Vortex Cultural: O Fim do Metal Nacional, por Bruno Mira
Por Carlos Tourinho
Fonte: Vortex Cultural
Postado em 29 de novembro de 2011
Segue abaixo uma excelente visão sobre o metal nacional, feita pelo músico e produtor Bruno Mira, publicada no site Vortex Cultural:
"Gostaria de sugerir um exercício de criatividade aos leitores deste blog, imaginem aquela cena enfadonha de terapia de grupo do tipo Alcoólicos Anônimos, onde um sujeito se levanta e diz:
- Oi, meu nome é Fulano, e eu sou Alcoólatra. Com este pano de fundo eu começo dizendo:
- Meu nome é Bruno, eu sou mais um brasileiro, ex-guitarrista, ex-vocalista, de uma ex-banda de Metal brasileira. Todos os dias bandas de Metal começam e acabam no Brasil seja numa garagem, ou em salas de estúdios de ensaio ou gravação, e ou até mesmo nos escritórios de gravadoras, ou revistas especializadas no gênero.
O fato de uma banda que para ser reconhecida no Brasil precisa antes ser reconhecida fora do país, é um sintoma desse público de Metal que só respeita uma banda pelo sucesso no exterior, o famigerado público "Paga-Pau-de-Gringo". O que é óbvio, e tanto as bandas quanto as gravadoras (do estilo) não vêem, é que este não é um bom público. É limitado, preconceituoso e radical nas suas opiniões, nunca está aberto às bandas novas, ou ao trabalho da uma determinada banda, ou até a fim de amadurecer com ela. Só consome os "clássicos" ou "medalhões", ou seja, só consome marcas já consagradas. Em termos de público afirmo sem medo de errar que as bandas estão investindo no público errado, porque este tipo de público é teleguiado e não é formador de opinião, por mais que critiquem, o comportamento e o tipo de consumo dessas pessoas só comprova isso.
Outro problema do Metal é a segmentação, pseudo-nichos que ao invés de direcionar segregam e rotulam, vendendo de forma incoerente e equivocada os trabalhos dos artistas. Tem espaço na arte para tudo: disco opereta, disco conceitual, disco histórico, disco autobiográfico, disco-épico, disco-fantasioso-folclórico, mas ninguém faz isso voltado para o Brasil (público brasileiro). Quem no mundo vai querer consumir a cultura brasileira além do brasileiro? Este que sempre foi carente de cultura, principalmente da sua própria, o brasileiro não conhece o Brasil!
O símbolo mais emblemático disso é um Mameluco (mistura de Índio com Negro, cerca de 70% da população brasileira possui uma dessas duas heranças genéticas) fã de "Power-Viking-Nordic-Mother-Fucker-Metal" (IRONIA), analfabeto funcional (vítima do nosso fatídico investimento público em educação), que vive em negação da sua própria cultura e etnia. É o ápice da nossa esquizofrenia enquanto cultura colonizada. O metal tem de se abrir pro público brasileiro, e parar de usar a música brasileira de forma pseudo-intelectual só pra vender discos lá fora como world-music.
Um amigo meu teceu um comentário sobre o vídeo do Edu Falschi que eu achei muito bom e vou reproduzi-lo:
- Muito bonito o que ele disse, mas acho que ele deveria ter gravado em inglês em respeito ao público dele.
Eu respeito o fato de existirem bandas que escrevem em inglês, mas isso não é uma crítica a elas diretamente, contudo é preciso entender que o mercado dessas bandas é o externo, essas bandas não querem ser uma "banda brasileira", elas querem ser uma "banda gringa" cosmopolita, "do mundo", porque sabem que aqui o som deles não tem espaço. Todas essas bandas têm a ilusão de que podem competir com os gringos no próprio território deles, e ainda ter respaldo no Brasil com a cultura do metaleiro brasileiro de valorizar mais o que vem de fora. Todos vocês estão equivocados! Vocês vão ter de fazer sucesso fora pra poder ter um bom público aqui, e viver de música, que é o sonho de toda banda independente. O que é mais bizarro é que às vezes pra você conseguir alguma realização fora do país é preciso mostrar algo diferente pros gringos, o que invariavelmente acaba sendo a nossa própria cultura, exemplos: Sepultura e Angra.
Mas esses casos são únicos, e não podem ser aplicados a nossa realidade, o André Matos tinha os contatos, dinheiro e o projeto certo para aquele momento do Metal nacional, foi o casamento perfeito entre estar no lugar certo, na hora certa e estar preparado para isso. Mas isso não se aplica a nenhum modelo, é imponderável o que aconteceu, e de resto o que temos além de nós mesmos para mudar esse cenário?
Gostaria que vocês reparassem que quando penso em Brasil não penso apenas em Sudeste, e nem tento elitizar o meu mercado em potencial, falta essa ambição às bandas e as empresas que pretendem explorar esse mercado, falta arrojo comercial. Outro equívoco comercial é quando as bandas que ao invés de oferecerem trabalhos ARTÍSTICOS com mensagens, conceitos, valor cultural e etc, só vendem técnica, ou seja, música de músico pra músico. Um público altamente "especializado", que na minha opinião de merda seria melhor rotulado como específico demais, e só! Quem vive de técnica, vive de depreciar a técnica alheia pra promover a sua própria, e o marketing negativo é o único retorno da sua marca que você ganha investindo nesse nicho.
Bom músico, bom instrumentista é força de trabalho e não "O Trabalho", quem vende técnica uma hora cansa o mercado com a sua fórmula, como as já cansadas bandas de Prog-Metal. As pessoas ouvem música pra se divertir, se entreter, se relacionar com o trabalho de alguma forma, mas quando se oferece isso tudo, e ainda alguma profundidade é que se tem um grande produto que qualquer consumidor vai querer conhecer. É patético um músico reclamar do público (Não é senhor Edu?), isso é uma democracia ou não? O público sempre foi o termômetro do trabalho dos artistas. O mais irônico é que esses músicos de Metal Melódico, que parecem presos à Idade Média nas suas temáticas, esquecem que o público daquela época atirava objetos nos artistas dependendo de sua aceitação ao espetáculo.
Nesse mercado todos são culpados, as bandas com seu trabalho mal elaborado e mal vendido, o público, que como é um problema sócio-cultural levará anos até poder ser amenizado, e as gravadoras, produtoras e afins, pela falta de investimento, apoio, incentivo e arrojo comercial. Porém não posso deixar de falar de um dos grandes culpados: A Mídia! A culpa da mídia é que ela não faz mais reportagens, não vai mais atrás de bandas, como os repórteres de campo da Rollingstone que descobriram o Black Sabbath e Led Zeppelin ainda excursionando. Hoje a maioria dos jornalistas sentam em suas redações e esperam o disco do interesse editorial da redação (Jabá) chegar pra elaborarem suas resenhas. Existem milhões de bandas boas de Metal no Brasil, outras muito originais, e muitas já acabaram por falta de incentivo e apoio, bandas diferentes que poderiam fazer mais pela música brasileira do que o próprio Angra.
A única coisa que posso afirmar com uma segurança quase que espiritual é que o Metal nacional só vai acabar quando não existir mais fã do estilo no Brasil, seja levando um cover despretensioso no fim de semana numa garagem da vida, ou com projetos mais ambiciosos engavetados em corredores sem fim dos prédios das corporações imperialistas que exploram o nosso mercado fonográfico, viva la revolución! (IRONIA).
Para quem ainda não viu o desabafo do cantor do Angra Edu Falaschi segue o link:
Outra informação muito instrutiva é sobre a origem da banda Angra, bem no finalzinho desta crítica aos shows e CD’s da mesma:
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O verso de "Pintura Íntima" que fez muitos pensarem que casal da letra usou cocaína
O guitarrista que Slash considera subestimado apesar de ser uma lenda do rock
Troy Sanders fala sobre nova formação do Mastodon, que conta com músico brasileiro
Tainá Bergamaschi (Crypta) toca "Territory" com o Sepultura em Dublin
A música do Nightwish que conquistou Steve Harris, líder do Iron Maiden
Como o Queen, Sylvester Stallone e uma guitarra quebrada produziram o maior hit de 1982
O disco mais subestimado (e experimental) do Van Halen, segundo a Metal Hammer
O rockstar cujo consumo de cocaína nos anos 70 assustava Glenn Hughes: "Nunca dormia!"
As únicas quatro músicas próprias que o Guns N' Roses ainda não tocou ao vivo
A melhor música de Bob Dylan de todos os tempos, segundo Paul McCartney
O fenômeno que contribuiu para a morte de Kurt Cobain, segundo Chris Cornell
Os 50 melhores discos de todos os tempos, segundo a Classic Rock
Blackie Lawless explica rompimento com Chris Holmes após primeiros discos do W.A.S.P.
Vocalista do Steelheart lança projeto com ex-guitarrista do In Flames
A grande discordância entre Kiko Loureiro e Paul Gilbert, segundo Marcos de Ros
A opinião de Slash sobre Dave Mustaine e "Rust In Peace", clássico do Megadeth
O dia que Mayrton Bahia partiu para cima de Renato Russo e botou dedo na cara dele
"Acho que o brasileiro se odeia, aqui parece que o cara só pode chegar a um certo nível"



5 bandas que todo fã sente inveja de quem viu ao vivo na formação clássica
Fabio Lione reage extremamente irritado após Circo Voador admitir erro sobre show
Angra revisita "Make Believe" e lança vídeo ao vivo gravado no Porão do Rock
Canal gringo esmiúça "Carolina IV" do Angra: "Tem todos os instrumentos aqui!"
O álbum do Angra inspirado na maior fake news de todos os tempos
Rafael Bittencourt e o problema dos guitarristas brasileiros: "Nos EUA não tem isso"
A reação de Rafael Bittencourt ao saber que Baden Powell recusou a Casa Branca
Como é tocar com um ex-membro de Shaman e Angra, segundo Paulo Ricardo
5 músicas que quando tocam no show todo fã de metal entra no mosh na hora
Guns N' Roses: o mundo visto do banquinho



