Kurt Cobain: Filme mostra lado desconhecido do líder do Nirvana
Por Alexandre Lenharo Morgado
Fonte: MTV.com
Postado em 25 de agosto de 2006
(Matéria publicada originalmente na MTV.com)
Quando o jornalista Michael Azerrad conheceu Kurt Cobain em 1992, ele esperava encontrá-lo injetando heroína, destruindo sua guitarra ou gritando coisas hediondas ao microfone. Afinal de contas, isto era tudo que ele havia lido sobre Cobain - que ele era um "usuário de heroína", um maníaco paranóico e um terror absoluto de ser entrevistado.
Mas ao invés disso, ao final de um longo corredor em seu apartamento em Los Angeles, Azerrad ficou cara a cara com Kurt Cobain e constatou: o astro era um tanto silencioso, mas totalmente como um jovem de 25 anos.
"Tudo que eu sabia era que ele era um viciado que estourava instrumentos e gritava", disse Azerrad. "Courtney Love me cumprimentou na porta da frente de seu apartamento, e nós andamos juntos por esse longo corredor, com um quarto ao final. Eu temia o que encontraria dentro desde quatro, mas o que descobri foi um homem deitado na cama, com os pés apontados para a porta. Seus pés estavam saindo debaixo de um cobertor, e suas unhas estavam pintadas de vermelho. Ele era realmente simpático, me disse para entrar e sentar. Então ele me ofereceu uvas."
Azerrad entrevistou Cobain para uma história de capa da revista Rolling Stone, mas ele conseguiu mais do que a atração de seu encontro inicial. Os dois partiram para uma rápida amizade - "Nós criamos laços sob o fato de que quando ambos éramos jovens garotos não nos dávamos bem com os atletas no Colegial", riu Azerrad - e esta amizade iria durar pelo resto da vida do frontman do NIRVANA.
Então, no final de 1992, Azerrad surgiu com a idéia de escrever um livro sobre o grupo, e Cobain ficou animado. Nos próximos meses, ele convidaria o autor para sua casa em Seattle para entrevistas sob condições muito diferentes.
"Eu voava de Seattle para Nova Iorque, e ele me ligava e dizia, 'OK, legal, venha lá pela meia-noite'", disse Azerrad. "Então eu tirava uma soneca, e ia para lá. Nós começávamos a falar, e com frequência conversávamos até o sol nascer. Era basicamente um homem em sua cozinha, falando com alguém que confiava nas horas calmas da manhã. A TV estava sempre ligada. Ele era um grande fã de 'Speed Racer'. Ele adorava Chim Chim e o macaco. Ele sentava em sua cozinha usando jeans rasgados e uma camiseta de pijama."
Os dois gravaram quase 25 horas de entrevistas, o grosso do qual foi usado no livro definitivo de Azerrad sobre o NIRVANA "Come as You Are", de 1993. Mas pouco mais de sete meses após o lançamento do livro, Cobain tirou sua própria vida de sua casa em Lake Washington, a Azerrad colocou o material restante na prateleira, até o momento.
O resultado final da colaboração de dois anos entre Cobain e o jornalista é mostrado agora, em "Kut Cobain: About a Son", um filme que revela o homem por trás da pessoa pública. Baseado em 90 minutos de conversação tirada das fitas, unida com fotografia ambiente filmada nas cidades do estado de Washington: Aberdeen (onde Cobain nasceu), Olympia (onde passou sua juventude) e Seattle (onde morreu). É um documentário apenas no sentido mais leve da palavra. Mais do que isso, via as próprias conversações de Cobain no âmbito pessoal, o filme revela uma biografia próxima e impressionante do homem que poucos realmente conheceram.
"About a Son" fará sua estréia mundial em 10 de setembro no Toronto International Film Festival, e após isso Azerrad espera levar o filme para todo o país. Mas ele avisa desde já: o filme não é fácil de assistir.
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