom humor. Mostraram uma presença de palco rara e um contato com o público extremamente próximo. Conversaram, riram, fizeram piadas uns com os outros e realmente detonaram em seus devidos instrumentos.
Com um set list variado, contendo músicas de todos os seus álbuns, a banda conseguiu empolgar o público em todos os momentos de sua apresentação. Eduardo Ardanuy se destacou, com uma precisão técnica inacreditável. Reforçou, a cada nota que tocou, as expectativas do público, que o ovacionava ao fim de cada solo.
"Karma", "Isolated", "Futebol, Mulher & Rock ‘n Roll", "No Rules", "Fire", "Emotional Catastrophe", entre outros antigos sucessos do Dr. Sin, tinham suas letras cantadas pela pequena, mas intensa platéia, que seguia fielmente Andria.
Além do esperado foi a forte reação e nítida emoção dos presentes frente às novas músicas, presentes no álbum "Dr. Sin II", "Time After Time" e "Danger" e a balada "Eternity", que também foram cantadas em coro.
Não poderiam faltar as versões de "Holy Man", do Deep Purple, e "Have You Ever Seen The Rain?" do Creendence Clearwater Revival, presentes respectivamente nos álbuns "Brutal" e "Isolated", que também causaram impacto e arrancaram aplausos dos fãs.
Se a primeira impressão é a que fica, então o Dr. Sin pode comemorar e ter certeza de sucesso em Belo Horizonte, para o resto de sua carreira. Com uma apresentação dessas, não há público que não saia satisfeito. Parabéns à banda e à Cogumelo, pelos seus 20 anos de existência e pela iniciativa de trazer para os mineiros uma das melhores bandas da história do metal nacional.
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