Gosto não se discute.
Por André Meiches Reichhardt
Postado em 10 de julho de 2009
"Gosto não se discute". Essa é a melhor e única saída que se tem quando a discussão não tem mais rumo algum, apenas enaltecer o refinado gosto próprio e repudiar o diferente. É sabido que existem certos níveis de instrução dos músicos que passam pelos nossos ouvidos ao longo da vida. Porém pode - se colocá – los à prova um contra o outro? Afinal, a questão de gosto é legitima ou não?
Existem doze notas e delas não se sai. Seja Rock, Jazz, Samba ou Clássica. Então por que conseguimos reconhecer o que é bom e o que é ruim? Como diz o aclamado músico brasileiro, Mozart Melo, "Não existe música ruim, existe música mal tocada". Ele tem razão. Uma música de harmonia complexa e sofisticada que seja tocada de forma infantil e displicente é muito pior do que uma música composta de dois acordes (conjunto de notas tocado ao mesmo tempo) executada de forma extraordinária. Miles Davis era mestre nisso.
Discutir gosto musical é como discutir política, existem pontos de vista e ideais, mas por mais que a outra pessoa o convença de que está errado (ou que o seu gosto musical é fraco), você não largará seu ponto de vista, seus ouvidos. Sendo assim, a discussão torna-se estúpida e impertinente.
Todo esse contexto cultural que nos cerca analisa a sociedade de acordo com o ponto de vista do artista, seja em momentos de sofrimento ou de alegrias e embriaguez. Sendo assim, não podemos julgar uma poesia feita em um lugar que não conhecemos, não sabemos sobre seu funcionamento e não sabemos quantos significados aquela palavra tem naquele lugar, ou podemos?
Caso analisemos o ponto de vista musical da questão, pode-se dizer "isso presta, isso não", mas a legitimidade está comprometida com a quantidade de informação e repertório cultural que a pessoa leva. Não podemos criticar o gosto musical de alguém que não teve acesso à informação e cultura, como a maioria dos críticos teve.
Alguém tem culpa? Sim. A falta de educação musical e precariedade de ensino cultural não fazem com que as pessoas se interessem em buscar o belo, o rigoroso, a música que é feita para ser apreciada por séculos. Pelo contrário, tudo o que ouvimos hoje nas rádios modernas é lixo enlatado e descartável, porém de graça.
Onde quero chegar é que a falta de estímulo em buscar conhecimento resulta num povo acomodado, que aceita e se satisfaz com o que lhe é oferecido. Como bem sabemos, aquilo que gera lucro alto em curto prazo aos donos dos meios de comunicação.
Mas mesmo que se tente "ensinar" como apreciar a música, volta-se no conceito mais básico da arte, como já dito, a analise da sociedade na visão do artista. Mozart não parece lindo para qualquer um. Aquela pessoa está inserida num contexto onde música significa dança, alegria e festa, não apreciará como se deve a obra, por plena falta de conhecimento e de conceitos pré-estabelecidos sobre música.
Caso decidíssemos radicalizar, colocando alguém sem instrução numa jaula por um mês (a prisão tem por objetivo disciplinar seres humanos) com música erudita em caixas de alta definição de som, a pessoa mudaria? Deixaria de ouvir aquilo (música enlatada gratuita) para passar a ouvir apenas Beethoven, Bach, Mozart e outros compositores clássicos?
Como havia dito antes, a arte como retrato de um contexto não irá retirar a pessoa do meio em que vive e inseri-la noutro, onde todos que apreciam música a limitam à erudição. Música pode significar outra coisa para essa pessoa.
O fato de que o gosto deve ser discutido, não tira da crítica a forma de exposição das idéias e da subjetividade de quem a faz. Você diz muito de si próprio quando critica algo ou alguém, "A critica é a forma mais civilizada de autobiografia", dizia Oscar Wilde. É importante até para o artista, discutir sua obra, pois assim conhece a opinião de quem a escuta e como sua obra repercutiu. Para ele, uma auto-definição por meio dos outros.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Foo Fighters - "Tenho muito a falar, mas preciso tomar cuidado", diz Josh Freese
O que o retorno de Angela Gossow ao Arch Enemy representa na prática?
Quem é Berzan Önen, o novo vocalista turco e fortão do Nevermore
Regis Tadeu afirma que último disco do Megadeth é "uma aula de dignidade"
Alex Skolnick (Testament) lembra audição para o Spin Doctors
"Ouvi e achei muito interessante": lenda do rock aprova o Sleep Token
Vocal do Lamb of God diz que antigo logo da banda parecia cardápio de restaurante
Dois anos após lançamento, guitarrista reflete sobre álbum mais recente do Pearl Jam
Tour manager do Guns N' Roses fala sobre emoção de Axl ao conhecer Ozzy Osbourne
"Não havia uma única mulher na plateia": o começo estranho de uma lenda do rock
Citando "João 2: 16", Ghost lança videoclipe para a música "Umbra"
O melhor álbum solo de cada membro do Guns N' Roses, segundo o Loudwire
A música do Queen que Brian May diz resumir o que a banda era "de verdade"
Bill Hudson: "Qualquer coisa que não são essas duas bandas é percebida pelo público como amador"
Jeff Loomis conta como honrará o legado de Warrel Dane na nova formação do Nevermore


Será que todo fã é um idiota? Quando a crítica ignora quem sustenta a música
Desmistificando algumas "verdades absolutas" sobre o Dream Theater - que não são tão verdadeiras
A farsa da falta de público: por que a indústria musical insiste em abandonar o Nordeste
A nostalgia está à venda… mas quem está comprando? Muita gente, ao menos no Brasil
Afinal o rock morreu?
Será mesmo que Max Cavalera está "patinando no Roots"?
Lojas de Discos: a desgraça e o calvário de se trabalhar em uma
Avenged Sevenfold: desmistificando o ódio pela banda


