Rock e política: O movimento hippie e a transformação social

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Por André Pomba, Fonte: Blog Andre Pomba, Tradução
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Por André "Pomba" e Emílio Faustino

Mais do que um visual despojado, os hippies representam um ideal político. Nos anos 60 nasceu um novo modo de viver, sonhar e morrer, no qual o que importava era a revolução em beneficio do homem, em nome da liberdade.

Nesta onda surgiu a proposta do movimento hippie, diversa e ampla, que buscava um questionamento existencial muito abrangente, que ia além das considerações econômicas, sociais e políticas: visava ao ser integral em face da vida e do mundo.

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Os hippies adotavam um modo de vida comunitário, ou de vida nômade, em comunhão com a natureza, viviam do artesanato e, no campo, da horta.

Negavam todas as guerras, os valores sociais e morais tradicionais e abraçavam aspectos das religiões orientais, e/ou das religiões das culturas indígenas, estavam em desacordo com valores tradicionais da classe média e das economias capitalistas e totalitárias.

Os hippies defendiam o amor livre e a não violência. O lema "Paz e Amor" sintetiza bem a postura política dos hippies, que constituíram um movimento por direitos civis, igualdade e anti-militarismo nos moldes da luta de Gandhi e Martin Luther King, embora não tão organizadamente, mantendo uma postura mais anárquica do que anarquista propriamente, neste sentido.

Eram adeptos do pacifismo e, contrários a guerra do Vietnã, participaram de algumas manifestações anti-guerra dos anos 60. Inclusive, muito da existência e popularização dos hippies se deve a guerra do Vietnã, pois foram as manifestações contra a guerra que contribuíram de forma definitiva para que mais pessoas aderissem ao movimento hippie.

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Como grupo, os hippies tendem a viver em comunidades coletivistas ou de forma nômade, vivendo e produzindo independentemente dos mercados formais, usam cabelos e barbas mais compridos. Muita gente não associada à contracultura considerava os cabelos compridos uma ofensa, em parte por causa da atitude iconoclasta dos hippies, às vezes por acharem "anti-higiênicos" ou os considerarem "coisa de mulher".

Entre os slogans grafitados pelos muros de Paris, podia-se ler: "Quando penso em revolução quero fazer amor"; "É proibido proibir" (título de uma música do tropicalista Caetano Veloso); "A felicidade é o poder estudantil".

Eles não formaram um partido político nem desejavam disputar as eleições. Queriam mesmo era impressionar pelo comportamento, mudar os costumes dos que os cercavam para mudar-lhes a mentalidade.

Nos EUA, pregaram o "poder para o povo". Muitos não se envolvem em qualquer tipo de manifestação política por privilegiarem muito mais o bem estar da alma e do indivíduo, mas assumem uma postura tendente à esquerda, geralmente elevando ideais anarquistas ou socialistas. São contra qualquer tipo de autoritarismo e preocupados com as questões sociais como a discriminação racial, sexual, etc.

Seus ídolos foram o escritor alemão Hermann Hesse, cujos livros concentravam-se em histórias orientais de iniciação, introspecção e à meditação nirvânica, o escritor Carlos Castañeda que relatava em seus livros a sua experiência com um índio mexicano, Don Juan, que se tornou seu mestre, sobre os "caminhos do conhecimento" e o poeta Dylan Thomas, um rompedor de regras.

O psiquiatra Wilhelm Reich que associava a agressividade humana à repressão sexual praticada contra os adolescentes e os jovens em geral por adultos que consideravam o sexo pecaminoso e imoral.
A música eleita por eles foi o rock: Janis Joplin, Jim Morrison, The Who, Jimmy Hendrix, Bob Dylan, John Lennon e Joe Cocker foram seus principais expoentes. A peça musical Hair, os grandes concertos ao ar livre como Woodstock e o Festival da Ilha de Wight.

O movimento hippie trouxe um mundo mais espiritualizado sem dogmas, respeito às diferenças, liberdade sexual, a não-discriminação das minorias e o ambientalismo.

Se nos dias de hoje o mundo possui uma cabeça um pouco mais aberta para questões como drogas e diversidade sexual, muito se deve as conquistas desse grupo que ganhou adeptos no mundo todo. Talvez a ideologia defendida nos anos 60 tenha se perdido um pouco ou mesmo tenha sido esquecida, por alguns que vestem o visual hippie sem vestir a atitude junta, mas é certo que o legado deixado por eles permanece.




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Sobre André Pomba

André "Pomba" é um dos maiores agitadores culturais do rock. É o criador da revista/portal Dynamite, do Dynamite Pub, do Prêmio de Música Independente, do DemoFest, do Arquivo do Rock Brasileiro. Já foi curador da Campus Party, de eventos de Skate, de queer nerds. Em 2014 decidiu ser candidato a deputado federal em São Paulo pelo Partido Verde (4396). Vai lutar por um Brasil menos careta, pelo estadolaico, sustentabilidade, liberdades individuais e cultura alternativa, principalmente pelo rock.

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