Os três guitarristas que Billy Corgan chama de "Bíblia da guitarra rock"
Por Bruce William
Postado em 16 de junho de 2026
O primeiro professor informal de guitarra de Billy Corgan não facilitava a vida dos ídolos do rock. Seu pai era músico, tocava muito bem e tinha opiniões bastante rígidas sobre quem merecia respeito. Quando o filho começou a se interessar pelo instrumento, recebeu uma orientação pouco diplomática: "Não ouça Clapton, ele é uma porcaria. Ouça Jeff Beck."
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Corgan seguiu parte do conselho. Beck tornou-se uma referência profunda, ao lado de Jimi Hendrix, e ajudou a ampliar sua ideia do que uma guitarra elétrica poderia fazer. Mas o tempo também corrigiu o julgamento herdado dentro de casa. Anos depois, o líder do Smashing Pumpkins já colocava Eric Clapton entre três músicos britânicos que, para sua geração, funcionaram como base de praticamente tudo.
"Quando você olha para aqueles três guitarristas que cresceram na mesma época - Jimmy Page, Jeff Beck e Eric Clapton - a cerca de 30 quilômetros um do outro, aquilo é basicamente a Bíblia da guitarra rock com a qual cresci", afirmou Corgan. "E eles influenciaram todo mundo de quem estamos falando."
Os três passaram pelos Yardbirds, embora em momentos e condições diferentes, relembra a Far Out. Clapton saiu quando percebeu que o grupo se afastava do blues que ele desejava tocar. Beck assumiu a vaga e levou a guitarra para terrenos mais agressivos e experimentais. Page chegou depois, primeiro no baixo e então dividindo as seis cordas com Beck, antes de seguir para o Led Zeppelin.
Corgan não os reuniu porque tocassem da mesma maneira. Clapton buscava a linguagem do blues e ajudou a consolidar um som mais encorpado nos Bluesbreakers e no Cream. Beck parecia tratar a guitarra como objeto em permanente mutação, arrancando ruídos, curvas e texturas difíceis de reproduzir. Page usou o instrumento também como compositor, arranjador e produtor, pensando menos no solo isolado e mais na arquitetura completa da gravação.
A admiração por Beck permaneceu particularmente forte. Ao ouvir "I Ain't Superstitious", gravada pelo Jeff Beck Group com Rod Stewart, Corgan chegou a confundi-la inicialmente com Led Zeppelin. O engano diz bastante sobre aquela pequena comunidade de músicos britânicos: as trajetórias se cruzavam, as influências circulavam e algumas ideias que depois pareceriam pertencer a uma banda específica ainda estavam sendo descobertas coletivamente.
O pai de Corgan talvez jamais aceitasse colocar Clapton no mesmo altar de Beck. O filho, porém, acabou enxergando algo maior que a preferência pessoal. Page, Beck e Clapton mostraram caminhos diferentes para a guitarra elétrica e ofereceram um vocabulário que seria absorvido por hard rock, heavy metal, rock alternativo e incontáveis músicos de quarto. A Bíblia de Corgan não tinha apenas um evangelho - e justamente por isso continuou sendo consultada por gerações.
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