Portal Rock Clube: Plágio, homenagem ou simples coincidência?

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Por Francisco Consimo Junior, Fonte: Portal Rock Clube Live
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No mundo da música assim como na publicidade nada se cria, tudo de copia. Será mesmo?

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Qual é o limite entre uma homenagem, uma cópia ou um roubo descarado de uma música ou parte dela?

Esse assunto começou a me interessar quando li que o Led Zeppelin estava (mais uma vez) respondendo um processo de plágio. Desta vez, o Led, como nos fãs o chamamos, teria surripiado uns acordes da música “Taurus”, do grupo Spirit, uma música composta por eles em 1968, e utilizado em “Stairway To Heaven”, clássico dos clássicos da banda, lançado em 1971.

Se vocês não sabem, o Led Zeppelin já respondeu diversos processos por pegar sem autorização letras e músicas de diversos artistas, principalmente artistas americanos de blues desconhecidos do grande público.

Não é nada incomum encontramos diversos vídeos no Youtube ou mesmo artigos no Google demonstrando esses empréstimos da banda.

Para mim, que sou fã dos caras desde que tinha espinhas no rosto e me deliciava assistindo a Sala Especial (os mais velhos sabem muito bem do que estou falando), nada disso abala minha paixão por essa banda e suas músicas.

Porém, devido aos meus princípios cristão-ocidentais, não posso negar que ao saber destas histórias não deixo de questionar se é correto me calar e deixar que minha paixão permaneça inabalável, ou, se, numa espécie de terapia, deveria avaliar melhor isso.

Então, para não crucificar somente o Led Zeppelin, resolvi pesquisar se outros grupos de rock também estariam tomando emprestadas músicas dos outros.

E descobri coisas interessantes, como por exemplo, no canal do grande guitarrista Ritchie Blackmore, ex-Deep Purple, no Youtube, há um vídeo onde o próprio faz um mea-culpa, mostrando algumas semelhanças entre as músicas do grupo e de outros artistas, onde eles provavelmente teriam “se inspirados”.

Também achei um vídeo no Youtube onde são mostradas músicas que determinados artistas, como George Harrison, Nirvana, Radiohead, The Beach Boys, The Doors, etc, teriam copiado de outros artistas.

Em alguns dos casos, a questão foi para os tribunais e acabou que o perdedor teve que indenizar o artista prejudicado. Como é o caso do processo movido pelos advogados do grupo vocal The Chiffons, que acusaram George Harrison, que compôs “My Sweet Lord”, de haver plagiado a canção “He´s So Fine”. Harrison perdeu o processo em 1986 e teve que desembolsar cerca de US$ 580 mil.

Mas há também casos curiosos, como é o da canção “Comes As You Are”, do Nirvana, que, assumidamente, tomaram emprestado o riff da música “Eighteens”, do grupo pós-punk Killing Joke. O líder da banda Jaz Coleman, disse que, numa conversa com os membros do Nirvana, estes lhe confessaram ter roubado o riff da música, e que, ao assumirem isso, para ele já era o bastante. Assim, o caso nem foi para os tribunais.

É comum ouvirmos relatos de artistas confessarem que determinada música foi feito a partir da audição de uma canção, ou parte dela, de outro artista. Isso seria apenas uma inspiração ou uma homenagem, pois, na maioria das vezes, a música causou um impacto naquele artista.

O caso mais curioso que fiquei sabendo foi relatado por Glen Matlock, ex-baixista do Sex Pistols, que disse ter usado um trecho de uma canção do ABBA no riff da música “Pretty Vacant”, porém, com o andamento mais rápido.

ABBA e Sex Pistols pertenciam há universos tão diferentes que é impossível imaginarmos que um poderia ter influenciado o outro.

Mas, na música pop tudo é possível.

Quem impõe que determinada coisa não tem relação com a outra somos nós, porque, de fato, um artista, seja ele do estilo musical que for, está aberto a absorver tudo, e aproveitar tudo que está disponível e incorporar à sua arte.

Se não fosse assim, grandes músicos como Frank Zappa, Keith Emerson, Jon Lord, Robert Fripp, entre outros, não teriam escolhido o rock para se expressarem, uma vez que o caminho natural para eles seria terem sido músicos clássicos, pois, todos, sem exceção, tiveram formação clássica; mas, por algum motivo, ao cruzarem com o rock and roll, mudaram suas trajetórias artísticas.

Voltando à questão do plágio, será que existe talvez uma linha muito tênue que separa o que é uma cópia, uma homenagem ou uma inspiração?

Determinado artista ao usar um trecho de uma música de outro estaria copiando, homenageando ou se inspirando nela?

Estas reflexões esbarram na dureza da lei e suas consequências.

Na verdade, existe “uma jurisprudência que define o plágio a partir do uso de sete compassos praticamente idênticos a um trecho de uma canção antecedente”. (Melhor eu citar a fonte antes de me acusarem de plágio. fonte: collectorsroom.com.br).

Então, me parece que a intenção por trás da ação é que determina o que é uma coisa ou outra.

E se houve ou não a intenção do artista em se beneficiar da utilização da música de outro, isso cabe aos juízes decidirem. E, se for o caso, punirem.

Agora, eu não acredito em coincidências. Que uma música coincidentemente se parece com outra, apesar de tudo nascer a partir de somente sete notas musicais.

Em minha opinião, se uma música se assemelha a outra, não é coincidência. Porque sempre pode haver a intenção de se fazer aquilo, e, é claro, ganhar um bom dinheiro com isso, mesmo que depois se tenha que desembolsar parte dele para pagar um processo judicial.

O que não quer dizer que não possa haver músicas parecidas, e que ocasionalmente não teriam nenhuma relação entre si.

Isso pode ser percebido muito bem ouvindo Blues. Muitas músicas são feitas a partir dos mesmos quatro compassos, porém, não significam que foram copiadas umas das outras.

Creio que por trás das aparências, está sempre a intenção. E isso não é de forma alguma uma coisa que se deva descartar.

Assim, no caso do Led Zeppelin, cheguei à conclusão de que Jimmy Page & Cia tiveram sim a intenção deliberada de copiar as canções de que são acusados de terem plagiado, tanto nas letras como nas músicas, o que é de fato muito mais grave.

No livro “Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra” (Mike Wall, Editora Larousse), que conta a história da banda, Jimmy Page diz que no início Robert Plant tinha dificuldades em compor. O próprio Plant admitiu que só venceu as barreiras da timidez e começou a compor mesmo a partir do terceiro álbum.

Isso pode explicar o motivo deles terem feito o que fizeram, gostem ou não os fãs em saber disso.

Apesar do grupo ser britânico, essa atitude me lembra muito a dos brasileiros. Parece-me que houve uma certa malandragem por parte da banda, apesar deles nunca terem assumido isso publicamente.

Seja como for, os fãs do Led Zeppelin e de todos estes grandes artistas estão sempre dispostos a perdoar estes pecados.

Nunca ouvi ninguém dizer que deixou de ouvir determinado grupo ou artista depois que soube de certas atitudes nesse sentido.

Muito pelo contrário, o número de fãs destes grandes artistas só aumenta ano após ano, e gerações após gerações tomam contato com suas canções e estão se lixando se elas foram plagiadas ou não.

Há um jargão que diz assim: “o mundo é dos espertos”. E há outro, que ficou muito famoso aqui no Brasil, e que foi utilizado numa propaganda de cigarros nos Anos 1970, protagonizada pelo grande jogador Gerson, que diz assim: “O importante é levar vantagem, certo?”.

Parece-me que estes dois jargões estão no âmago desta questão. E que resumidamente isso quer dizer que quem foi esperto levou vantagem sobre o outro, faturando alto com o uso (indevido, na maioria das vezes) da obra de outro autor, no caso em específico, da música ou um trecho dela.

Não é minha intenção julgar se é correto ou melhor, se foi correto por parte de quem quer que seja ter usado deste expediente. Isso cabe a cada um. E, em último caso, como disse, cabe à justiça.

De minha parte, quando ouço uma canção que sei que foi criada a partir de uma outra, para não dizer que foi plagiada, eu penso o seguinte: se era tão boa, porque, em sua maioria, estas músicas permanecem na obscuridade?

Para isso, eu ainda não tenho uma resposta conclusiva. Porém, não sou idiota e não descarto os mecanismos da indústria da música em promover este ou aquele artista, em detrimento de outros.

A verdade é que prefiro não pensar muito nisso, para não passar a ouvir certas músicas de forma racional, e não mais emocional, como tenho feito há muitos anos.

Vitor R. E. Aleixo, 50 anos, publicitário e especialista em marketing, ex-produtor do programa “Arquivo Pop”, da Rádio FM Cultura de Amparo, e ex-produtor e apresentador do programa “Wooly Bully”, aqui do Rock Clube Live.

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