Astros disputam 15 minutos de sucesso no Live 8

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Fonte: Folha Online
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Matéria de 04/07/05. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

THIAGO NEY
da Folha de S. Paulo

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O que menos importava no Live 8 era a música. "Não queremos seu dinheiro, queremos sua presença" é o slogan da campanha de Bob Geldof que busca diminuir a miséria na África. E presença ele teve: no sábado, mais de 1 milhão de pessoas se reuniram nas dez cidades que receberam shows, e mais de 3 bilhões, segundo os organizadores, assistiram pela TV, internet ou ouviram por rádio.

Com mais de cem artistas se apresentando, não dá para esperar muito de alguém que tem apenas 15 minutos para tocar, mas teve quem se sobressaísse.

O principal foco deste Live 8 era o Hyde Park, em Londres, palco de nomes como U2, Coldplay, Scissor Sisters, Paul McCartney, Madonna, R.E.M. e da aguardada reunião do Pink Floyd. Filadélfia, Moscou, Paris, Berlim, Tóquio, Johannesburgo, Barrie (Canadá), Roma e Cornwall (Inglaterra), também estavam no mapa. O próximo concerto será nesta quarta, em Edimburgo, durante a reunião do G8.

O evento foi transmitido mundialmente pela TV, e no Brasil chegou via MTV. A emissora se esforçou para mostrar bastante de todos os lugares, mas em vários momentos das mais de dez horas de transmissão a edição incomodou.

Exemplo: Se a pouca presença de artistas negros no Live 8 foi amplamente criticada, a MTV não ajudou muito ao não mostrar a apresentação da inglesa Ms. Dynamite --além dela, o único negro em Londres era Snoop Dogg. Pela internet, ficamos sabendo que ela cantou "Redemption Song", de Bob Marley...

A transmissão era entremeada por discursos pré-gravados de alguns artistas e por entrevistas no backstage. Em Londres, o Coldplay comandava coro de 200 mil pessoas. Vieram "In My Place" --em que Chris Martin cantou um pedaço de "Rocking All Over the World", do Status Quo, que abriu o Live Aid-- e, depois, "Bittersweet Symphony", de e com Richard Ashcroft (ex-Verve). Mas a MTV fez o favor de cortar a última música que o Coldplay iria tocar, "Fix You". Tudo bem, para que transmitir outra música da banda mais importante do mundo hoje?

Em todas as cidades, viam-se eventos bem comportados, familiares. "Você não verá McCartney e todas essas bandas no mesmo palco novamente", opinou Bob Geldof. Tomara que ele esteja certo, pelo menos com relação ao que ocorreu em Tóquio. Bjork e as babas Good Charlotte e McFly no mesmo palco? "Vinte anos atrás havia muitas bandas de uma única geração. Hoje há grupos de várias épocas", disse Adam Clayton, do U2. É verdade, e é também a única razão que explica Annie Lennox cantar "Sweet Dreams" em 2005.

Esse contraste entre o novo e o velho tem seu clímax no show de Elton John com o junkie nº1 do rock inglês, Pete Doherty (do Babyshambles). Doherty deu sentido mórbido a "Children of The Revolution", de Marc Bolan. Depois, ele e Elton John se despediram com um selinho na boca.

Artistas negros começaram a aparecer com as primeiras imagens do show de Paris e da Filadélfia. Na França, Craig David conseguiu acabar com "Come Together", dos Beatles. Evento para a TV, o Live 8 foi pontuado por imagens fortes, como um discurso de Nelson Mandela em Johannesburgo e Madonna cantando "Like a Prayer" com a africana Birhan Woldu, que havia sido retratada na miséria no Live Aid. E com "Ray of Light" e "Music", Madonna arrebentou.

Kanye West foi um dos pontos altos na Filadélfia. Brian Wilson e Roxy Music, em Berlim, Killers e Scissor Sisters, em Londres, e Duran Duran, em Roma, carregaram a causa sem fazer feio --não dá para dizer o mesmo de Sting, e Celine Dion. O dia acabava quando o Pet Shop Boys apareceu e lembrou que havia Live 8 também em Moscou. Passaram por Londres Robbie Williams e The Who, quando chegou a vez do Pink Floyd. O último show da banda com o baixista Roger Waters fora em 1981.

Tocaram "Breathe", "Money", "Wish You Were Here" e "Comfortably Numb". Waters parecia feliz. David Gilmour, não.

O Live 8 foi encerrado por McCartney, com "Get Back", "Helter Skelter", "Drive My Car", "The Long and Winding Road" e, acompanhado por praticamente todo o mundo que passara pelo palco londrino, "Hey Jude". Espera-se, agora, por quarta-feira.

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