O rock nacional de Nelson Rodrigues
Por Gabriel Piazentin
Postado em 29 de setembro de 2013
Terminou a última edição do Rock in Rio (doravante RiR), e com ela veio um caminhão de reclamações de roqueiros. Até o WHIPLASH tem divulgado bastante um infográfico que mostra que no RiR tem sim rock, contradizendo as pessoas que dizem que não tem.
Pois bem, o evento tem rock, a gente já sabe.
Mas o que incomoda a mim e a tantos outros não é o fato de não ter o estilo, mas sim de haver tantos outros que nada têm a ver com aquele. Daí o Nelson Rodrigues do título, a gente tem complexo de vira-lata para tudo. Quando nos deparamos com um evento como o RiR a gente espera, no mínimo, um Wacken (ou ainda, quando lhe prometem um Wacken Open Air igual ao alemão ele recebe um Metal Open Air tipo aquele que não aconteceu e foi uma catástrofe vergonhosa). Mas o que a gente recebe é a IVETE SANGALO e a BEYONCÉ, esta última cantando Ah LeLek. Tá.
Veja, as atrações não-rock do evento são boas, sim, mas você nunca vai esperar pelo IRON MAIDEN ou pelo METALLICA tocando em pleno carnaval de Salvador. O problema do RiR não é a falta de rock, e sim a mistura bizarra de tantos outros estilos. Mas fazer o quê, desde '85 o evento sempre foi assim, não? Sim. Mais prudente seria um evento com essas grandes estrelas não-rock só pra elas e deixasse o RiR só pra quem é roqueiro mesmo.
Né?
Não.
Não porque aqui o brasileiro roqueiro já é reprimido dia a dia com uma montanha de tantos outros estilos que a cultura popular consome e ele, o roqueiro, fica deixado de lado, à margem da música mainstream. Quantos eventos de rock você conhece? Quantos eventos de sertanejo você conhece? Olha quantos rodeios estouram pelo país perto da metade do ano, é gritante. Você não espera o DR.SIN tocando em Barretos. Bom, então esse roqueiro, deixado de lado pelo próprio país, quando ele tem um evento com ROCK no nome, ele espera que finalmente terá um lugar só pra ele, que finalmente vai poder ir a um evento de seis noites, dois fins de semana, só com a nata do estilo musical de que ele gosta. Mas não, os palcos têm de ser divididos com o DAVID GUETTA e pra ele só restam duas noites. E o pior, os palcos paralelos não são intercalados entre rock e não-rock.
É por isso que o brasileiro roqueiro sempre reclamou do Rock in Rio. E sempre vai reclamar, enquanto não tiver um espaço pra chamar de seu.
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