Judas Priest: K. K. Downing fala sobre "Nostradamus"
Por Felipe Ferraz
Fonte: Blabbermouth
Postado em 19 de maio de 2008
Jeb Wright da Classic Rock Revisited conduziu uma entrevista com o guitarrista do JUDAS PRIEST, K. K. Downing, no dia 6 de maio. Nela, o grande tema abordado foi o novo trabalho da banda, "Nostradamus".
Classic Rock Revisited: O que você sabia sobre Nostradamus?
Downing: "Nada. Não foi muito difícil aprender sobre ele. Nosso empresário imprimiu algumas coisas. Quando você começa a ver que ele pediu para ser enterrado em pé, então se torna interessante. Ele usou um medalhão com um ano no pescoço. As pessoas que o desenterraram, quando seu corpo foi exumado, viram o ano no medalhão e piraram, porque era o ano em que eles o desenterraram. A segunda vez que o desenterraram foi por soldados que beberam vinho em seu crânio. Eles foram massacrados quando voltavam pra casa. Ele também se interessava por metais, em fundi-los - ele provavelmente estava ficando chapado pelas fumaças. Eu não estou dizendo que eu acredito em tudo, mas ele teve algumas coisas bem Metal em sua vida. Foi uma grande viagem e desafio para nós descrevê-la. Os sentimentos estão verdadeiramente lá. Nós já havíamos colocados nossas emoções em nossa música antes, mas dessa vez é bem mais profundo".
Classic Rock Revisited: É diferente escrever sobre ele já que se trata de uma pessoa de verdade?
Downing: "Eu acho que isso fortaleceu, porque você está documentando uma pessoa com uma forte personalidade. Independente de acreditar ou não, uma coisa certa é que ele se tornou muito, muito famosos e ainda o é. Vez ou outra sempre aparecem essas pessoas que permanecem famosas pra sempre, como Nostradamus ou Einstein. Quanto mais nos aprofundávamos em sua vida, nós percebíamos que ele era muito importante na música do JUDAS PRIEST. Nós havíamos mergulhado em fantasias antes, como em 'Blood Red Skies' ou 'Sinner' e esse é nosso mundo de fantasia, mas em Nostradamus há muito mais substância. Eu acho que isso dá mais validade e emoção".
Classic Rock Revisited: Musicalmente, Glen Tipton e você tocam bem diferente se comparado com o passado.
Downing: "Nós nunca havíamos tocando tanto de forma acústica em um álbum do JUDAS PRIEST. Foi na verdade prazeroso colocar o dedo em algo como isso do ponto de vista musical. Nós nos sentíamos livres para expandir as fronteiras. Nos perguntávamos se poderíamos lançar algo misturando Metal e Clássico. Rob disse isso, e eu tremi quando ouvi ele dizer, 'JUDAS PRIEST fará a primeira Metal Ópera da história do Metal'. E eu pensando, 'Wow, nós devemos começar a trabalhar'".
"Glenn e eu tivemos algumas das primeiras guitarras sintetizadas no início dos anos oitenta. Nós podíamos criar praticamente qualquer som que quiséssemos convertendo um sinal analógico para um sinal tipo midi. Nós pegamos o antigo equipamento dos armários, onde havia muitos estalos e chiados e nós nos olhamos e dissemos, 'É melhor ir comprar uns equipamentos novos'. Nós temos guitarras agora que estão totalmente atualizadas e prontas pra ação. As coisas evoluíram no mundo tecnológico e nós pudemos usar essas tecnologias para criar coros e sons orquestrais".
"Os elementos clássicos dos tempos de Nostradamus estão lá. Nós pensamos que isso poderia nos dar um pouco de longevidade. Estamos todos chegando à casa dos sessenta, você sabe. Achamos que gostaríamos de fazer um álbum com o qual nossos fãs realmente poderiam sentar e ouvir, como nós fazíamos antigamente. Nós queríamos propiciar a mesma intensidade que havia em álbuns como 'Eletric Ladyland'. Esse álbum pode não ser considerado conceitual por muitas pessoas, mas era um puta conceito para mim. Me levou para outro planeta. Eu acho que Glenn até chegou a me dizer enquanto estávamos no estúdio. Ele disse, 'Eu me pergunto se essas pessoas que fazem grandes discos sabem que são ótimos enquanto estão o fazendo'. Eu realmente duvido que saibam. Você não sabe até o lançar no mercado".
"Eu acho que escolher o momento é muito importante. Eu acredito que nós fizemos alguns dos álbuns dos JUDAS PRIEST muito cedo e alguns podem ter sido muito tarde. 'Painkiller' pode ter sido prematuro. Nós iniciamos a turnê com cinco músicas do álbum no setlist, e a terminamos tocando duas. Foi um pouco como uma venda difícil, aquele disco. Quando um álbum permanece por uma década, se torna um clássico. É a mesma coisa com uma banda. Você não se torna uma lenda até ser lembrado após um milhão de anos. Você pode ser o sucesso de uma noite, mas não a lenda de uma noite".
Classic Rock Revisited: Em "Angel of Retribution", O PRIEST tentou algo diferente com a música "Lochness". Alguns disseram, "Brilhante!" e outros reagiram "Que porcaria é essa?" Vocês pensaram enquanto faziam "Nostradamus" que se não fizessem bem feito seria algo terrível para o PRIEST?
Downing: "Com certeza, esse pensamento ocorre. As pessoas freqüentemente falam de nossos fãs mais novos, e que deveríamos fazer algo mais moderno. Nós temos um monte de fãs jovens, mas também temos muitos fãs antigos também. E eu os tenho em muita consideração. Os fãs antigos, mesmo eu e tantas outras pessoas, irão dizer, 'Que bom alguém fez um álbum com um significado para mim'. Se você faz um filme, você quer todos os ingredientes levando a um grande final. Você o assiste como um todo e não o disseca em partes. Alguém pode achar que o começo foi o melhor porque alguém teve a garganta cortada ou eles jogaram alguém de um prédio, mas esse não é o filme todo. Será um grande dia no inferno, ou no céu, quando nós pudermos ir tocar nossa criação na integra. Rob pode fazer Nostradamus e nós podemos ser personagens também. Eu acho que isso levaria essa experiência para outro nível. Nós sempre fomos inovadores e versáteis em nossa carreira, mas ainda temos caminhos a seguir. O álbum ainda irá passar pela aceitação dos fãs. Esse álbum é muito melódico. Nós estamos dizendo aos fãs que está ok ser melódico".
Leia a entrevista completa neste link.
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