Músico Linear x Músico Residual: Qual deles você quer ser?

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Por Dan Vasc
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Ao contrário do que o senso comum de muitas pessoas desinformadas nos diz, a indústria musical pode ser uma das mais estáveis indústrias do mundo. É claro que existem aspectos internos ao mercado extremamente mutáveis, mas pense comigo: Em que época na história da humanidade houve uma civilização em que a música não esteve ativamente presente como forte expressão de sua cultura? Difícil encontrar, se é que existe. Principalmente para o músico do terceiro milênio existem oportunidades sobrando. Gente querendo formar bandas, gravar álbuns, querendo professores de música, bares, eventos culturais, pessoas precisando de composições originais... Mas dessas oportunidades existem algumas que farão de você um músico com renda linear e outras que farão de você um músico com uma renda residual. Em qual dessas categorias você se encaixa? Você já vai descobrir.

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Para explicar a diferença entre renda linear e renda residual com clareza, preciso que você me acompanhe na seguinte analogia. Imagine-se de frente para uma escada rolante que DESCE, sendo que você quer SUBIR para o andar superior por ela. Você dá o primeiro passo e coloca o primeiro pé em um degrau em movimento. Imaginou? O que provavelmente vai acontecer é que você vai ser imediatamente jogado pra trás, de volta onde começou, podendo até perder o equilíbrio e cair, certo? A não ser que você rapidamente dê outro passo, e outro, e outro, e outro, até que você esteja correndo pelos degraus sem realmente chegar a lugar nenhum. Se você as vezes gosta de colocar à prova a integridade de suas faculdades mentais e, como eu, já tentou subir uma escada rolante que desce, você sabe que é necessário um esforço muito grande para sequer permanecer no mesmo lugar sem descer. E se você quiser subir vai precisar de um esforço muito maior, correndo o risco de cair de beiço em um degrau e ter que começar tudo de novo.

A imagem ficou clara? Ótimo. Porque ISSO é ser um músico linear. Veja bem, a renda linear é o salário que você recebe uma vez pelo serviço que você presta e quando você o presta. Imagine um vendedor de pamonha. Ele vendeu uma pamonha por 1 real. Se ele quiser outra moeda de 1 real, ele vai ter que fazer outra pamonha e vender. Se ele quiser ganhar 50 reais por dia, ele vai ter que fazer e vender 50 pamonhas hoje e tudo de novo amanhã, e depois de amanhã, e depois, e depois...

Verifique se sua vida musical se resume a uma ou mais dessas atividades:

- Tenho uma banda que faz tributos e/ou covers;
- Toco/canto em bares e/ou casas de show;
- Toco/canto em casamentos e/ou bailes de formatura;
- Gravo para outros artistas cobrando preço único;
- Vendo minhas composições cobrando preço único;
- Sou professor de música.

Se esse for o seu caso, lamento lhe informar... Você é um músico de renda linear e está tentando subir uma escada rolante que desce. Todas as vezes que você quiser ganhar dinheiro você terá que trabalhar mais, se esforçando imensamente só pra ser capaz de manter suas condições de vida, sendo que, por causa de uma coisinha chamada inflação, no ano seguinte você sempre terá que fazer de 3% a 6% de esforços a mais se não quiser perder o que já alcançou.

Você pode estar pensando agora: "Mas esse é o padrão, não? É assim com o padeiro, é assim com o médico, é assim com o militar, é assim com o professor... Ninguém recebe dinheiro parado!" E eu digo: Sim, é possível receber dinheiro parado. É exatamente o que a renda residual te proporciona. Renda residual é o salário que você recebe mais de uma vez por um serviço que você prestou somente uma vez. É totalmente acumulável, é gerado até mesmo enquanto você dorme e pode ser vitalício. Seguem abaixo alguns profissionais que trabalham com renda residual:

- Músico compositor;
- Escritor;
- Game designer;
- Programador de software;
- Inventor/Cientista/Pesquisador (Royalties de patente);
- Roteirista/Diretor de cinema;
- Investidor da bolsa;
- Investidor imobiliário.

Viu o nomezinho da sua profissão ali em cima? MÚSICO. Você pode sair dessa escada rolante que desce e achar uma escada em que basta você dar um passo e ela fará o resto por você. "Mas se é tão óbvio assim, por que têm tantos músicos passando dificuldades?" Justamente por ser óbvio assim. Mas pelo fato de a renda residual não ser imediata como a linear (tanto na música quanto em qualquer outra indústria) muitos músicos se frustram pela demora, gerando medo, insegurança, e até uma mistificação do aparentemente tão distante "músico bem sucedido". Esse é o seu caso? Não se atormente mais. Separei 5 passos pra você começar a transformar sua renda linear em residual e aos poucos ir construindo a carreira musical que você merece.

1- COMPONHA MÚSICA!
Escreva, crie! Essa é a base de tudo. Tenha material original, seu. Ao contrário de muitas desculpas que se ouve por aí, composição NAO É UM DOM. Ninguém nasce compositor. Compositores APRENDEM a ser compositores. E por mais teoria que você estude, a maneira de aprender é fazendo. Então mãos a obra.

2- CONTRATE UMA EMPRESA PUBLISHER.
Registrar suas composições, gravar álbuns e divulgar seu trabalho é importantíssimo, mas nada disso vai valer se você não tiver uma publisher. Essas empresas são responsáveis por recolher os royalties devidos a você por quem utilizou sua obra, seja no rádio, na televisão, em filmes, na internet, em covers, etc. Procure por contratos com divisão por percentuais baseados em seus ganhos, para que você não tenha prejuízos. Os mais comuns são de 75/25% a seu favor.

3- NAO VENDA OS DIREITOS AUTORAIS DE SUAS COMPOSIÇÕES.
Isso é entregar o ouro de bandeja. Compôs uma ou mais músicas pra um projeto de terceiros? Não cobre cachê. Cobre um percentual justo das vendas baseado no tamanho da sua participação. Isso também vale para gravações. Consulte sua publisher ou um advogado para te ajudar na formulação de um contrato.

4- PUBLIQUE MATERIAL INSTRUCIONAL.
Caso você não tenha experiência dando aulas, corra atrás de ter. Mesmo que não seja seu objetivo ser um professor, você pode se beneficiar imensamente se colocando em uma situação em que é necessário explicar algo a alguém, que sabe menos sobre o seu instrumento do que você, de forma que ela entenda e aprenda. (Mais sobre isso em um artigo futuro.) Se você já é um professor de música, escreva uma apostila, um e-book, faça vídeo-aulas, grave áudios instrucionais e publique. Existem publishers específicos para isso também.

5- USE E ABUSE DA INTERNET.
Existem músicos que vivem SOMENTE de renda gerada por seus vídeos no YouTube. Sejam vídeos-aulas, reviews, material original, ou até mesmo covers (procure pela seção "covers" no contrato de monetização do YouTube) você pode usar tudo isso para gerar receita baseada em anúncios do Google nos seus vídeos. E mais tarde quem sabe até fechar um contrato com uma YouTube Network, o que hoje em dia não é difícil.

"Mas então eu devo parar com minhas atividades de renda linear?" Não! Muito pelo contrário. Lembre-se que a renda residual não é imediata e no princípio não é grande coisa. Mas o importante é que ela é ACUMULÁVEL. Você escreve uma música uma vez e ganha royalties dela. Você não precisa escrever a música de novo pra continuar ganhando. Você escreverá novas músicas e acumulará novas fontes de royalties. Você terá que construir isso aos poucos, portanto continue fazendo seus shows, fazendo seus covers, dando suas aulas, e incorpore esses 5 passos nos seus planos de carreira. Se você for paciente e perseverante chegará o tempo em que você poderá gradativamente ir cortando as atividades de renda linear da sua rotina, ou exercê-las somente por prazer e não por necessidade.

Não desista! Procure estar sempre se cercando de pessoas e coisas que te motivem, tenha a coragem de sair de sua zona de "segurança" e pense como um empreendedor, não como um mero sobrevivente. Nos vemos no topo!




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