Pantera: Phil Anselmo fala sobre Rex Brown e Vinnie Paul

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Por Nathália Plá, Fonte: blabbermouth.net, Tradução
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Matéria de 05/10/11. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

O editor sênior da High Times, Bobby Black, entrevistou o ícone do heavy metal Philip Anselmo (DOWN, PANTERA, ARSON ANTHEM,SUPERJOINT RITUAL) antes do show do DOWN em 28 de abril de 2011 no Best Buy Theater em Nova Iorque. A conversa pode ser vista abaixo em quatro partes. Seguem alguns trechos (transcritos pelo BLABBERMOUTH.NET).

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High Times: Lembrando [dos tempos do PANTERA], parece que foi ontem ou parece que foi há muitos e muitos anos atrás?

Anselmo: "Algumas partes parecem que foi ontem, ou… oh meu Deus… eu já disse isso antes e não quero ficar repetindo, mas eu penso no PANTERA todos os dias da minha vida de uma maneira, de um jeito, de uma forma. Eu sempre ponderei e tive aquele pensamento de 'e se' — sabe? O Dimebag [Darrell Abbott, falecido guitarrista do PANTERA] estivesse vivo, eu acho que qualquer dilema que houvesse acabaria. O Dimebag era irmão demais para ficar carregando ódio consigo, ou raiva, sabe?! E eu mereci certa raiva. Mas eu acho que você vai saber muito mais sobre isso quando eu lançar minha auto-biografia que está saindo... Eu vou trabalhar nela nesse verão. Mas tem muito a ver com quando... Eu estava com uma dor crônica, ela controlava minha mente, que controlava tudo mais. [Em 21 de novembro de 2005 Anselmo passou por uma cirurgia para reparar várias hérnias de disco em sua coluna inferior. — Nota do editor.] O Dimebag estava passando por muitas coisas no fim do PANTERA. E as minhas overdoses? Isso foi tipo... Não há desculpas para isso. Não há desculpas. Você está fudido. Você fica rotulado. Você é um alvo. Ninguém confia em você. Eu podia ter sido certinho… Eu podia ter sido certinho de tudo e ele vinha me acusando, me culpando... e não posso culpá-lo... Não, eu não o culpo. Se for olhar, eu faço a mesma coisa com outras pessoas hoje. Eu sou o cara que vai salvar a sua vida. Eu acolhi muitos viciados… Desde que fiquei limpo, ajudei muitos a se limpar... na minha casa. Não importa quantos dias levou. Uma vez foi um cara que levou dez dias [tentando fazer alguém ficar limpo]. E eu tive uma proporção de 50% [de sucesso]."

NOTA DO EDITOR: em alguns trechos é difícil entender o que exatamente Anselmo quer dizer. Esta dificuldade de interpretação existe na versão em inglês e transparece, claro, na tradução.

High Times: Você acha que é como um karma de certa maneira?

Anselmo: "Oh meu Deus… Um karma? Veja a situação com o Rex Brown [ex-baixista do PANTERA/DOWN]. Eu tentei. Eu dei tudo de mim e amo o Rex Brown de todo meu coração. Mas, diabos, ele não deixa estar. Ele vai, e já disseram isso a ele, morrer. [Em 2009 Brown foi diagnosticado com pancreatite, uma inflamação repentina do pâncreas que pode ter várias complicações e alta taxa de mortalidade independente de tratamento. — Nota do editor.] Mas te digo uma coisa: ele não vai morrer antes de mim, porque ele não tem bebido na frente dos outros. E isso quer dizer que ele não pode estar por perto agora, porque ele está bebendo. E é isso. É essa a história escondida. E é isso – é o único dilemma entre o Rex e eu; fora isso, somos melhores amigos. Ele não consegue parar de beber, e é isso."

High Times: Deixa lhe fazer a pergunta difícil. Você acha que há alguma chance, alguma esperança no futuro de se reconciliar com o Vinnie [Paul Abbott, irmão de Dimebag e ex-baterista do PANTERA/DAMAGEPLAN e atualmente do HELLYEAH]?

Anselmo: "Eu adoraria isso. Sem rodeios, vou dizer bem aqui, e já disse antes. E vou repetir… Minha porta está aberta. Está me ouvindo? Já lhe disse antes: Eu venho com amor. Isso significa que a porta está aberta, cara. Eu duvido que o Vinnie Paul vai destrancar essa porta. Eu o conheço. O medo o controla. É uma pena, mas sempre controlou. O medo controla o Vince, e não sei por que, mas ele tem medo de mim. Eu eu adoro o cara. Eu adoro o cara. Eu eu adoraria ter a oportunidade de pedir desculpas a ele como pedi a minha família, a meus melhores amigos e a todos por ter perdido a cabeça num período da minha vida de que me arrependo até hoje. Eu adoraria ter essa oportunidade. Mas, como eu disse, ele vai beber e ir para um bar de strip que provavelmente seja dele, e ser superficial. E isso é triste. Terapia não vem de uma garrafa de uísque. Ele viu o irmão dele ser assassinado."

High Times: Ninguém pode culpa-lo por sentir raiva, certamente.

Anselmo: "Mas ele botou a culpa no cara errado. Ele botou a maldita culpa no cara errado. E vou dizer uma coisa... Eu falei com o policial [policial de Columbus, Ohio James D. Niggemeyer] que detonou esse filho da puta [Nathan Gale] que matou o Dimebag — detonou ele — o cara que o matou. E fiz a ele a pergunta difícil. Eu disse 'Diga-me: Gale atirou de propósito no Dimebag?' Ele disse, eles foram ao apartamento do Gale, esse assassino filho da puta, ele tinha um monte de notebooks com tudo escrito sobre como ele ia matar o PANTERA por tirar as músicas dele. Matar o PANTERA, o PANTERA. Em nenhum momento os escritos dele mencionam um de nós especificamente, e se mencionasse, eram nós quatro, mas isso era raro. Então eu disso a esse policial, eu disse, 'Então você quer dizer que se fosse eu tocando com o SUPERJOINT [RITUAL] ou DOWN naquela noite; esse filho da puta teria vindo atrás de mim?' E ele só disse, 'Com certeza'. Na verdade, ele estava chorando e tudo o que conseguiu fazer foi acenar com a cabeça dizendo 'sim'. Com certeza. E esse pobre coitado sente medo também. Muito medo. Poucos de nós estouraram a cabeça de alguém depois de um assassinato em massa. Isso é algo com que ele vai viver todos dias. É algo com que eu vou viver todos dias – só que com menos intensidade mas dentro de mim... Se as pessoas chamam isso de alma, ok, mas estou falando da minha cabeça. Eu vivo com essa merda... todos momentos da minha vida eu penso nisso."

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Sobre Nathália Plá

Mineira de Belo Horizonte, nasceu e cresceu ouvindo Rock por causa de seu pai. O som de Pink Floyd e Yes marcou sua infância tanto quanto a boneca Barbie, mas de uma forma tão intensa que hoje escutar essas bandas lhe causa arrepios. Ao longo dos anos foi se adaptando às incisivas influências e acabou adquirindo gosto próprio, criando afinidade pelo Hard Rock e Heavy Metal. Louca e incondicionalmente apaixonada por Bon Jovi, não está nem aí pras críticas insistentes dirigidas à banda. Deixando a emoção de lado e dando ouvidos à técnica e qualidade musical, tem por melhores bandas, nessa ordem, BlackSabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e Dream Theater. De resto, é apenas mais uma apreciadora do bom e velho Rock'n'roll.

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