Guitarrista do Pearl Jam se questiona se valeu a pena ao lembrar os mortos da cena de Seattle
Por Bruce William
Postado em 13 de abril de 2026
Mike McCready falou de um jeito bem pesado sobre a memória dos músicos que perderam a vida e fizeram parte da mesma cena que ele em Seattle. Em entrevista à Guitar World (via Ultimate Guitar), o guitarrista do Pearl Jam contou que esses nomes continuam voltando à sua cabeça até hoje e que isso acabou entrando diretamente na criação de "Farewell to Seasons", projeto descrito como um "álbum gráfico" e ópera rock que ele vem desenvolvendo há muitos anos.

"Eu estava pensando nos vocalistas que morreram na nossa cena. Tive sonhos com alguns deles e eles me assombram às vezes. Eu ficava pensando: 'Valeu a pena para todos esses caras e mulheres?'" A declaração mostra um lado mais melancólico de alguém que viu por dentro uma geração de músicos muito celebrada, mas também profundamente marcada por perda, excesso e tragédia.
McCready disse que partiu da própria vivência para escrever o novo trabalho. "Eu só podia escrever sobre o que conheço. Mas eu queria fazer isso no contexto de uma ficção histórica da cena musical de Seattle. E eu queria mudar os nomes e criar um mundo próprio dentro dela." Ou seja: o projeto não pretende ser relato documental puro, mas fica claro que nasce de lembranças muito concretas de quem esteve ali quando tudo aconteceu.
Ao olhar para trás, ele também destacou como aquela explosão parecia improvável. "É difícil pensar em toda a cena e em como todos eram jovens e ingênuos, e como essa explosão aconteceu nesta cidade relativamente provinciana e pequena de Seattle, Washington, onde todos se conheciam." McCready lembrou ainda de sua antiga banda, Shadow, e disse que queria incluir esse pedaço da própria história no novo trabalho, ligando a ficção à realidade que viveu antes da fama mundial bater à porta.
Na sequência, o guitarrista citou alguns dos nomes que seguem rondando sua memória. "Mais tarde, ter a chance de tocar com Layne Staley, Chris Cornell ou Mark Lanegan, todos esses vocalistas incríveis, e agora eles se foram." Ele também mencionou Kurt Cobain, mesmo admitindo que não o conheceu de fato, além de puxar até Jimi Hendrix para essa linha de pensamento sobre artistas interrompidos cedo demais.
A reflexão final foi talvez a mais triste de todas. "O que eles estariam fazendo agora? Seriam artistas de blues? Seriam pintores? Isso é o que me assombra até hoje." Vindo de alguém que participou do Temple of the Dog, esteve no Mad Season e atravessou por dentro aquela geração de Seattle, ela soa mais como uma dúvida que nunca parou de ecoar. E a fala de McCready ajuda a lembrar que a chamada "cena grunge", gostem ou não do rótulo, foi feita por gente muito jovem que viveu uma ascensão gigantesca em pouco tempo e, em vários casos, pagou caro demais por isso. Décadas depois, quem ficou continua tentando entender o tamanho daquele estouro, e o tamanho do vazio que veio depois.
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