Duff McKagan: "claro que há uma chance do GN'R voltar"
Por Nacho Belgrande
Fonte: Site do LoKaos Rock Show
Postado em 20 de outubro de 2011
NOVA IORQUE – Astros do rock que escrevem suas autobiografias? Bem comum. Astros do rock que escrevem colunas semanais para jornais e pro site da ESPN? Nem tanto.
Nos anos que seguiram a DUFF MCKAGAN sair do Guns N' Roses e deixar o Velvet Revolver para trás, ele despontou como um tipo de homem da renascença. Ele escreve sobre esportes para a ESPN, tem sua própria empresa de administração financeira, a Merdian Rock, especializada em músicos, e agora é um autor literário com o livro "It’s So Easy «And Other Lies»", que foi lançado recentemente pela editora Simon & Schuster. E claro, ele ainda manda ver com sua banda, o LOADED.
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O livro empresta o nome de uma faixa do Guns N’ Roses, e detalha os altos e baixos de McKagan. O roqueiro natural de Seattle ascendeu à fama no fim dos anos 80 com o Guns n’ Roses, mas eventualmente tornou-se viciado em drogas e álcool, até que uma epifania mudou sua vida de repente.
McKagan, que é casado e tem três filhos, falou sobre esse momento marcante de sua vida, sua carreira de autor e o Guns N’ Roses durante uma recente entrevista para a Associated Press.
AP: O título do livro é ‘It’s So Easy’, e não tem sido assim tão fácil. O que tornou tudo difícil?
McKagan: A banda começou a decolar, e mudar pra LA foi ótimo. Mas eu sofria de ataques de pânico, ainda jovem. E eu descobri que beber aliviava os ataques de pânico. E eu sempre pensei comigo mesmo, ‘Quando eu tiver um tempo livre, eu vou lidar com isso,´ mas à medida que a banda começava a pegar mais e mais força, os ataques foram piorando e piorando, e eu estava bebendo mais e mais. E daí eu achei as drogas, cocaína. Eu conseguia beber mais se eu cheirasse, mas a cocaína me dava mais ataques de pânico, e era esse fluxo cáustico de ação e reação.
AP: O que fez você mudar?
McKagan: Eu me vi no hospital. Minha mãe – eu sou o caçula de oito filhos – tinha Mal de Parkinson na época. Ela veio pro hospital, e ela estava sofrendo com a tremedeira do Parkinson e estava numa cadeira de rodas. Eu sou o filho mais novo. Eu percebi ali naquela hora que a ordem das coisas estava errada. Eu devia estar tomando conta dela.
AP: Você disse que o kickboxe fez uma reviravolta em sua vida. Como isso aconteceu?
McKagan: Eu estava muito zoado e tinha bolhas brotando na minha pele por causa das drogas e esse técnico disse, ‘Tem alguém que eu quero que você conheça,’ e eles me levaram pra esse dojo… ele me apresentou ao sensei Benny, e eu me dei conta de cara que ele me sacou, por inteiro. Até hoje ele é meu sensei, há 16, 17 anos, e eu posso te dizer sem pestanejar que eu não dirigi mais de 500 palavras a ele.
AP: O quão confortável foi colocar sua vida em um livro?
McKagan: Enquanto possa parecer que eu revelei muito ao escrever, você pode revelar o que você quer revelar. Eu mantenho minha vida particular tão privada quanto possível. Eu revelei as coisas importantes no que diz respeito a esse livro e o tema principal desse livro.
AP: Você escreve um bocado. Como isso começou?
McKagan: Em 2008, eu comecei a escrever pro Seattle Weekly, eu achei que eu duraria algumas semanas e preseparia e eles iam achar outro. Mas eu achei minha voz e gostei disso. Aquelas primeiras duas semanas viraram quatro, e depois seis e depois oito. E agora eis-me aqui 170 semanas, mais ou menos, depois. Depois de uma semana, o site da Playboy me convidou para escrever uma coluna sobre finanças porque eles sabiam que eu tinha feito faculdade de administração.
AP: Agora que você é um escritor, qual sua prioridade profissional?
McKagan: A música tem preferência sobre tudo. Escrever é algo que você pode fazer na estrada, nos bastidores, no ônibus de turnê, num avião. Eu escrevo meus melhores textos em aviões. Meus colegas de banda estão acostumados comigo escrevendo.
AP: Você acha que está redefinindo o arquétipo pelo qual um astro do rock é definido?
McKagan: Eu acho que esse arquétipo foi formado, especialmente nos EUA, por alguns figuras de outros países que se tornaram um estereótipo e um emblema de tudo isso. Muitos dos músicos mais produtivos que eu conheço são as pessoas mais inteligentes e sensíveis que deveriam estar comandando o mundo.
AP: Há alguma chance do Guns N’ Roses voltar algum dia?
McKagan: Claro que há uma chance. Eu não sei o quão real é essa chance. Não é algo sobre o qual eu jamais escreva ou converse em casa ou com qualquer uma das principais pessoas envolvidas, nunca.
AP: Mas você tocou com Axl recentemente…
McKagan: Apenas uma vez. Eu toquei algumas músicas e ele estava em Londres no mesmo hotel e uma coisa levou à outra.
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