Relançamento de álbum 'perdido' do Raul Seixas

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Por Marcos A. M. Cruz
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Muito se fala, principalmente em discussões sobre bandas, sobre a tal "atitude roqueira" que certos artistas possuem (e alguns fazem de conta); tanto que acabamos por lançar aqui no Whiplash um mural dedicado ao tema (e que, de acordo com meu ponto de vista, infelizmente devido a alguns indivíduos que participam do mesmo, acabou se desvirtuando em demasia do que poderia vir a render excelentes discussões...). :o(

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E é justamente esta "atitude" que caracteriza RAUL SEIXAS, considerado por alguns um dos maiores roqueiros que o Brasil já teve - senão um dos poucos, pois há quem diga que ele, ao contrário de outros que "tocavam Rock no Brasil", literalmente criou um "Rock brasileiro", ao fundir Rock'N'Roll, Baião, Xaxado etc, tudo isto numa obra artística que transcendeu sua morte.

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(mas isto é assunto para uma looonga discussão, que não cabe aqui...)

No início de 1973, Raul já havia alcançado uma certa repercussão com os dois álbuns que havia editado, o "Raulzito & Os Panteras" e o "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista, Apresenta 'Sessão das 10'" - mesmo apesar deste último ter-lhe rendido uma demissão da gravadora CBS, pois foi lançado sem autorização. E sendo assim, resolve "homenagear" o que considerava como sendo o "Rock legítimo", ou seja, aquele feito até 1959, ano da ida de Elvis Presley para o exército, tendo então registrado uma série de covers daquela época, juntamente com alguns clássicos da "Jovem Guarda" brasileira, ladeado por Gay Vaquer e Rick Ferreira nas guitarras, José Bertrami no teclado, Novelli no baixo e Bill French na bateria.

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Entretanto, a Polyfar, de propriedade da gravadora Phonogram, não queria que o nome de Raul fosse estampado no disco, e com isto foi editado em maio de 1973 o álbum "Os 24 Maiores Sucessos Da Era do Rock", creditado a uma banda fictícia chamada "Rock Generation", contendo apenas o nome de Raul bem escondido na contra-capa, dividindo o cargo de Diretor de Produção com Nelson Motta.

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Neste álbum, a ordem das faixas era a seguinte:

Lado A: Rock Around The Clock / Blue Suede Shoes / Tutti Frutti / Long Tall Sally / Rua Augusta / O Bom / Poor Little Fool / Bernardine / Estúpido Cupido / Banho de Lua / Lacinhos Cor de Rosa / The Great Pretender.

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Lado B: Diana / Little Darling / Oh! Carol / Runaway / Marcianita / É Proibido Fumar / Pega Ladrão / Jambalaya / Shake, Rattle & Roll / Be-Bop-A-Lena / Only You / Vem Quente Que Eu Estou Fervendo.

(curiosamente, "Estúpido Cupido" e "Banho de Lua" não são cantadas por Raul, mas sim por um anônimo, cuja identidade até hoje permanece inédita)

Em junho do mesmo ano sai o álbum "Krig-Ha, Bandolo!", e em julho do ano seguinte o "Gita", que consolidam em definitivo o sucesso de Raul; e com isto a Phonogram resolve relançar o 24 Maiores Sucessos..., porém com o nome de "20 Anos De Rock" e outra capa, desta vez não apenas creditando Raulzito como também contendo uma foto sua estampada...

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Porém, para desgosto do artista, a ordem das músicas havia sido totalmente alterada! E como se não bastasse isto, ainda adicionaram uma introdução não existente na edição original e "enxertaram" palmas, assovios e ruídos diversos para dar a impressão de se tratar de um álbum ao vivo!


Isto sem contar que, em 1985, este mesmo álbum seria relançado com o título de "30 Anos De Rock", e sairia em edição digital em 1992 com o mesmo nome - só faltou mudarem o nome para "37 Anos De Rock"... :o))

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Comenta-se que Raul sempre teve vontade de relançar o álbum da maneira como havia concebido; mas infelizmente não sobreviveu para presenciar o trabalho que foi feito pela MZA Music, de propriedade do produtor Mazzola, que, após acertar um acordo de distribuição com a Universal, conseguiu acesso às fitas originais, e com isso procedeu a um rigoroso trabalho de reconstituição, que incluiu inclusive uma introdução que não havia sido editada nem mesmo na versão original, no qual Raulzito "tira uma" com Elvis Presley, sem contar que o próprio selo do CD reproduz o do LP original!

De acordo com as palavras de Mazzola: "se era para fazer, era para fazer direito. Pegamos as fitas originais, remixamos tudo, colocamos na ordem exata que Raul havia concebido em 1973. Foi um sonho realizado, um disco que vai ficar para a história".

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Sobre Marcos A. M. Cruz

Fanático por rock setentista.

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