Pearl Jam recolhe algumas pérolas do furacão grunge
Fonte: UOL Música
Postado em 09 de novembro de 2002
DIEGO ASSIS
da Folha de S.Paulo
É uma cena que não se via há muito tempo. Folhear os jornais e revistas estrangeiras desta e da semana passada e não encontrar uma entrevista com algum dos membros do Pearl Jam era tarefa quase impossível.
Dois anos e uma série de hostilidades com a imprensa, com a Ticketmaster e com os piratas da net depois de "Binaural", o último sobrevivente aos saques criativos a Seattle está de volta. E intacto.
"Riot Act", sétimo disco do grupo liderado por Eddie Vedder, 38, chega às lojas do Brasil na próxima segunda-feira -um dia antes do lançamento oficial nos Estados Unidos. Apesar do nome provocativo, o tal ato de revolta do Pearl Jam é, na verdade, um presentão para os órfãos da "geração X", vindo embalado com o melhor das guitarras do virtuoso Mike McCready e de Stone Gossard, além do baixo e da bateria seguros de Jeff Ament e Matt Cameron.
Das acústicas "Can't Keep" (ao menos em parte, já que não podemos esquecer que estamos pisando em território grunge), "Thumbing My Way" e "All or None" às mais familiares "I Am Mine" e "Save You", passando pelas esquisitonas "You Are" e "Help, Help", "Riot Act" parece ter nascido a partir da garimpagem das pérolas mais valiosas destes 11 anos de banda.
A voz de Vedder, aleluia, menos enjoativa do que de costume, serve bem ao punk, ao country ou à simples panfletagem de suas bandeiras. "Bushleaguer", por exemplo, é um recadinho pouco simpático ao atual presidente Bush; "Green Disease", com sua levada à Joy Division, questiona -e não perde a chance de tirar um sarro de- o consumismo; e finalmente, "Love Boat Captain", uma das raras vezes em que se vê o grupo experimentar com tecladinhos na linha de "Kid A" (disco "espacial" do Radiohead), presta homenagem aos nove garotos mortos durante o show do Pearl Jam no festival de Roskilde, na Dinamarca, em junho de 2000.
Para um cara consciente -alguém aí disse mala?!- como Vedder, é claro que o 11 de setembro também iria transbordar pelas arestas deste "Riot Act". "Todos estão tentando, mas este mundo é um acidente" ("Cropduster"). "É uma situação sem esperança/ e estou começando a acreditar/ que essa situação/ é exatamente o que quero alcançar" ("All or None"). "Toda a inocência perdida de uma só vez" e "Eu sei que nasci/ e sei que vou morrer/ mas neste meio-tempo eu sou meu" ("I Am Mine").
Vedder, em seu papel bem interpretado de líder, ri pouco, mas não estraga a festa (revolta, aqui, poderia ser entendida, possivelmente, como as performances festeiras dos ativistas do Reclaim the Streets). O entrosamento entre Cameron e Ament, a distinta cozinha do Pearl Jam, é inabalável. Em entrevista à revista "Billboard", o baterista comentou que gravou a última parte da visceral "Save You" sem os fones de ouvido, só acompanhando os dedos no baixo de Ament, autor das faixas mais rockers do disco (como "Ghost", "Get Right" e "1/2 Full").
Gossard e McCready, que continuam não se envergonhando em passar recibo de fãs de Zeppelin e Hendrix, de Smiths e The Cure, também estão entre os culpados por este "Riot Act". Rato de estúdio, em "You Are", McCready resolve tocar bateria. Detalhe: usando uma guitarra e um processador de efeitos que transforma as palhetadas do instrumento em sons de bateria e vice-versa.
Para os que não se contentam em depender dos empoeirados lançamentos do baú Nirvana, "Riot Act" é um valioso produto dos anos 90. Só que o "cheiro da adolescência", neste caso, está mais fresco do que nunca.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A reação de George Israel ao retorno do Kid Abelha
Confira a lista completa de eleitos ao Rock and Roll Hall of Fame 2026
Os dois álbuns do Metallica que Andreas Kisser não curte: "Ouvi apenas uma vez na vida"
Rafael Bittencourt usa Garrincha e Pelé para explicar diferença em relação a Kiko e Marcelo
Iron Maiden é confirmado no Hall da Fama do Rock; Bruce Dickinson vai aceitar a homenagem?
A sincera opinião de James Hetfield sobre "Master of Puppets", clássico do Metallica
Por que Leoni ficou de fora da reunião do Kid Abelha com Paula Toller? Lembre as brigas
O maior disco do metal para James Hetfield; "Nada se comparava a ele"
Quais são as 4 maiores bandas do heavy metal, segundo a Ultimate Classic Rock
Os 11 rockstars com a melhor reputação de todos os tempos, segundo a Loudwire
A resposta sincera de Aquiles Priester para quem diz que ele é "chato"
A música épica de 23 minutos que o Dream Theater tocará em seus próximos shows no Brasil
A melhor banda que Dave Grohl já viu: "Vontade de beber cem cervejas e quebrar janelas"
Por que o Shamangra voltou após anúncio do fim da banda, segundo Luis Mariutti
Rage anuncia cancelamento de turnê pela América do Sul
Por que Lemmy odiava tocar "Ace of Spades" nos shows do Motörhead
Slayer: "Não sei improvisar", diz Kerry King
A opinião de Roger Waters sobre o Radiohead em seu auge criativo

Guitarrista do Pearl Jam se questiona se valeu a pena ao lembrar os mortos da cena de Seattle
O maior álbum grunge para muitos, e que é o preferido de Eddie Vedder
Pearl Jam gastou uma bela grana para gravar "Ten", seu primeiro disco de estúdio
10 músicas de rock que os próprios artistas preferem esquecer, além de um álbum inteiro
Lado feminino: astros do rock que se vestiram de mulher



