Led Zeppelin, Escadaria para o Paraíso
Por Marcelo Dias Albuquerque
Postado em 15 de setembro de 2013
É até meio manjado dizer que o Led Zeppelin foi uma das maiores bandas da história. Todo mundo diz porque é verdade. Mas, a grande questão é justificar isso. E acredito que a música "Stairway to Heaven" seja uma boa justificativa.
"Stairway" não é apenas uma obra prima. Ela também é a música que liga o underground ao mainstream. Ela conecta o mundo psicodélico e progressivo que vemos em músicas como "Kashmir", passando pela simplicidade do rock 'n roll de "Communication Breakdown", até chegar na popularidade do bom e velho violão; além, é claro, de ter traços de música erudita que ainda corriam pelas veias de Jimmy Page. A música é longa sem ser enjoativa; é bem elaborada sem parecer um exagero; e é profunda sem perder a simplicidade.
A meu ver, a passagem inicial da introdução é um momento no qual é possível relaxar a mente. Se você ouvir com atenção, é como se entrasse em transe, sentindo tranquilidade. Esse tipo de coisa, mesmo para quem curte um som mais agitado, pode ser interessante como meditação. Às vezes é preciso dar paz à nossa mente, deixá-la se esvaziar um pouco enquanto a música toca nossos neurônios.
A música segue calma até os três minutos iniciais, dando destaque apenas para guitarra e voz, mas repleta de elementos adicionais que enchem o espaço com detalhes; há flautas, efeitos sutis de piano. Depois disso, a intensidade aumenta um pouco, a bateria entra e aí a música já muda de tom, começa a ter um pouco mais de vitalidade... Pouco a pouco essa intensidade aumenta ainda mais, até que chega aos cinco minutos e meio, quando a harmonia é quebrada para dar espaço ao primeiro estágio que chamo de clímax. E esse clímax é o que dá espaço para um solo épico. No momento do solo é possível sentir toda a energia que a música havia acumulado até ali, e é como se houvesse um "quê" de triunfo, como se o "Paraíso" se fizesse presente.
Então o solo termina, e a música prossegue numa marcha mais acelerada, com uma bateria agressiva e a pressão do vocal aumenta. E durante poucos segundos a música mantem essa batida, até que chega o segundo solo, desta vez mais curto e bem menos intenso do que o primeiro; eu chamo esta parte de segundo clímax, que é quando o guitarrista recolhe toda a energia que ele havia jogado antes, no primeiro solo. E então a música termina como começou, apenas o vocal suave e a guitarra sem distorção.
Esta canção sempre foi um sucesso. É considerada uma das melhores músicas de rock já feitas até hoje. Ainda nos dias atuais está nas listas de músicas mais pedidas em rádios FM nos EUA. E não é à toa que ela levou um ano para ser realmente terminada.
Reza a lenda que Jimmy Page e Robert Plant estavam numa residência em Bron-Yr-Aur, no País de Gales, quando Page teve as primeiras ideias para a música usando fragmentos de outras gravações. É sabido que ele sempre andava com um gravador de bolso, para o caso de surgir alguma ideia. Algum tempo depois de voltar eles apresentaram a parte instrumental básica para o baixista John Paul Jones, que por sua vez fez os arranjos de flauta e piano, segundo ele mesmo, diante de uma lareira.
A música é tão repleta de detalhes que, segundo o próprio Robert Plant foi difícil fazer com que "Bonzo"¹ se encontrasse nela.
Alega-se que a letra foi feita bastante tempo depois, quando Page ficou dedilhando a música enquanto Robert Plant escrevia a letra de forma fluente, como se as palavras jorrassem de suas mãos sem nenhum motivo. O solo incendiário de guitarra, segundo os membros da banda, foi feito depois de toda a música estar pronta. Jimmy Page teria entrado no estúdio para criar e gravar o solo.
Acredito que esta música é a que melhor representa seu nome. Ela é, definitivamente, uma Escadaria para o Paraíso.
¹ "Bonzo" é o apelido que a banda deu ao baterista, John Bonham.
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