Atrocity, Leaves Eyes e Angra em Pernambuco
Fonte: JC Online
Postado em 23 de abril de 2006
Sérgio Montenegro Filho e Ricardo Novelino
Especial para o JC OnLine
O sábado do Abril Pro Rock se notabilizou há vários anos como a noite dos "camisas pretas", por ser reservado às bandas de som mais pesado. Mas é provável que nem os freqüentadores mais assíduos do festival estivessem preparados para a surpresa que os aguardava nesse sábado, no palco principal armado no pavilhão do Centro de Convenções de Pernambuco. Uma surpresa com nome e sobrenome: Atrocity e Leave’s Eyes. Na verdade, duas atrações reunidas em um único "pacote".
Liderado pelo vocalista Alex Krull – batizado pela galera de "Rapunzel", por causa da longa cabeleira, com quase um metro de comprimento -, o Atrocity, por si só, já surpreende, com seu death metal pouco convencional. O vozeirão gutural é velho conhecido dos apreciadores do metal extremo, mas a banda alemã pontua seu som rápido e pesado com referências colhidas do rock industrial e não se intimida em lançar mão de bases sampleadas. Não bastasse isso, o show conta com a participação da norueguesa Liv Kristine, a loiríssima esposa de Alex, que usa sua voz de soprano lírico como backing vocal em várias músicas, numa suavidade que contrasta com o peso do som.
Mas as novidades não pararam por aí. Depois de uma hora de show, o Atrocity simplesmente se "transforma" no Leave’s Eyes. Sai o maridão Alex e Kristine assume a liderança dos vocais, à frente dos mesmos músicos. O som, porém, muda completamente, passando da brutalidade do death para linhas mais claras do gothic metal, onde entram desde influências nórdicas até as de música clássicas, adquiridas pela cantora na passagem pelo Theatre of Tragedy, sua antiga banda.
Para completar o circo de novidades do show Atrocity/Leave’s Eyes, Alex e Liv subiram juntos ao palco para duas covers absolutamente insólitas de bandas inglesas que fizeram sucesso nos anos oitenta: primeiro, The Great Commander, clássico dance do Depeche Mode. Depois, Shout, hit pop da dupla Curt Smith e Roland Orzabal, do Tears for Fears. Estranho? Pois a galera do metal gostou e pediu bis. Só não perdoou nos apelidos. O casal deixou o palco batizado como "Joelma e Ximbinha", uma referência ao casal que faz a linha de frente da banda brega Calypso.
A noite pesada do APR trouxe outras novidades. Uma delas, negativa, foi a redução do público, considerado o mais fiel do festival ao longo dos seus 14 anos de existência. Apesar de a organização anunciar um número estimado de quatro mil pessoas, o que se viu foi um pavilhão esvaziado, com uma platéia – na maioria adolescente - que dificilmente chegava a dois mil espectadores.
ANGRA - Um dos motivos da platéia esvaziada pode ter sido o preço salgado do ingresso (R$ 40). Mas é mais provável que tenha algo a ver com a escalação das bandas. Enquanto algumas eram pouco conhecidas do público local – a exemplo da dobradinha Atrocity / Leave’s Eyes –, outras são figurinhas carimbadas no Recife, como o Forgotten Boys e, principalmente, o Angra, que, embora estivesse estreando no APR, é campeã em número de shows na cidade. O último rolou há seis meses, em outubro de 2005, no Clube Português.
Mas quem esperou até meia-noite e meia não se decepcionou com o show dos cabeludos paulistas. No melhor estilo metal melódico, os caras estão na estrada há mais de um ano com a turnê do último CD, Temples of Shadows, que já lhes valeu cerca de 200 apresentações no Brasil e exterior, incluindo Japão e vários países da Europa, América do Norte e América Latina.
Ontem, porém, nada de cansaço. Em uma hora e meia de show, eles desfiaram quase todo o repertório do Temples of Shadows – abrindo com Spread your fire e Angels and demons, e acrescentaram várias faixas do disco anterior, Rebirth, que marcou a volta do grupo depois do racha que deu origem ao Shaaman, banda formada por metade dos seus antigos integrantes.
Porém isso não impediu os guitarristas Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro – fundadores do Angra – de desfiar alguns hits dos primeiros CDs, como Carry On e Evil Warning, ambos do primeiro disco da banda, Angels Cry, ou Carolina IV, do Holy Land. O momento mais "emocional" foi com Rebirth, faixa-título do CD, cantada em coro pela platéia depois que o vocalista Edu Falaschi agradeceu aos fãs de carteirinha do Angra – e no Recife há uma verdadeira legião deles – por terem "ajudado a banda a suportar as mudanças".
No final, o público foi ao delírio, premiado com uma cover de Flight of Icarus, da mega-banda inglesa Iron Maiden. "Quisemos prestar um tributo ao grupo, que criou o power metal", explicou Rafael, nos camarins, após expressar a satisfação do Angra em tocar pela primeira vez no APR. Coube a Rafael dar a notícia que os fãs tanto esperavam: a banda está em fase de composição das novas músicas, preparando-se para entrar em estúdio, e pretende lançar o novo CD em outubro ou novembro.
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