Rock e política: O movimento hippie e a transformação social
Por André Pomba
Fonte: Blog Andre Pomba
Postado em 31 de agosto de 2014
Por André "Pomba" e Emílio Faustino
Mais do que um visual despojado, os hippies representam um ideal político. Nos anos 60 nasceu um novo modo de viver, sonhar e morrer, no qual o que importava era a revolução em beneficio do homem, em nome da liberdade.
Nesta onda surgiu a proposta do movimento hippie, diversa e ampla, que buscava um questionamento existencial muito abrangente, que ia além das considerações econômicas, sociais e políticas: visava ao ser integral em face da vida e do mundo.
Os hippies adotavam um modo de vida comunitário, ou de vida nômade, em comunhão com a natureza, viviam do artesanato e, no campo, da horta.
Negavam todas as guerras, os valores sociais e morais tradicionais e abraçavam aspectos das religiões orientais, e/ou das religiões das culturas indígenas, estavam em desacordo com valores tradicionais da classe média e das economias capitalistas e totalitárias.
Os hippies defendiam o amor livre e a não violência. O lema "Paz e Amor" sintetiza bem a postura política dos hippies, que constituíram um movimento por direitos civis, igualdade e anti-militarismo nos moldes da luta de Gandhi e Martin Luther King, embora não tão organizadamente, mantendo uma postura mais anárquica do que anarquista propriamente, neste sentido.
Eram adeptos do pacifismo e, contrários a guerra do Vietnã, participaram de algumas manifestações anti-guerra dos anos 60. Inclusive, muito da existência e popularização dos hippies se deve a guerra do Vietnã, pois foram as manifestações contra a guerra que contribuíram de forma definitiva para que mais pessoas aderissem ao movimento hippie.
Como grupo, os hippies tendem a viver em comunidades coletivistas ou de forma nômade, vivendo e produzindo independentemente dos mercados formais, usam cabelos e barbas mais compridos. Muita gente não associada à contracultura considerava os cabelos compridos uma ofensa, em parte por causa da atitude iconoclasta dos hippies, às vezes por acharem "anti-higiênicos" ou os considerarem "coisa de mulher".
Entre os slogans grafitados pelos muros de Paris, podia-se ler: "Quando penso em revolução quero fazer amor"; "É proibido proibir" (título de uma música do tropicalista Caetano Veloso); "A felicidade é o poder estudantil".
Eles não formaram um partido político nem desejavam disputar as eleições. Queriam mesmo era impressionar pelo comportamento, mudar os costumes dos que os cercavam para mudar-lhes a mentalidade.
Nos EUA, pregaram o "poder para o povo". Muitos não se envolvem em qualquer tipo de manifestação política por privilegiarem muito mais o bem estar da alma e do indivíduo, mas assumem uma postura tendente à esquerda, geralmente elevando ideais anarquistas ou socialistas. São contra qualquer tipo de autoritarismo e preocupados com as questões sociais como a discriminação racial, sexual, etc.
Seus ídolos foram o escritor alemão Hermann Hesse, cujos livros concentravam-se em histórias orientais de iniciação, introspecção e à meditação nirvânica, o escritor Carlos Castañeda que relatava em seus livros a sua experiência com um índio mexicano, Don Juan, que se tornou seu mestre, sobre os "caminhos do conhecimento" e o poeta Dylan Thomas, um rompedor de regras.
O psiquiatra Wilhelm Reich que associava a agressividade humana à repressão sexual praticada contra os adolescentes e os jovens em geral por adultos que consideravam o sexo pecaminoso e imoral.
A música eleita por eles foi o rock: Janis Joplin, Jim Morrison, The Who, Jimmy Hendrix, Bob Dylan, John Lennon e Joe Cocker foram seus principais expoentes. A peça musical Hair, os grandes concertos ao ar livre como Woodstock e o Festival da Ilha de Wight.
O movimento hippie trouxe um mundo mais espiritualizado sem dogmas, respeito às diferenças, liberdade sexual, a não-discriminação das minorias e o ambientalismo.
Se nos dias de hoje o mundo possui uma cabeça um pouco mais aberta para questões como drogas e diversidade sexual, muito se deve as conquistas desse grupo que ganhou adeptos no mundo todo. Talvez a ideologia defendida nos anos 60 tenha se perdido um pouco ou mesmo tenha sido esquecida, por alguns que vestem o visual hippie sem vestir a atitude junta, mas é certo que o legado deixado por eles permanece.
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