Gene Simmons: Feliz aniversário e Fuck off!

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Por Daniel Junior, Fonte: PipocaTV
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Desculpem-me os doentes (e permita-me chamá-los assim, mas um amigo apelidou-os com uma patologia de não admitirem que nada que sua banda preferida faça seja ruim), mas o Kiss não lança um disco ótimo desde 1992, ou seja, na minha opinião Revenge é para década de 90 o que Creatures of The Night representou na minha infância e digo, não foi pouco.

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De lá pra cá um acústico legal, uma turnê de reunião, uma turnê de despedida (?), um disco fake, um disco não-Kiss, uma emulação do Rock and Roll Over e muitos, zilhões de produtos vendidos com a marca Kiss. Música? Bem, artigo de luxo faz um tempo.

A fama pode proporcionar aquele que é a artista dois tipos de plataforma: uma na qual a insatisfação pela utopia da perfeição (sob conceitos discutíveis, é claro) é um motor potente e sempre ligado, a outra aquela da auto-indulgência, na qual os elogios fizeram um efeito negativo no elogiado e portanto sua própria noção de bom está tremendamente comprometida pelas centenas de milhares de discos vendidos, ingressos esgotados e páginas de revista, internet e o cacete à quatro.

O dono do Kiss (Gene) já brincou de ser Ozzy na TV (com Family Jewels), já lançou seu segundo solo (espinafrado justamente), já foi participante de reality com Donald Trump e sabe lá Deus o que mais Chaim Witz anda fazendo e prestes a completar 63 anos (dia 25 de agosto) mantem a fama de linguarudo (literal e semânticamente) para falar suas leis e opiniões, como um imperador irretocável.

Dessa vez preferiu polemizar e dizer que Lady Gaga é a única estrela de rock que existe no momento. Explica-se: em atitudes, em postura, em provocações, em ser nariguda, em ser um arranhão na mídia politicamente correta. Ok. Tá bom.

A gente sabe que rock é um conjunto de fatores que incluem as coisas que o Gene sugeriu a respeito da cantora americana, mas a gente sabe também que um dos motivos de Gaga ser a cereja do bolo da mídia musical é porque bandas como o Kiss preferiram abdicar daquilo que faziam melhor (música) para se comportarem como intocáveis, que não precisam provar nada à ninguém. Talvez não precisem mesmo, mas seria tão bom que criassem um ruído no mundo do rock saindo da mesmice na qual mergulharam. Quando chocaram os puristas com The Elder, já vinham de altos e baixos (mais baixos, eu diria), mas fizeram um disco que hoje é cult. Entenda cult no meu dicionário como "aquilo que reprovavam e rejeitavam e que passou a ser aceito por outra geração como genial".

Querem fazer caixões, cigarros, garrafas de vinho, bonecas Hello Kitty, revistas em quadrinhos, façam, mas não esqueçam que quem os colocou onde vocês estão não foram consumidores de uma rede de supermercados ou uma loja de conveniências, foi gente que acreditava que vocês eram a banda mais quente do planeta.

Aliás, bem quero fazer dizendo que este recado é para o hard rock americano, envelhecido e incapaz de sair do rótulo, olhando atrás da cortina a próxima atração, cantando seus hits como quem faz comercial, pedindo esmola ao Glee para voltar no vácuo do carro mais veloz ou no rabo do cometa.

Se (eu disse "se") Lady Gaga é a atração mais rock foi porque você Gene Simmons está gaga e deixou que o amor ao dinheiro lhe seduzisse e tornasse tudo que o Kiss pensa apenas em cifras. Sem hipocrisia: dinheiro é bom e eu quero, mas quando ele vira o motivo principal da existência de um artista (seja qual for o estilo), os fãs viram uma espécie de participantes de um leilão de bugigangas cujo valor quem estabelece é apenas quem vende e não quem reconhece naquilo algo de estima, mas apenas uma vaidade fetichista que não sobrevive a um balde d´água.

Monster não mudará uma virgula do que penso, uma vez que o próprio Gene disse que será mais um prato de "carne com batatas" ou seja, mais do mesmo, nenhuma novidade, nenhum susto, nenhuma surpresa. Aquilo que vocês querem do mesmo jeito que um dia gostaram. É muito tarde para se transformar em clone de AC/DC.

Lamento que minhas bandas preferidas tenham reservado apenas para o frescor da juventude (ou seja para o passado) seus melhores discos, suas maiores criações. Esperava que a maturidade os torna-se maiores, gigantes, eternamente inconformados. Agora todo mundo vendendo a alma pra tv (que quase sempre os renegou colocando-os na altura e grandeza de traficantes com guitarras nos ombros), com plásticas que só entregam a idade (não deveria ser o contrário?) e suas músicas tão sem força quanto jamais imaginavam.

Desse jeito, deixando a bola com outros, o gol nunca será de vocês.

Antes que eu me esqueça, feliz aniversário Gene...
e fuck off.

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Sobre Daniel Junior

Daniel Junior é blogueiro do Diário do Pierrot e do site The Crow (especializado em cinema). Colabora com o site Seriemaníacos (sobre séries de TV) e com o blog Minuto HM. Começou seu amor pelo rock por causa do Kiss e do Black Sabbath até conhecer outras bandas pelas quais nutriria paixão e admiração como Metallica, Rush, Dream Theater, Faith No More e tantas outras. Twitter: @diariodopierrot.

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