Esse f.d.p. desse crítico de rock

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Por Paulo Severo da Costa
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"Andy Secher da Hit Parader
Circus Magazine,
Mick Wall da Kerrang
Bob Guccione Jr. da Spin,
Você ficou puto porque sei pai come mais
B***** do que você?
F****-se
Chupe meu maldito p***"

Trecho de "Get In The Ring" do GUNS AND ROSES- "Use Your Illusion II"

Em uma de suas entrevistas para a Guitar Player, STEVE VAI, quando questionado pela enésima vez sobre a vocação para o instrumento - e lógico - qual seu conselho para os aspirantes a guitarristas profissionais - disse, de forma sintética: "Se o sujeito tiver de optar pela música ou outra coisa, opte pela outra coisa - quem nasce com a música não tem escolha".

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Ah isso é verdade! Fãs de rock não escolhem - são escolhidos. Brigam com a família por causa de barulho, reprovam na escola, terminam com a namorada que só escuta música sertaneja, tocam guitarra até tarde mesmo depois de casados, ficam velhos e - como eu - continuam escrevendo sobre o assunto.

A verdade é que, mais do que paixões, todo mundo tem as suas razões - seja para brigar por causa de um time, seja para analisar uma capa de disco antigo por horas. E, mais do que isso: expressar suas opiniões, sobre qual assunto for, doa a quem doer.

LESTER BANGS, um dos maiores resenhistas de rock n'roll da história, dizia que o crítico de rock tem uma vida de merda: não ganha dinheiro, não ganha fama e ainda leva porrada a torto e a direita. Esse masoquista, esse infeliz, esse f.d.p. desse crítico que insiste em compartilhar com o mundo a sua mísera e ridícula opinião, esse, esse......

Mas afinal, porque, apesar de tudo isso a crítica ainda sobrevive? Porque as pessoas ainda escutam e lêem isso todo dia? Eu acho que não há segredo na resposta: no fundo, somos um bando de solitários, aprendemos a ser escanteados porque pensamos diferente, somos contestadores e, afinal, compartilhamos da mesma paixão. Não nos repelimos; nos atraímos o tempo inteiro - vivemos em torno de discutir qual foi a primeira banda de heavy, qual a melhor banda de "porn-gothic-gore" do ano, qual foi a groupie que mais deu para o pessoal do AEROSMITH - ainda que nunca se chegue a conclusão nenhuma.

Vamos fazer o seguinte, críticos ou não: se formos brigar, vamos brigar entre nós. Não vamos dar moral para quem escuta sertanejo universitário. Vamos ser os nossos próprios f.d.p.




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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n'roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: [email protected]

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