Grupo Metrô engata volta com beat desacelerado
Fonte: Folha Online
Postado em 01 de dezembro de 2002
Por esta ninguém esperava. Fenômeno efêmero que surgiu e sumiu sem deixar rastros após sucessos pop dos 80 como "Beat Acelerado", "Sândalo de Dândi" e "Johnny Love", o Metrô está de volta, 15 anos depois do fim.
Hoje, se afastam do pop eletrônico e juvenil do Metrô safra 85 e trazem um disco (independente, mas distribuído pela Trama) de bossa-MPB-música eletrônica que segue a trilha aberta no exterior por Bebel Gilberto.
"Déjà Vu" foi gravado a despeito da dispersão dos "meninos". A vocalista Virginie, 39, após desistir da música e dar aulas de inglês, casou-se com um diplomata e tem perambulado por Namíbia, França e, atualmente, Moçambique. Dany Roland, 40, hoje músico e ator ligado à diretora Bia Lessa, morou em Paris, Bruxelas, Ilha Bela e São Paulo, fixando-se no Rio. Yann, 39, vive em São Paulo.
Dois membros originais ficam de fora: Alec, envolvido com outros trabalhos musicais, e Zaviê, que tocou baixo em "Déjà Vu", mas não se comprometeu com o grupo por causa de seu restaurante em São Paulo, La Tartine.
A idéia prosperou, eles admitem, a partir do assédio de gravadoras que, motivadas por retornos como o do Capital Inicial, vieram propor revivals, acústicos e outros bichos aos ex-Metrô.
As expectativas se inverteram quando foram mostrar o resultado do que fizeram por conta própria, em casa. "Um dos executivos não só achou horrível como disse que era uma das piores coisas que ele ouviu na vida. É a cabeça deles, por isso o mercado está como está", diverte-se Roland.
Tais divergências parecem ser do código genético do grupo. "Fazíamos shows gigantescos em estádios, mas saíamos muito frustrados. Aquilo não nos interessava. Éramos amigos, tocávamos por farra, por gostar de música. O fim foi natural, acho que o Metrô não teve absolutamente nenhuma importância", afirma Roland.
Em São Paulo para promover o CD e passar o Natal, Virginie reforça o espírito paralelo que norteia o Metrô: "O fato de eu ser cantora e lançar CD de vez em quando não foi algo que procurei. Decorre do fato de eu gostar de cantar. Parei e dei esse tempo porque não estava mais sendo assim".
Sobre a virada do pop-rock à bossa-MPB, eles se defendem rapidamente. Diz Roland: "Sempre tivemos muito pé na MPB, em Novos Baianos. Virginie era totalmente MPB, a convidávamos para ir ao Napalm e ela dizia que ia em roda de samba".
Ela completa: "Beat Acelerado" era uma bossa. Na época, aceleramos e mudamos sua linguagem porque havia a preocupação, não de nossa parte, de ser comercial. Agora é a linguagem original. Não queremos dor de cabeça, só música".
PEDRO ALEXANDRE SANCHES
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