Homenagem ao Cazuza no Rock in Rio foi um fiasco
Por Marcelo Dias Albuquerque
Postado em 22 de setembro de 2013
Nem sou muito fã de Cazuza. De tudo que ele produziu, prefiro ouvir na voz do Frejat. Entretanto, sendo ele um grande ícone do rock nacional e até da música de um modo geral, achei surpreendente terem realizado uma "homenagem" tão enfadonha a ele no Rock in Rio deste ano.
A começar, temos no elenco desta homenagem "artistas" como Maria Gadú, Rogério Flausino e Bebel Gilberto, que muita gente nem deve ter ouvido falar. Aí, temos alguns artistas de verdade, como o próprio Frejat e Ney Matogrosso, além da incógnita presença e atitude de Paulo Miklos, do Titãs. E juntando tudo isso, a apresentação foi no mínimo sofrível.
"Bete Balanço" foi cantada po Maria Gadú. Não me surpreende que ela tenha desafinado tantas vezes nem que sua apresentação tenha sido morna, afinal eu não esperaria nada de alguém que faz parte da trupe de Caetano Veloso e Milton Nascimento; mas a apresentação é digna de uma "cantora de churrascaria". Aliás, não foi nenhum espanto para mim. Acho que é uma artista praticamente inexpressiva que faz algum sucesso por ter as "costas quentes" e por estar em meio a outros tantos que são medíocres como ela. Enfim...
Bebel Gilberto interpretou "Todo o amor que houver nessa vida", e fez um imenso fiasco. Usou sua voz pífia da pior maneira possível, tornando uma música que já não era lá essas coisas numa das maiores banalidades. Desafinação, uma pose forçada, postura de palco lamentável; o que ainda salvou esta apresentação foi o coral, única coisa afinada ali além dos instrumentos musicais. A título de informação, Cássia Eller - esta sim uma grande artista - fez uma versão desta música que deve ter dado inveja até mesmo em Cazuza.
Jota Quest tocando "O nosso amor a gente inventa" é mais do mesmo. Mas ninguém espera nada surpreendente do Jota Quest, não é? É, e sempre foi, uma banda mediana com uma proposta pouco elaborada. Emplacou alguns sucessos por ser o tipo de música puramente comercial, do tipo que toca nas rádios e em aberturas de novelinhas da Globo. Então, sem surpresa. No entanto, Paulo Miklos cantando "Vida louca, Vida" foi realmente surpreendente. Apesar de todos saberem que ele não é um exímio cantor - e ele mesmo sabe disso - era de se esperar no mínimo uma postura mais viva, mais enérgica; ainda mais se tratando de um grande evento para uma porção de rockeiros, não é? Mas, ele mal sabia a letra da música, ficou boa parte da música lendo a letra em papéis colados no chão, além de ter feito uma apresentação fria, sem graça e completamente sem relevância.
As apresentações de Ney Matogrosso e principalmente Frejat foram boas, mantiveram o nível esperado para dois artistas consagrados. No entanto, ao final, todos os envolvidos nessa homenagem resolveram juntos cantar "Pro dia Nascer Feliz". Aí, Frejat começa a cantar e logo na segunda estrofe Bebel Gilberto já começa a estragar tudo. Maria Gadú, tentando uma pose meio hipster com sua roupa cabulosa fica dando pulinhos nos cantos, dando alguns gritos no microfone, entre outras coisas. Quando todos cantam juntos, no refrão, é que fica tudo muito ruim; talvez por falta de ensaio ou por falta de talento de alguns, o fato é que a música é assassinada, saindo totalmente da afinação desejável.
Muitos podem dizer que este é um artigo tendencioso, mas os fatos provam que o que digo é verdade. E para não inundar o texto com um monte de links de vídeo, sugiro que dê uma olhada no youtube.
Rock In Rio 2013
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