O maior álbum grunge para muitos, e que é o preferido de Eddie Vedder
Por Bruce William
Postado em 08 de abril de 2026
Quando se fala em grunge, muita gente corre direto para "Nevermind", "Ten", "Dirt" ou "Superunknown". Só que, para Eddie Vedder, um dos discos mais importantes daquela geração parece estar um pouco antes disso no calendário e num ponto mais ríspido da história do Soundgarden. O álbum em questão é "Badmotorfinger", lançado em 1991, trabalho que ajudou a colocar a banda num novo patamar e que entra fácil entre seus discos favoritos de todos os tempos.
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A frase apareceu em 2020, numa conversa de Vedder com Lily Cornell Silver, filha de Chris Cornell. Ela surgiu no meio de uma lembrança bem concreta. Vedder contou que Cornell costumava buscá-lo ainda de madrugada para sair pela região noroeste dos Estados Unidos, nadar em água gelada e se meter em trilhas cada vez mais absurdas. Em uma dessas, os dois acabaram praticamente pendurados numa montanha, sem conseguir se mover, uns 15 metros acima do chão pedregoso.
Foi nesse ponto da história que entrou "Badmotorfinger". Segundo Vedder, os dois começaram a rir quase até chorar ao perceberem o tamanho da enrascada em que estavam: "Eles tinham acabado de terminar 'Badmotorfinger', um dos meus discos favoritos de todos os tempos, de qualquer banda." E não é difícil entender o porquê. "Badmotorfinger" foi o terceiro álbum do Soundgarden e saiu em outubro de 1991, no mesmo ano em que o mundo viu explodirem "Nevermind" e "Ten". Só que o disco do Soundgarden vinha por outra trilha. Era mais torto, mais metálico, mais pesado e menos disposto a facilitar a vida de quem procurava refrão limpinho. Faixas como "Rusty Cage", "Outshined" e "Jesus Christ Pose" mostravam uma banda que parecia puxar Black Sabbath, punk, hard rock setentista e um certo caos de Seattle para dentro do mesmo caldeirão.
Talvez por isso o disco tenha envelhecido tão bem para muita gente, analisa a Far Out. "Superunknown" acabaria virando o grande estouro comercial do Soundgarden em 1994, mas "Badmotorfinger" ainda carrega algo mais bruto, mais faminto e menos polido. É o tipo de álbum que não tenta agradar tanto assim e justamente por isso acaba deixando marca mais funda em parte do público. Para um sujeito como Vedder, que sempre teve um pé na tradição do rock clássico e outro nessa sensibilidade mais ferida e física do grunge, faz bastante sentido que um disco assim tenha ficado tão alto na prateleira.
Tem ainda outro detalhe aí. A fala sobre Badmotorfinger não vem isolada da relação entre Vedder e Cornell. Os dois se admiravam, tinham histórias juntos e viveram de perto aquele momento em que bandas de Seattle deixaram de ser assunto de nicho para virar fenômeno mundial. Então, quando Vedder puxa esse disco como um dos favoritos da vida, ele está falando da música, claro, mas provavelmente também da memória que ficou colada nela: a amizade, a época e aquela sensação de que tudo ainda estava prestes a explodir.
E talvez seja isso que dê mais peso à frase. Vedder não estava apenas dizendo que "Badmotorfinger" era um grande álbum do grunge. Ele estava colocando o disco num grupo ainda menor, o dos trabalhos que ultrapassam seu tempo, sua cena e até a própria banda que os fez. E, convenhamos, quando alguém como Eddie Vedder chama um disco de "um dos meus favoritos de todos os tempos, de qualquer banda", já não dá para dizer que se trata apenas de mais um bom álbum de 1991.
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