Metrópolis: Angra, Shakespeare, Metal e falta de informação

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Carlos Eduardo Garrido, Fonte: Café com Ócio
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

É impressionante como sempre que a grande mídia resolve falar sobre Heavy Metal a falta de informação e o preconceito transparecem nas reportagens. Exemplos disso não faltam e vão desde a cobertura de qualquer Rock in Rio até simples entrevistas que não duram mais que alguns minutos.

2156 acessosFalaschi: vamos surpreender na 2ª parte da turnê Return of Shadows5000 acessosTrollagem: quando as bandas decidem zoar com o playback

Recentemente tive outro exemplo disso. O programa “Metrópolis” da TV Cultura conduziu uma breve entrevista com a banda ANGRA a respeito de seu recém-lançado novo álbum, que leva o título de “Aqua”. Triste ver que até mesmo em uma emissora com um nível acima das outras, pelo menos, culturalmente falando, essa falta de informação ocorre.

Ainda no estúdio, na chamada da matéria, a falta de informação já reinava absoluta. Os apresentadores Cunha Jr e Adriana Couto chamam a matéria com a banda da seguinte forma: “Agora uma dobradinha que pode parecer esquisita: Heavy Metal e Shakespeare”. Pode parecer esquisita pra quem, Cunha Jr? Só se for pra você, que não entende nada de rock pesado. Literatura e metal caminham juntos há muito tempo, para sua informação. É muito comum encontrar músicas de heavy metal baseadas em obras literárias. Seria estranho se funk, axé, sertanejo ou qualquer outro desses estilos, estivesse ligado a essa temática.

Desde que o Heavy Metal ganhou esse nome, inúmeras bandas do estilo criaram músicas e, por vezes, álbuns inteiros baseados em livros. A lista é imensa e vai desde IRON MAIDEN com suas “To Tame A Land”, baseada no épico “Duna” de Frank Herbert e “Rime of the Ancient Mariner” baseada no poema de Samuel Taylor Coleridge, até o clássico disco “Nigthfall in the Middle-Earth” inteiramente conceituado na obra “O Silmarillion” de J.R.R. Tolkien, até a mais recente “The Odyssey” dos estadunidenses do SYMPHONY X, fundamentada na “Odisseia” de Homero. O próprio Shakespeare já foi homenageado tendo sua obra “Hamlet” completamente musicada por bandas nacionais no projeto de mesmo nome lançado pela gravadora Die Hard Records em 2002, tendo atingido um resultado deveras satisfatório.

Mas os exemplos não param por aí. Muitos outros grupos, e até esses já citados, compuseram muitas outras músicas e álbuns tendo livros como conceitos. Isso sem falar, nos casos em que a linha-guia não foi livros em si, mas a própria história e guerras da humanidade. O que mostra que o Heavy Metal é sim, um estilo com muita bagagem cultural e um dos poucos que em suas letras consegue fugir do já banalizados temas “amor, traições e afins”.

Como se a gafe da “dobradinha esquisita” já não tivesse sido suficiente, na entrevista a seguinte pergunta é feita ao guitarrista Rafael Bittencourt: “O que será que Shakespeare acharia desses solos virtuosos e tanta barulheira?”. Pera lá, solos virtuosos, tudo bem. Agora, tanta barulheira, é um pouco ofensivo, heim seu Cunha? De qualquer forma, o guitarrista respondeu muito bem, leiam: “É possível que Shakespeare, como um cara inteligente que era, ia gostar muito de Heavy Metal, que é um som bastante sofisticado. Ele ia adorar, com certeza”. Parabéns Rafael!

Só nos resta saber até quando esse preconceito e falta de informação da grande mídia contra o metal irá continuar. Mas algo me diz que ainda vai durar por muito tempo. Para encerrar, deixo aqui um recado ao pessoal da TV Cultura e da mídia em geral: dobradinha esquisita de verdade é essa que, infelizmente, assola o nosso país: jornalismo e falta de informação. Sad but true.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Edu FalaschiEdu Falaschi
Vamos surpreender na segunda parte da turnê Return of Shadows

177 acessosAltair: comédia diabólica de Progressive/Power Metal809 acessosAngra Fest: com Massacration, Geoff Tate, Noturnall e outros0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Angra"

KrisiunKrisiun
"Edu Falaschi não viveu o underground"

Black SabbathBlack Sabbath
Ícones do metal nacional se despedem da banda

ViperViper
Resgatado registro da primeira apresentação

0 acessosTodas as matérias da seção Opiniões0 acessosTodas as matérias sobre "Angra"

TrollagemTrollagem
Quando as bandas decidem zoar com o playback

DoentioDoentio
Black Metal composto apenas com gritos de pacientes loucos

Top 10 GuitarristasTop 10 Guitarristas
Matéria empolgada no Jornal da Globo

5000 acessosAC/DC: A origem do nome da banda5000 acessosLágrimas nos olhos: 25 músicas para chorar5000 acessosAndreas Kisser: "Eloy Casagrande talvez não seja humano"5000 acessosGame Of Thrones: os dez personagens mais Metal da série5000 acessosBateristas: os dez melhores em vídeo, com algumas surpresas5000 acessosKing Diamond: As memórias de um professor de História

Sobre Carlos Eduardo Garrido

Jornalista formado. Descobriu o Heavy Metal aos 15 anos de idade e desde então, não vive mais sem esse estilo de música. Suas bandas preferidas são Metallica, Iron Maiden, Savatage, Angra, Blind Guardian, dentre muitas outras. Através do jornalismo conseguiu unir suas duas paixões: escrita e música. Além de colaborar com o Whiplash, mantém o blog ociocomcafe.blogspot.com.

Mais matérias de Carlos Eduardo Garrido no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online