Resenha - Imago Mortis, Venin Noir e Heaven Falls (Ballroom, Rio de Janeiro, 21/11/2004)
Por Fulvio Maia
Postado em 11 de dezembro de 2004
Publicado Originalmente
no site do Programa Mosh
Metal carioca em dose tripla.
Assim foi o dia 21 de Novembro no Ballroom, casa que vem cada vez mais se mostrando uma ótima opção para eventos de metal, embora o bairro ainda seja contra-mão para muitos outros. O público começou a entrar às 21h já sabendo que poderia esperar uma noite repleta de boas músicas e apresentações memoráveis.
Três representantes do heavy metal carioca, Venin Noir, Heavenfalls e Imago Mortis fizeram parte de um belo evento e contribuíram mais uma vez para que organizadores percebam que investir em shows de metal é viável e rentável, ao contrario do que muitos pensam.
Venin noir: A força do metal gótico.
Algumas bandas de gótico e/ou doom geralmente causam uma impressão ruim quando participam de shows com outras bandas que agitam mais a platéia, fazendo esta reagir saltando, abrindo roda ou dando mosh, o que para muita gente se torna sinônimo de um show parado, o que não é regra, sequer representa a verdade.
Isso não acontece com esta banda, tendo em vista a excelência de seus músicos; apesar de vermos uma platéia morna em agito, é nítida a admiração do público ao final de cada música tocada, sinal de que recebem e admiram a performance. Venin Noir é uma daquelas bandas que não deve nada ao que ouvimos no CD de estúdio, a julgar pelo potencial vocal de Larissa, e pelo desempenho de toda a banda.
Neste show além de termos ouvido músicas do cd de estréia "Rainy Days of October" pudemos ouvir "The Wine", que estará no segundo cd a ser lançado ainda este ano "In Peaces on the lunar Soil". Alguns covers foram tocados, até mesmo um inesperado hit do californiano Chris Isaak, "Wicked Game", cantada por Pedro Santos, além do final com "Emphasis".
A banda subiu ao palco com 25 minutos de atraso pois muitos ainda estavam na fila de entrada da casa; e estes continuaram a entrar até o final da apresentação do Venin, não se sabe ao certo se por interesse maior pelas outras bandas, ou se por um evidente engarrafamento que atrasou até alguns músicos na passagem de som, hipótese mais provável.
Talvez não fosse o evento ideal para o Venin Noir, mas a banda não se intimidou e subiu ao palco mostrando que não há barreiras para gêneros, saindo respeitada e admirada por alguns que nem os conheciam ainda. Mais uma vez, uma apresentação impecável.
Heavenfalls: Carisma e som arrasador.
Ainda durante o longo intervalo, devido a um problema técnico no equipamento de palco, o público já gritava "Heavenfalls, Heavenfalls". Neste momento já havia mais de 500 pessoas no Ballroom e não foi preciso mais que duas músicas para acender o público que vibrou com a apresentação do agora quinteto (a banda volta a adotar apenas um guitarrista).
Começaram numa seqüência sem interrupções de três músicas avassaladoras, "At the Gates", "Castles of Ilusion" e "Design of Tomorow", as duas primeiras ainda do cd "Ethereal Dreams" e a última que foi tocada pela primeira vez ao público e estará no próximo cd da banda, previsto para junho de 2004.
Na seqüência, a primeira música a abrir uma roda na noite: "Suffering Symphony". O público não ficou quieto um minuto sequer, gritos eram ouvidos na platéia com pedidos de musicas e ovações aos músicos (o que se repetiu também com o Imago, posteriormente). Sabrina Carrión agitava a platéia a todo momento.
A banda fez um cover de "Perry Mason", muito bem recebido por todos e, por fim, fechou sua apresentação com a música que o público pedia desde o inicio do show "Inner Prision", com direito a lançamento de baquetas, e um totalmente inesperado mosh feito pelo tecladista da banda.
Era o primeiro show em sua nova formação com Carlos Janarelli no Baixo e Zeh Luiz Falhauber no teclado e também o primeiro na cidade desde o lançamento do "Ethereal Dreams".
A banda fez shows em outras cidades e estados antes de realmente focar suas apresentações no Rio. Foi prejudicada em alguns momentos por problemas no som, deixando o teclado por vezes baixo.
O carisma que a banda desperta é incrivel. Não é sempre que se ve uma banda regional fazer uma platéia grande cantar suas musicas e ser tão participativa. A Heavenfalls se despediu após ter feito um show memoravel.
Imago Mortis: Há vida além do disco
Uma pequena parte do público deixava o Ballroom logo após a apresentação da Heavenfalls, o que até certo ponto pareceu estranho, pois o show da noite estava pra começar. Mas lá estava um público fiel e muitos outros que aguardaram por muito tempo a apresentação do Imago Mortis, uma das bandas mais aclamadas do underground carioca.
Era um Imago Mortis diferente do anterior, numa formação nova e com alguns músicos que não foram da formação do genial CD "Vida". E a dúvida de que poderia haver uma perda de qualidade na apresentação foi simplesmente esquecida logo no inicio do show. A banda mostrou que é competente e não deixa nada a dever numa performance ao vivo.
O Imago subiu ao palco já detonando uma de suas melhores composições, "Long River". Alex "dumal" Voorhees agitou o público a todo o momento. Mas custou um pouco para que criasse vida na platéia, o que aconteceu somente após a quarta música, "Three Parchae", quando o público em sua maioria começava a manifestar maior agito. O show esquentou mesmo somente após a sexta musica, "Envy", que vinha logo na seqüência do cover de "Deus lhe Pague" (de Chico Buarque), e daí em diante, o Imago só deixou a platéia respirar no final do show.
Vieram na seqüência "Me and God", "Bring Out Your Dead" e "Terminal Christ". Foram tocadas músicas do Hamlet, do Vida e do Images, e um cover para nenhum banger ficar parado: "Troops of Doom".
Mas após este cover do sepultura, um erro tremendo e possivelmente impensado pela banda e por sua produção: o Imago saia do palco para preparar um bis, mas fecharam a cortina para que o palco fosse preparado para a próxima música que contaria com um baixo acústico. Como em bis não se fecham cortinas e ainda por cima ao termino de todo show daquela casa é costume fechá-las, parte do público não sabendo do retorno da banda, deixou a casa. Muitos só vão saber que perderam o bis com "réquiem" após lerem essa resenha, Infelizmente. O capricho para surpreender o público com um baixo acústico "surpresa" custou parte da platéia. Uma pena.
Mas ainda assim, o Imago mostrou ao que veio e deixou o público satisfeito com sua apresentação. Despediram-se do Ballroom prometendo mais shows e mostrando que o heavy metal no rio de janeiro está mais vivo que nunca!
Parabéns pela apresentação das três bandas e à organização do evento.
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