Festival punk de 1982 ganha reedição 20 anos depois
Fonte: Folha OnLine
Postado em 04 de novembro de 2002
DIEGO ASSIS
da Folha de S.Paulo
A profecia não se cumpriu. Ao contrário do que anunciavam em 1982, no histórico festival O Começo do Fim do Mundo, os punks de São Paulo têm, de hoje até o próximo sábado, o maior evento dedicado ao gênero que a cidade já sediou.
Parte da 2ª Semana Jovem, promovida pela prefeitura, O Fim do Mundo leva ao palco da Casa de Cultura Tendal da Lapa nada menos do que 62 bandas punk da capital e de outros Estados, além de uma série de debates, exibições de vídeos, lançamento de fanzines e mostras fotográficas.
Segundo o músico Ariel, 42, integrante daquela que é considerada a primeira banda do estilo no país, a Restos de Nada, formada no final de 1977, "é o segundo maior festival punk do mundo", só perdendo para o inglês Hollydays in the Sun -que reuniu 120 grupos em sua última edição.
A responsabilidade de abrir os shows de hoje está nas mãos do Cólera, que para os fãs do estilo dispensa credenciais, mas que, enfim, é um dos mais respeitados nomes do punk brasileiro, em seus 23 anos de atividade.
"Encaro o punk como um movimento social, cultural e político.
Infelizmente não dá para viver só de música, mas isso só nos incentiva a lutar e a vencer barreiras", afirma Redson Lopes, 40, vocal e guitarra do Cólera, primeira banda de rock nacional a fazer uma turnê na Europa, em 1986.
Não menos ilustres, apresentam-se ainda hoje o DZK e os Excomungados -cujos membros também ajudaram a fazer a história do movimento naquele novembro de 1982-, tocando ao lado de nomes relativamente novos como os pernambucanos do Os Cachorros e as garotas do Infect.
"Muitas bandas estavam paradas nestes 20 anos e voltaram a ensaiar só para esse festival", conta Ariel. É o caso do Lixomania, dos cariocas do Eutanásia e do próprio Ulster, outro grupo seminal da cena punk de SP.
Dos nomes da nova geração, que troca os tiozinhos do Sex Pistols pelos moicanos tatuados do Rancid, NOFX e de outros grupos do punk californiano, uma boa amostra pode ser conferida na próxima quarta-feira, nos shows de Holly Tree, Lambrusco Kids e Mingau Matador, banda que tem em sua formação Erik Ramos, filho do punk veterano Ariel.
"Acho as bandas novas musicalmente muito mais interessantes, com letras boas e criativas, que não ficam só repetindo os clichês do punk", diz Antonio Bivar, 62, idealizador de O Começo do Fim do Mundo, de 82, e autor de diversos livros sobre o gênero.
Assim como Lopes, Bivar considera o movimento não só em suas características musicais, mas principalmente em sua relação com a contracultura. "O punk foi um divisor de águas. Sua atitude influenciou diversas correntes, como o próprio hip hop, que é uma espécie de "punk negro".
Daí que O Fim do Mundo aposta suas fichas na chamada "cultura punk". Além da exibição de vídeos, que retratam diversas épocas do movimento no Brasil, o evento contará com debates sobre política e desobediência civil e o lançamento do segundo número do fanzine "Cadernos da Sarjeta", produzido durante uma oficina preparatória para o festival.
"O punk teve também de se adaptar à globalização", opina Ariel, que, se há 20 anos lutava contra o fantasma do regime militar, hoje apóia manifestações contra a Alca e pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional. "A produção está a mil: temos poesias, fotos e até um artista plástico [André Araujo" que focam suas atenções no movimento."
O caos adiado
Não é à toa que O Começo do Fim do Mundo é considerado o pontapé inicial da cena punk. Se revelou bandas como o Cólera, os Inocentes e os Ratos de Porão (trio responsável pelo histórico registro fonográfico "Grito Suburbano", também de 82), o festival realizado no então recém-inaugurado Sesc Pompéia chamou a atenção do jornal americano "Washington Post", rendeu quatro páginas na bíblia independente "Maximmum Rock'n'Roll" e uma reportagem no "Fantástico" que mostrava menos o som e mais as brigas dos punks com os futuros "carecas do ABC".
Em comemoração dos 25 anos de punk no mundo, Bivar e Ariel reuniram-se, no ano passado, para outro festival. A Um Passo do Fim do Mundo, que será mostrado em vídeo durante o evento, reuniu 8.000 pessoas e provou que o movimento ainda está longe de presenciar seu apocalipse.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden e Judas Priest estavam acertando turnê juntos para 2026, segundo Ian Hill
O disco que Ian Hill considera o melhor do Judas Priest (não é "Painkiller")
A declaração de James Hetfield não surpreende, considerando de onde veio
Fãs esculacham o Metallica após discurso feito por James Hetfield em show
Guns N' Roses vai gravar novas músicas em 2027, garante Slash
150 clássicos do heavy metal que foram lançados há mais de 40 anos
A melhor banda brasileira de prog metal segundo o Loudwire
A banda que Freddie Mercury e Dave Grohl colocam acima de todas e Axl Rose discorda
Slash e banda moraram juntos para escrever músicas do novo álbum
Agora é oficial: Dream Theater começa a trabalhar no próximo álbum
O músico que não emplacava em estúdio e criou um dos ao vivo mais vendidos da história
As 10 melhores músicas do Metallica nos anos 1990, segundo a Metal Hammer
A música dos Beatles que Paul McCartney suspeitava ter sido escrita também por Yoko Ono
Três hits muito diferentes do catálogo das bandas que os gravaram
A música em que Ozzy Osbourne se vingou do pastor que o chamava de Anticristo
Fotos de Infância: Red Hot Chili Peppers
Tony Iommi: surpreendendo ao eleger seu "Deus do Rock"
A banda de Hard Rock dos anos oitenta que para Axl Rose "ferrou com tudo"


Mike Portnoy: renda de Spotify no ano todo mal paga um jantar; veja valores
O primeiro tecladista estrela do rock nacional: "A Gloria Pires ficou encantada"
A fortuna de Axl Rose, vocal do Guns N' Roses, é a mais fácil do mundo
Mônica Guedes: "seus heróis morreram de overdose, os meus morrem na estrada, trabalhando
Hair Metal: Os maiores cabelos da história do rock pesado



