New Order: Bernard Sumner e Peter Hook falam de Blue Monday

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: NME, Tradução
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A NME, publicação britânica especializada em música, publicou recentemente uma entrevista com Peter Hook e Bernard Sumner, baixista e guitarrista/vocalista do NEW ORDER, onde os músicos falaram de 'Blue Monday', considerados por muitos o maior clássico da banda.

NME: O que você lembra de quando estava escrevendo 'Blue Monday'?

Bernard Sumner: Nós a escrevemos em uma sala de ensaio horrível em Cheetham Hill, que tinha um cemitério atrás. Eu sempre lembro do chá parecendo bem estranho por causa da água na chaleira. Eu disse um dia para o Steve, 'Eu tenho certeza de que alguma coisa daquelas tumbas está vazando nos encanamentos...'. Eu lembro de ter ficado excitado com a tecnologia de última geração que estava ficando disponível. Era pre-computadores, pre-MIDI e eu tinha construído este sequenciador usando um kit de eletrônica. Nós programamos tudo em step-time usando leituras digitais em código binário. Foi... complicado. Nós poderíamos usar um sintetizador na coisa, mas não podíamos pendurá-lo em nada. Steve tinha trazido uma bateria eletrônica, mas nós não podíamos fazer com que o sequenciador conversasse com ela. Através do Martin Hannett [produtor do NEW ORDER], nós conhecemos um cientista chamado Martin Usher, então eu levei o sequenciador e a bateria eletrônica pra ele e ele desenhou um circuito que poderia fazê-los conversar um com o outro. O dia em que a escrevemos foi o dia em que ele trouxe o circuito, conectou tudo e apertamos 'GO' na bateria eletrônica, o sintetizador começou a tagarelar, e de alguma forma tudo funcionou. Rob [Gretton, gerente do NEW ORDER] pensou que era bruxaria. Isso soa estranho agora, na era da internet, mas realmente pensei que o negócio funcionou por magia.

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Peter Hook: Eu achava que outras músicas que escrevemos na época foram melhores. Eu pensava, 'Temptation' era uma música melhor, especialmente ao vivo. Eu pensava: 'Everything's Gone Green' era melhor. E eu pensava "Thieves Like Us" era muito, muito superior. Mas 'Blue Monday' tem um impacto sonoro que muito, muito poucos registros têm. Foi realmente um presente, e foi bastante irônico - e muito triste, na verdade - que roubamos de uma B-side da DONNA SUMMER. É uma música estranha. Tornou-se um dos maiores registros de Manchester. Tivemos muita sorte de escrever 'Love Will Tear Us Apart' como JOY DIVISION, que foi um recorde em Manchester, e depois em 'Blue Monday' como NEW ORDER. Temos um com cada banda, fantástico!

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NME: É uma canção da qual tem sempre se falado com grande reverência, mas vocês, internamente, a consideram como uma virada no jogo? E por que vocês pensam que ela ainda se conecta as pessoas, após 30 anos?

BS: Eu realmente não a vejo como canção. Eu a vejo mais como uma máquina, projeta para fazer as pessoas dançarem. Ela chega num clube e soa tão poderosa, como ficar perto dos motores de uma nave. Eu estava em um clube em Berlin, alguns anos atrás, quando eles começaram a tocar algumas músicas house modernas realmente muito boas, então 'Blue Monday' começou e soou ótima - mesmo num contexto contemporâneo e em frente a uma produção moderna.

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PH: Eu acho que 'Love Will Tear Us Apart' se conecta às pessoas por causa do conteúdo emocional da canção, e eu acho que 'Blue Monday' se conecta às pessoas por causa da surpreendente falta de conteúdo emocional dentro da música. É uma espécie de contraditório, realmente. Acho que a maneira que tudo nela é sincronizado, então é como todas essas engrenagens diferentes funcionando juntas, e cada parte no sintetizador é como uma engrenagem diferente. Tudo funciona como um relógio. Se eu pudesse explicar corretamente, eu escreveria outra! Mas essa é a beleza da música, não há nenhum método para isso.

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NME: Quão diferente você acha que a paisagem musical seria hoje, se vocês não a tivessem gravado?

PH: É um grande elogio que lhe digam que você é uma das inspirações para a dance music, mas a verdade é nós pegamos isso emprestado do KRAFTWERK. Nós também fomos inspirados por pessoas como Giorgio Moroder, SPARKS, pessoas assim. Essa coisa toda de inspiração é que você tome algo como ponto de partida, e depois torne-o seu. Tivemos muita sorte de ser capazes de fazer isso com o JOY DIVISION e, em seguida, no NEW ORDER.

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BS: Nós estávamos na vanguarda com essa música - coisas assim não estavam sendo tocadas nas rádios ou em clubes. Havia música eletrônica, mas não muita dance music eletrônica. Havia algumas pessoas tocando música como essa em clubes em Nova York e Londres, mas era tocada em instrumentos reais. Não havia nada que fosse tão puro e eletrônica. De repente, essa faixa veio e soava diferente de tudo o mais, então os DJs começaram a tocá-la. E ela aparecia nas paradas de sucesso. Nós nunca realmente tivemos 'Blue Monday' tocando em nenhuma rádio. Mesmo assim, foi um sucesso. Para ser justo, ela só estava disponível em 12", então eles não poderiam tocá-la nas rádios e ele não teria feito sentido no rádio, onde você pode tocar apenas um fragmento de três minutos. Então, foi através dos clubes que se tornou um hit, e depois se tornou um sucesso novamente, e novamente e novamente, enquanto passava de país para país.

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NME: Há um boato famoso que, apesar dos grandes números que o single vendeu, você acabou perdendo dinheiro por causa do design da capa de Peter Saville. Você pode finalmente esclarecer isso?

PH: Não, isto é absolutamente verdadeiro. A Factory o vendeu por uma libra, mas custou 1,1 para produzir por causa da capa - que teve que ter três colagens, todas individualmente. Uma das melhores frases de Steve Morris' é que todos os bits que você não pega em 'Blue Monday' são o que custa todo esse dinheiro. E isso era verdade. Tony terminou com todos aqueles prêmios de bronze maravilhosos para comemorar 500.000 vendas, quando o que estávamos comemorando na verdade era uma perda de 50.000 libras. Isso só poderia acontecer na Factory! Eles corrigiram isso mais tarde, usando uma capa normal, mas que só depois que uma enorme quantidade de cópias haviam sido vendida. Mas essa era a forma da Factory funcionar. Rob Gretton costumava dizer que para nós sempre que estávamos reclamando sobre dinheiro, que o que o dinheiro não pode comprar. E ele estava absolutamente certo. Sempre que eu topo com alguém como Bono, ou ele, esses multi-multi-milionários , eles não têm um pingo de que nós temos - que é respeito. Mantivemos as nossas credenciais e nunca nos vendemos.

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BS: Vendeu trocentas e mais trocentas cópias, mas não conseguimos nenhum prêmio por isso; estando em um pequeno selo independente, não éramos membros das sociedades relevantes. Então, quando atingiu 500.000, Tony fez um especial de prêmio Factory Records, esta grande roda dentada que era quase como uma foice e o martelo. Eu ainda a tenho na verdade. Ele pesa uma tonelada.

A entrevista em seu idioma original você confere aqui:
http://www.nme.com/blog/index.php?blog=1&p=12387&title=new_o...

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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