Resenha - Patrulha do Espaço (Ferro Velho Bar, Avaré-SP, 14/07/2000)

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Por Marcos A. M. Cruz
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"Dárcio, cadê os caras???" perguntei aflito ao telefone, afinal já passavam das cinco da tarde e nenhuma notícia da banda, ao que ele me respondeu que o Rubinho (dono do bar) havia falado ao telefone com eles, que justificaram o atraso devido ao trânsito em São Paulo mas que já estariam chegando. Com isto me acalmei um pouco, ao mesmo tempo em que combinávamos ir ao bar recepcioná-los, numa demonstração de tietagem explícita...

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Mas essa "tietagem" tinha sua razão de ser... não obstante o "Chronophagia", recém-lançado trabalho da banda, ter sido um verdadeiro alento aos nossos ouvidos por seguir aquela linha típica das bandas de Rock setentista, mesclando Rock'n'roll com pitadas "progressivas", teríamos a oportunidade de conhecer pessoalmente Luiz Domingues (ex-Tigueis), com passagens pelo Língua de Trapo, Pitbulls On Crack e Chave do Sol, e o lendário Rolando Castello Júnior, membro fundador da banda e que esteve presente no legendário primeiro disco do Made In Brazil, além de passagens pelo El Tri no México e de ter sido 1/3 do antológico projeto Aeroblus, ao lado de dois grandes expoentes do Rock Argentino da década de 70, o guitarrista Pappo e o baixista Alejandro Medina. Isto sem contar que Avaré não é propriamente uma cidade no qual este tipo de evento acontece com frequência...

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Após uma espera de cerca de meia hora eis que finalmente chegam, e devido ao atraso após os cumprimentos vão direto ao palco montar os instrumentos e acertar os detalhes, enquanto eu e o Dárcio "tietávamos"... vejo passar Fenders, Marshalls e até um Moog, a coisa prometia... nos intervalos pedí para o Júnior autografar meu exemplar do "Aeroblus", que contou haver um projeto de relançar este material em cd com um monte de faixas bônus... eheheheh...

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Passado algum tempo vou para a casa comer alguma coisa e me preparar para a grande noite... ou seja, trocar a camiseta e o tênis, afinal será um show de Rock'n'roll, não um evento no Rotary Club, certo?

O SHOW

Apesar de estar marcado para as 11 da noite, e de saber que haveria um atraso pois a banda tinha ido para o hotel se recompor da viagem, por volta das dez já estava de volta, afinal iria rever alguns velhos amigos que casaram e "sumiram"... infelizmente nem todos apareceram, com aquela velha desculpa que não dá para ir, a "patroa" vai chiar etc... aliás aproveitando o ensejo pois sei que alguns vão ler este review... VOCÊS SÃO UNS BUNDÕES!!!!!!!

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Fiquei surpreso com a presença (principalmente feminina) do local, não que tenha sido uma coisa do outro mundo, mas como conheço bem a cidade onde moro não esperava muito, apesar da divulgação ter sido bem feita... pensei: "será que estão achando que é o Patrulha do Samba?"... mas logo compreendí que boa parte do público tratava-se de pessoas que frequentam habitualmente o local, quando ouço uma menina perguntando se os caras vão tocar algo do Skank... pelo menos um conhecido meu se aproximou um pouco da coisa ao me perguntar se era verdade que um cara da banda havia tocado com a Rita Lee... começei a falar sobre o Arnaldo Baptista, e quando citei os Mutantes ele retrucou "sim, mas essa não era aquela banda esquisita da Rita?" então concluí que seria perda de tempo e deixei por isso mesmo...

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Meia noite e meia, banda à postos, o show vai começar. Nos acomodamos nas cadeiras enquanto aguardamos... e WOW! Abrem o primeiro set com "Tudo Vai Mudar" do disco novo, emendando com três faixas, "Não Tenha Medo", "Festa Do Rock" e "Arrepiado", respectivamente do quarto, terceiro e primeiro disco do Patrulha, logo após retornando à outra faixa do novo cd, "Ser". Noto uma certa reação de algumas pessoas da platéia, provavelmente devido ao "peso" desta seqüência. Aliás, eu mesmo cheguei a ficar impressionado com a energia da banda... confesso que em muitos momentos do show eu arrepiei e fiquei com os olhos marejados...

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Em seguida Marcelo assume os teclados para a versão do Patrulha de "Sunshine", único cover do novo cd. Em seguida duas faixas do Elo Perdido, "Sexy Sua" e "Raio De Sol". Depois dedicam um tema ao nosso amigo Dárcio, um remake de "Ando Meio Desligado" dos Mutantes em versão bem mais Rock'n'Roll que a original, com direito à uma improvisação onde entrou até "In-A-Gadda-Da-Vida" do Iron Butterfly, finalizando o primeiro set com "Nave Ave" e "Sendo O Tudo E O Nada" do último cd. Aliás, só para constar, a banda improvisa um bocadinho ao vivo (e eu adoro isto...)

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Pausa para um breve intervalo, no qual a banda aproveita para refrescar a garganta, ao mesmo tempo em que autografa CD's, camisetas, guardanapos de papel e tudo o mais... fico sabendo que este pode ser considerado o primeiro show da banda da turnê do novo cd, e que o lançamento "oficial" ainda ocorrerá no dia 29 em São Paulo...

Voltam ao palco para outro set, que se inicia com "Alma Mutante" do novo cd, seguindo de "Ruas Da Cidade" do segundo e "Vamos Curtir Uma Juntos" do terceiro disco do Patrulha. Vejo membros na platéia curtindo realmente o show, tocando guitarras no ar etc, enquanto a banda emenda cinco músicas do novo cd: "O Pote De Pokst", "Eu Nunca Existí", "Retomada", "O Ritual" e "Sr.Barinsky", com direito até a um solo de Moog do Marcelo!

Neste meio tempo uma menina havia se aproximado do palco e perguntado à banda se não poderiam tocar algo do Pink Floyd... explicam gentilmente que são uma banda com repertório próprio etc, mas não é que no outro intervalo entre as músicas ela insiste novamente? Claro que a galera mais exaltada na platéia gritou um monte de impropérios, o mais suave de todos foi "sua anta, isto não é banda cover, porra!", até que resignada a menina voltou ao fundo do bar ou foi embora, sei lá...

Tocam "Depois das 11" do segundo álbum e finalizam com duas músicas do terceiro disco, "Columbia" e "26 Anos", e (infelizmente) encerram a apresentação... mas não há o que reclamar, foram mais de duas horas de show...

Sinceramente, o que falar? Os dois "garotos", o Rodrigo e o Marcelo, são MUITO BONS no que fazem, se alternando nas guitarras, vocais e teclados, sendo que o último para humilhar os músicos presentes (que ficaram embasbacados com a competência técnica da banda) ainda dá umas canjas na flauta transversal... Luiz "Tigueis" Domingues cumpre com extrema competência sua função, ao mesmo tempo em que pude perceber se trata de um elo importantíssimo para a coesão da banda (fazendo uma comparação meio bizarra, é como se ele fosse o John Paul Jones do Led Zeppelin). E o Júnior... well, O CARA BATE MUITO!!!! Na minha opinião este conceito de melhor/pior é meramente subjetivo, mas vou dizer uma coisa, NÃO EXISTE BATERISTA DE ROCK'N'ROLL NO BRASIL COMO ELE!!!

Enquanto os instrumentos eram desmontados (roadie sofre, né Lezão?) já havia me tornado íntimo da banda, tomando cerveja com os caras, conversando sobre Mutantes, Pink Floyd com Syd Barrett, Festival de Iacanga, Rock da Mortalha etc etc... aliás, digno de nota é a simpatia e simplicidade de todos, notadamente do Luiz "Tigueis" Domingues que demonstrou ser um cara consciente de tudo e extremamente articulado. Quanto ao Júnior, é a personificação do Rock'N'Roller, uma grande figura e super gente fina, sem nenhum resquício de frescuras...

FAREWELL

Passavam das seis horas da matina... enquanto saciava a fome num trailer, vejo o ônibus da banda passando, e penso comigo mesmo: "vão com Deus, e obrigado, mas muito obrigado não somente pelo show, mas por ser o que vocês são!"

Fui embora literalmente "batendo o queixo" devido ao frio, pois este negócio de ser metido a motoqueiro rebelde têm seu preço... mas feliz da vida por haver assistido a um grande show, executado por pessoas que realmente amam o que fazem e que carregam nas veias o verdadeiro espírito Rock'N'Roll...

Long Live Patrulha!!!

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Sobre Marcos A. M. Cruz

Fanático por rock setentista.

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