Haters: Dimebag Darrell na sociedade dos likes
Por Lucas Tadeu
Postado em 02 de março de 2015
Me lembro claramente de uma época em que para poder ouvir minhas músicas, precisava da autorização dos meus pais para ligar o rádio, pois como não havia acesso a todas essas parafernálias digitais, e como o barulho não agradava a todos os indivíduos que constituíam minha família, conseguir um tempo para ouvir o som que os outros garotos da escola gostavam de ouvir era, muitas vezes, um desafio, o que tornava aquele momento muitas vezes a melhor hora do dia, uma sensação única.
Por gostar de Rock, tive a oportunidade de fazer muitos amigos e conhecer muitas pessoas, assim como viver momentos que só a paixão pelo Rock pode me dar acesso. Conhecer uma nova banda era sempre uma experiência única, pois discos caros e muitas vezes difíceis de achar (o que me assusta hoje é a facilidade de acesso a tanto conteúdo), não era todo dia que tinha-se a chance para ouvir algo novo.
Era como se fosse uma comunidade, um ambiente onde apenas os interessados pela música se relacionavam, sentir toda aquela camaradagem entre as pessoas, compartilhando gostos e experiências, davam uma sensação de "estar em casa", cercado por pessoas que faziam você querer melhorar, esforçar mais para quem sabe um dia, montar uma banda, fazer um show legal pra ver a galera toda pular.
Uma coisa que me faz refletir todos os dias nesses últimos tempos quando essas lembranças me vem a cabeça: Onde essas pessoas foram parar? O que houve com a educação, o respeito pelo trabalho do próximo, o esforço para se tornar um bom músico? Acompanho muitas bandas pelo meu perfil no Facebook, e fico atordoado com o comportamento das pessoas que usufruem dessa rede social.
A camaradagem, o respeito, todas as coisas que faziam daquele ambiente um lugar agradável parecem estar se esvaecendo; sem exceção, todas as bandas, todos os artistas, são bombardeados diariamente com uma chuva de comentários maldosos, desrespeitosos e desagradáveis. Um caso recente que me deixou perplexo foi o incidente no túmulo do guitarrista Dimebag Darrell. O quão baixo uma pessoa pode chegar, seja lá quais sejam suas intenções, a ponto de desrespeitar a, alguém que, antes de tudo, foi um ser humano, com família, amigos, que sentem sua falta, que levou alegria a milhares de pessoas com o seu jeito de fazer música?
Esse mesmo tipo de gente que chamou Champignon de mercenário, que fez um inferno na cabeça de um músico talentoso e que em muito contribuiu para a sua morte prematura, é o reflexo de uma sociedade que pensa que internet é território livre, onde não é preciso educação, disciplina, onde o ódio é disseminado gratuitamente, onde para conseguir uma imagem "headbanger", "cult", vale de tudo, criticar a tudo e a todos, na simples intenção de obter o status desejado.
Não gostou da banda? Não gostou das letras ou da atitude? Sua opinião será aceita, você tem todo o direito de não gostar, de não se interessar. Mas no meu ponto de vista um pouco de educação não faz mal a ninguém. Afinal, se tratam de pessoas que se esforçaram e dedicaram para chegar aonde estão, sejam eles bandas de Heavy Metal ou Rappers.
Gostar de determinado estilo não te faz melhor do que ninguém. Quer impressionar mesmo as outras pessoas? Pois bem, compre um instrumento, e vá estudar, se esforce, e dedique, e depois venha nos mostrar o resultado do seu empenho. É realmente excitante fazer Rock, mas a ideia de alguém vir a me odiar profundamente por apenas querer tocar uma música é frustrante, pra alguém que cresceu em um lugar onde a música unia as pessoas, agora as separam.
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