Guitarrista lembra exato momento que saúde de Cazuza começou a piorar: "Era muito calor"
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de janeiro de 2026
Ricardo Palmeira foi o guitarrista da banda solo de Cazuza no final dos anos 1980 e gravou, entre outros sucessos, o álbum "Exagerado". Após esse período, o músico acompanhou o saudoso cantor no que seria sua última turnê. Se no começo a saúde de Caju ainda estava boa, os efeitos da Aids iriam começar a aparecer.
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Curiosamente, segundo Palmeira, em entrevista ao Corredor 5, um catalisador para os sintomas começarem a aparecer foi o calor que todos sentiram quando chegaram ao Nordeste para uma perna do giro. "A gente devia ter ido pro Sul. Mas fomos pro Nordeste. E era muito calor", recorda.
Quando a turnê entrou na reta final, no segundo semestre de 1988, Cazuza já dava sinais de fragilidade. Ainda assim, seguia trabalhando. "A vontade dele de viver era estar no palco, estar trabalhando", lembra o guitarrista. O problema é que o corpo começou a cobrar a conta. "Chegou uma época em que a saúde começou a pagar um preço. Tinha um limite de energia."
A excursão pelo Nordeste, concentrada entre dezembro e janeiro, foi particularmente dura. "Foram muitos shows, seis, oito apresentações. Muito calor, muita viagem. Aquilo deu uma derrubada nele", afirma. O desgaste era visível, ainda que, à época, ninguém falasse abertamente sobre gravidade. "Ele só foi cair mesmo mais pro final do ano, em dezembro."
A convivência diária mostrava contrastes. Enquanto parte da cena dos anos 80 era marcada por excessos, o guitarrista seguia um caminho quase oposto. "Eu já não fazia uso de drogas. No máximo um baseado. Cocaína eu experimentei muito jovem e larguei cedo", conta. A rotina de estrada incluía cuidados incomuns para a época: alimentação vegetariana, idas à praia antes dos shows, tentativa de manter alguma normalidade. "Hoje isso não existe mais. A gente viajava um dia antes, chegava cedo, ficava no hotel. Dava pra respirar."
Antes disso, a trajetória de Ricardo já cruzava nomes centrais do BRock. Passou pela banda de João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, gravando hits como "Lágrimas de Crocodilo", e integrou a banda de Leo Jaime, em uma fase de shows lotados e exposição nacional. Ainda assim, nada se comparou ao impacto de acompanhar Cazuza.
Hoje, olhando para trás, o guitarrista não romantiza a estrada. "Nunca fui muito guigueiro. Sempre fui mais do estúdio." Mas carrega com orgulho o que chama de "rodapé da história": ter estado ali quando uma das vozes mais importantes do rock brasileiro insistiu em cantar até onde deu.
Confira a entrevista completa abaixo.
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