Rock e Migrações: Associar o estilo a movimentos xenófobos é um contrassenso
Por Paulo Henrique Faria Nunes
Postado em 28 de novembro de 2017
A Lei de Migração entrou em vigor no dia 21 de novembro. Mesmo antes de sua aprovação, muitas vozes se levantaram contra o novo marco regulatório. "O Brasil está abrindo as portas para todo tipo de gente e sem qualquer tipo de controle!", "É uma vergonha! Essa lei é coisa de esquerdopata que quer entregar o país para terroristas!". Essa e outras pérolas foram ditas e insistentemente repetidos a respeito da Lei de Migração. Porém, não há razão para tanto alarde e espanto. Evidentemente, a nova lei tem um viés humanitário, diferentemente do Estatuto do Estrangeiro – concebido durante o regime militar –, que encarava a questão migratório primordialmente sob o viés da segurança nacional. As novas regras harmonizam o sistema jurídico brasileiro à Constituição e a muitos tratados de direitos humanos aos quais o Brasil vem aderindo desde a década de 1990 (Pacto sobre Direitos Civis e Políticos; Pacto sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais; Convenção Americana sobre Direitos Humanos; Convenção para a Redução dos Casos de Apatridia).
Nos anos 1980 e 1990, alguns grupos autointitulados "neonazistas" se manifestavam contra a migração de nordestinos no Sudeste. Mais recentemente, movimentos semelhantes apareceram em diversos países. Africanos, árabes e imigrantes do leste europeu são alvo de preconceito na Europa; no Brasil, bolivianos, haitianos, senegaleses; nos EUA, vislumbra-se um muro contra a investida de pobres latino-americanos. Os neonazistas tupiniquins (vira-latas etnocratas?) se expressavam e manifestavam sua indignação, raiva e violência em shows de rock (punk, heavy metal, trash).
O momento é oportuno para algumas reflexões sobre rock n’ roll e migração. Esse estilo musical e muitos dos seus subgêneros não existiriam sem a cultura africana. Como imaginar o som de Led Zeppelin, The Doors, Janis Joplin ou dos sulistas do ZZ Top sem a influência do blues... som de "preto". E o que seria do gênero musical sem Chuck Berry ou Little Richard? Movimentos migratórios também tiveram uma importância fundamental para outras nuances do rock. Como conceber o trash metal sem os bateristas Lars Ulrich (Metallica) e Dave Lombardo (Slayer), dinamarquês e cubano respectivamente. Sem falar no Sepultura, que saiu do Brasil para o mundo. Robert Trujillo, baixista do Suicidal Tendencies antes de ingressar no Metallica, é de origem mexicana. O México ainda agraciou o universo do rock com nomes como Ritchie Valens, Carlos Santana e Los Lobos. O que dizer do heavy metal progressivo sem o Dream Theater, cujo baixista (John Myung) é filho de coreanos... e o vocalista (James Labrie) é canadense de ascendência francesa. Uma das músicas mais executadas nas apresentações do Anthrax – Antisocial – é de uma banda francesa (Trust), que teve Nicko Brain na bateria... antes de ingressar no Iron Maiden. Sem a migração italiana para a América, não haveria Joey Belladonna nos vocais do Anthrax nem os guitarristas Joe Satriani e Joe Bonamassa. A Holanda legou ao rock os irmãos Van Halen. A Escócia cedeu à Austrália os guitarristas Angus e MalcolmYoung (AC/DC).
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
A lista poderia ser bem maior, mas é suficiente para a conclusão. Associar o Rock a movimentos xenófobos é, no mínimo, um contrassenso.
Paulo Henrique Faria Nunes
Jurista fã de rock. Graduado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), mestre em Geografia (UFG), doutor em Ciências Políticas e Sociais (Université de Liège). Professor e pesquisador na PUC Goiás e na Universidade Salgado de Oliveira. Dentre outras publicações, é autor dos livros "Direito internacional público: introdução crítica" (Juruá, 2015) e "Lei de Migração: novo marco jurídico relativo ao fluxo transnacional de pessoas" (Edição do Autor, 2017).
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda que Jack Black diz que destruiu o rock por ser grande demais
Black Label Society confirma shows no Brasil e apresentação exclusiva do Zakk Sabbath
Angra confirma mais um show da turnê de 30 anos de "Holy Land", agora em Belo Horizonte
A única banda que uma criança precisa ouvir para aprender rock, segundo Dave Grohl
3 músicas lendárias do metal nacional que são um convite à nostalgia
Ferraris, Jaguars e centenas de guitarras: quando astros do rock transformaram obsessões em estilo
Álbum perdido do Slipknot ganha data de lançamento oficial
Joe Lynn Turner conta como foi se livrar da peruca aos 70 anos
Ela é vigária, grava com o Dragonforce e quer o Iron Maiden tocando em sua igreja
Rafael Bittencourt, fundador do Angra, recebe título de Imortal da Academia de Letras do Brasil
O guitarrista "bom demais" para ter hit, segundo Blackmore; "jeito muito especial de tocar"
Luis Mariutti detona quem chama Shamangra de banda cover e explica motivo
Com ex-membros do Evanescence, We Are the Fallen quer retomar atividades
Paul McCartney não entende influenciadores: "Pessoas sem talento que são muito famosas"
Show do Iron Maiden em Curitiba é oficialmente confirmado
Cornos do Rock: a dor e o peso do chifre em três belas canções
AC/DC: a história do nome e a idéia do uniforme de Angus
A opinião de Kerry King do Slayer sobre o estilo do Offspring e do Green Day
Será que é tão difícil assim respeitar o gosto musical alheio?
Megadeth, Pepeu Gomes e a mania do internauta achar que sabe de tudo
O problema não é usar celular em shows, mas sim fiscalizar os outros
Realmente precisamos de um Hall da fama do Rock and Roll?
Falar mal do Dream Theater virou moda - e isso já perdeu a graça há tempos
Iron Maiden: Eddie, um símbolo do rock vilipendiado por idiotas


