Rock e Política: Uma mistura que pode dar certo
Por André Pomba
Fonte: Andre Pomba
Postado em 17 de agosto de 2014
Para muitos rockeiros, rock e política são ingredientes que não se misturam. Eu já sou da opinião de que a rebeldia que nos cerca, pode muito bem ser utilizada para buscar mais apoio para bandas de rock, bem como melhorar o nosso entorno (rua, bairro, cidade etc) ou mesmo nosso Estado, Brasil e o mundo. Um bom exemplo disso é saber qual a origem do Dia Mundial do Rock.
Vamos agora saber um pouco sobre a origem e do porquê dessa data?
Texto: André "Pomba" Cagni
Em 13 de julho de 1985, Bob Geldof organizou o Live Aid, um mega show simultâneo em Londres (Inglaterra) e Filadélfia (EUA). O objetivo principal era o fim da fome na Etiópia e contou com a presença de artistas como The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins (que tocou nas duas cidades), Eric Clapton e Black Sabbath (com Ozzy). O evento foi um sucesso de arrecadação, estimada em cerca de 150 milhões de dólares na época. Apesar de algumas acusações de desvios feitas pelo governo e exército da Etiópia, Geldof coordenou grande parte da destinação financeira em ajuda direta o que realmente ajudou a salvar milhares de vidas.
Claro que o Live Aid não foi a primeira iniciativa de rockeiros em prol de causas humanitárias. Podemos citar, por exemplo, o Concerts for the People of Kampuchea, em benefício do povo do Cambodja (então em guerra) que foi uma série de shows dos grupos Queen, The Clash, Pretenders, The Who, Elvis Costello, Wings e outros que aconteceram em Londres em dezembro de 1979, organizados por Paul McCartney and Kurt Waldheim. Mas é inegável que foi o Live Aid que teve estrondosa repercussão mundial, o que fez com a ONU oficializasse 13 de julho como o Dia Mundial do Rock.
Na realidade o Live Aid foi realizado devido ao sucesso do projeto Band Aid, um supergrupo de músicos ingleses capitaneado por Bob Geldof (Boomtown Rats) e Midge Ure (Ultravox). Geldof havia viajado para a África pouco antes e chocado com a fome no continente, decidiu gravar um single beneficente natalino para levantar fundos para o projeto Feed the World (Alimente o Mundo) que visava a erradicar a fome na Etiópia que vivia uma grave crise humanitária. O single "Do they know it’s Christmas?" foi um estouro mundial e reuniu cantores como Bono Vox (U2), Boy George (Culture Club), Simon Le Bon (Duran Duran), George Michael (Wham), Sting (Police), Phill Collins (Genesis) em alta nas paradas naquele ano de 1984.
A iniciativa de um single beneficente foi reproduzida por músicos americanos, tendo a frente Michael Jackson e Lionel Ritchie, além do produtor Quincy Jones no proheto USA for Africa. A canção "We are The World" foi lançada em março de 1985 e vendeu ainda mais que a iniciativa inglesa. Além de Lionel Richie e Michael, o single foi cantado por Stevie Wonder, Paul Simon, Kenny Rogers, James Ingram, Tina Turner, Billy Joel, Diana Ross, Dionne Warwick, Willie Nelson, Al Jarreau, Bruce Springsteen, Kenny Loggins, Steve Perry, Daryl Hall, Huey Lewis, Cyndi Lauper, Kim Carnes, Bob Dylan e Ray Charles, a nata das paradas americanas naqueles meados da década de 80.
O Live Aid teve uma segunda edição entre 2 e 6 de julho de 2005, o Live Eight, comemorando os 20 anos do histórico evento. Alguns dos grandes nomes da música pop subiram ao palco na Grã-Bretanha, na Itália, na França, na Alemanha, nos Estados Unidos, no Japão, no Canadá, na Rússia (países integrantes do G-8, grupo dos países mais ricos do mundo), além da África do Sul. Entre eles U2, Paul McCartney, Mariah Carey, Madonna, Laura Pausini, Elton John, Stevie Wonder, Coldplay, Robbie Williams, Keane, Linkin Park, Green Day e a tão esperada reunião do Pink Floyd. A intenção do evento era pressionar os líderes mundiais para perdoar a dívida externa das nações mais pobres do mundo, além de aumentar e melhorar a ajuda e negociar regras de comércio mais justas que respeitem os interesses das nações africanas. Infelizmente, a repercussão não foi a mesma, e trouxe poucos resultados diretos em relação a perdão de dívidas, porém trouxe a tona a discussão do "comércio justo", como conceito que passou a ser seguido por muitos governos e empresas.
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